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Big Data e blockchain duas tendências incontornáveis também na privacidade

Publicado em 5 Novembro 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 141 Visualizações

Web Summit 2019 - o bom, o mau e o futuro do big data

A gestão dos volumes gigantescos de dados digitais a que empresas e governos hoje podem ter acesso é um dos temas centrais na Web Summit deste ano, como ficou claro pela apresentação de abertura do evento, com Edward Snowden.  

O tema vai dar o mote para o debate em vários paineis e foi isso mesmo que aconteceu nas sessões «O Bom, o Mau e o Futuro do Big Data» e «Blockchain: The Use Cases». É ponto assente que as empresas têm um papel central na forma de gerir o tema dos dados e para Joaquim Boix, da Esomar, uma comunidade global de empresas e investigadores na área dos dados, esse papel tem de ser desempenhado também junto dos reguladores. 

«O tempo é de aprendizagem para todos» os intervenientes neste mercado, defendeu o responsável. Para as empresas, a regra deve passar também por definir estratégias orientadas para objetivos específicos, que ajudem a promover o reconhecimento das marcas, sem violar leis ou direitos de privacidade, sublinhou Francois-Xavier Pierrel, chief data officer da JCDecaux, que trouxe ao evento o testemunho de uma marca tradicional que se tem vindo a reinventar para ocupar um espaço relevante nos meios digitais, admitiu o responsável. 

Recolher só os dados necessários tem de ser regra 

Neste percurso, orientar a estratégia – e os sistemas – para recolher apenas os dados que vão realmente ser necessários para servir os propósitos da empresa é fundamental, destacou o responsável. É a forma de ser objetivo, racionalizar investimento e minimizar riscos de infração, defendeu. 

No mesmo painel, onde também participaram Steve Rempel, CIO da Walgreens Boots Alliance, um gigante da área farmacêutica e Lori Fink, Chief Legal Officer da Xandr (divisão de publicidade e análise da AT&T), ficou ainda claro que o desafio da gestão dos dados também é um desafio de recursos humanos. 

Os projetos que cada um dos oradores representa começaram de fora para dentro a transformar-se em organizações “data driven”, mas tiveram inevitavelmente de contratar novos recursos e novas competências, para operar as novas plataformas de gestão e tratamento de dados que implementaram e reconhecem que isso tornou inevitáveis mudanças na cultura da organização. 

Blockchain é o único caminho para dados seguros 

A privacidade dos dados também foi o tema central de um debate sobre Blockchain, que trouxe à Web Summit David Chaum, um reconhecido especialista mundial em criptografia, que é considerado por muitos o pai das moedas digitais. Coube-lhe a ele, aliás, lançar para a conversa a ideia chave do debate. 

O blockchain é uma via para fazer circular informação, «capaz de garantir segurança sem ter de recorrer à validação de entidades oficiais e Governos» e é por isso «a única via para garantir a privacidade dos dados», defendeu o também CEO e fundador da Elixxir.

O especialista recordou as palavras de Snowden, que mais uma vez acusou Governos e empresas de fazer recolhas massivas de dados que guardam para sempre, esta terça-feira na sessão de abertura da Web Summit. O blockchain tem os mecanismos necessários para garantir que os dados só são disponibilizados a quem precisa deles, na medida em que precisa deles, sublinhou Chaum. 

A evolução da tecnologia tem sido lenta, admitiu-se no debate, mas o seu valor para validar processos não está em causa. É a via cada vez mais credível para o fazer, mas isso não precisa de ser óbvio para quem utiliza os serviços digitais. Vamos ver cada vez mais e mais aplicações que funcionam com recurso a tecnologias de blockchain, para garantir a segurança de transações e a validação de informação, sem que o utilizador final disso se aperceba, prevêem os especialistas. No mesmo painel estiveram David Wachsman, fundador da Wachsman e Corentin Denoeud, CEO da Rockside. 


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