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A evolução do datacenter: ninguém se lembra da Blockbuster?

Elizabeth Alves, business development manager na Exclusive Networks Portugal

Publicado em 13 Abril 2017 | 890 Visualizações

Já está cansado de ler e de ouvir falar sobre o futuro do Datacenter, ou do que vai ser o centro de dados do futuro. Apresso-me a confirmar que, finalmente, estamos perante este futuro tecnológico que há tantos anos cobiçamos.

Aqueles mantras apocalípticos, que pressagiavam a morte de muitas empresas devido à sua incapacidade de adaptação a modelos suportados pela tecnologia e pela Internet, foram cumpridos, e em muitos casos de forma mais agressiva do que a prevista.

Na linha da frente dessa transformação, grandes titãs empresariais, como a Amazon, a Uber, a Spotify ou a Netflix, para citar apenas alguns, registaram um verdadeiro boom na última década. Na sua mão, e como embriões dentro de arquiteturas e desenvolvimentos próprios, estão as tecnologias mais brilhantes e inovadoras, que permitem que essas empresas definam os novos padrões tecnológicos.

No entanto, se formos minimamente analíticos e críticos, vemos que isso não era, em si, uma revolução tecnológica, mas sim puramente comercial.

 

Os modelos de negócio devem mudar

No calor desta evolução, é óbvio que os modelos tradicionais de negócio devem mudar, pois não têm escolha: ninguém vai parar e esperar por eles nesta corrida.

Diversificar os canais de comercialização através da Internet, modificando e melhorando aspetos como controlo de stocks ou distribuição de produtos, é a medida mais abrangente a curto prazo. No entanto, não deve parar por ai.

Para ser mais eficiente, é necessário aligeirar as estruturas de negócios mais arcaicas e globalizar à medida do possível, o que de um ponto de vista tecnológico envolve: otimizar os processos e serviços críticos; digitalizar até ao ADN do negócio, por mais tradicional que seja; reduzir as despesas operacionais para concentrar os investimentos na geração de lucros; e estabelecer estratégias a médio e longo prazo, de forma a evitar movimentos erráticos nos anos em que a concorrência é mais feroz.

Mas, além de tudo isso, e para começar no ponto mais óbvio, temos que assumir que a infraestrutura que suporta todas as ferramentas anexadas à espinha dorsal da nossa empresa, não aporta – por si só – valor ao negócio. Portanto, a simplificação é agora uma questão urgente.

 

Os novos paradigmas

Esta é a justificação da cloud, desde que chegou há alguns anos, embora sem o estrondoso sucesso que esperávamos, mas também da maioria das startups emergentes.

Parece que já está demonstrado que não podemos continuar a desperdiçar os caros e limitados recursos humanos dos departamentos de tecnologia em ações que não estejam alinhadas com um impacto direto no nosso negócio. Daí o enorme furor com os novos paradigmas, como Web Scale ou as múltiplas leituras do fenômeno Software-defined.

E, claro, como em todas as revoluções, é evidente que haverá uma importante tendência conservadora para manter tudo como estava. Mas alguém realmente acredita que as lojas de conveniência vão continuar a viver com um fenômeno como a Amazon? E o que dizer sobre o negócio dos Táxis; inegavelmente irá assumir investimentos em tecnologia para competir com a Uber.

O Centro de Dados evoluiu. Os mais céticos lembrem-se por favor do caso da Blockbuster: mais de 60 mil funcionários e 9 mil lojas em todo o Mundo desapareceram, incapazes de competir com novos formatos de vídeo on demand na Internet.


Publicado em:

Opinião

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