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Brad Smith falou de IA, privacidade e pediu paz digital

Publicado em 8 Novembro 2018 por Cláudia Sargento e Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 97 Visualizações

Em tempo de guerras cada vez mais digitais, Brad Smith, presidente da Microsoft veio à Web Summit falar das novas ciber ameaças que rodeiam o mundo e da forma como as devemos gerir a caminho de uma paz digital.

Para este responsável, o tema «é determinante nos dias que correm», numa altura em que «a tecnologia está a avançar a um ritmo alucinante e a promover enormes benefícios mas também a trazer grandes ameaças». Na verdade, no mesmo sentido em que se trabalha para «curar o cancro» é também necessário ter em atenção «outros desafios como a gestão dos sistemas de forma segura e a garantia de que as ferramentas que criamos não são usadas apenas para destruir», referiu o presidente da Microsoft.

Brad Smith acredita que nos tornámos «num campo de batalha» e recorda que, numa altura em se assinalam os 100 anos do armistício da I Grande Guerra, «começam a surgir sinais de novas guerras». O ano de 2017 «despertou o mundo para as ameaças reais da tecnologia, com ciberataques à escala global, como foi o caso do Wannacry».

Recorda o presidente da Microsoft que «no ano passado quase um bilião de pessoas foram alvo de ciberataques» pelo que estamos no momento certo para  «começar a agir, já que tudo está em rede e tudo poderá ser severamente afectado».

E Brad Smith fez questão de deixar bem patente aquilo de que falava através da exibição de dois vídeos: um primeiro onde se dava conta das consequências do Wannacry para a vida e o dia-a-dia dos cidadãos comuns no Reino Unido – colocando até vidas em risco – e um segundo onde se fala da famosa Batalha de Verdun, que na I Grande Guerra opôs alemães e franceses com um pesado saldo de 300 mil mortos.

Contas feitas, Brad Smith acredita que a cibersegurança é também um problema político, com vários governantes a minimizarem as consequências de um ciberataque e aproveitou para deixar um apelo a um Altice Arena quase cheio: «É tempo de agir; a voz dos nativos digitais da Europa e do mundo deve ser ouvida contra as ameaças dos ciberataques; assinem a Campanha “Digital Peace” para que todas as voz a possam e sejam ouvidas.»

A inteligência artificial e o papel da Microsoft 

Brad Smith subiu por várias vezes ao palco da Web Summit nesta quarta-feira. Durante a manhã falou de inteligência artificial para sublinhar que a missão da empresa neste domínio passa por «democratizar a inteligência artificial» e dar a empresas e governos as ferramentas para criarem negócios e serviços mais competitivos.

O responsável considerou que a Microsoft tem um papel no desenvolvimento e aplicação destas tecnologias aos grandes desafios que hoje se colocam à humanidade, seja do ponto vista ambiental, humanitário, da sustentabilidade ou outros e deu exemplos concretos de programas que a empresa está a desenvolver nessas áreas, garantindo que a companhia quer muito mais da inteligência artificial que a capacidade para recolher e tratar dados de utilizadores.

Sem citar exemplos de concorrentes, mas vincando claramente uma posição de diferenciação em relação às polémicas que nos últimos meses têm envolvido vários gigantes do sector, garantiu que o posicionamento da Microsoft passa pela colaboração com outras empresas e com Governos, para alcançar soluções que sirvam os interesses de quem fornece e de quem usa os serviços.

Quem não coopera com governos demite-se do poder de influenciar 

«As empresas que deixam de cooperar com os Governos perdem a oportunidade de influenciar decisões», defendeu o responsável, já num outro painel de debate, onde partilhou o palco com o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, para falar de info-inclusão.

Brad Smith ainda defendeu que «há várias formas de olhar para as desafios que as novas tecnologias [como a inteligência a] estão a trazer, mas a verdade é que em todas as mudanças há perdedores e vencedores». O importante é encontrar caminhos para nos adaptarmos às novas realidades, no que se refere ao emprego, por exemplo, e na sua perspetiva eles existem e serão mais claros em poucos anos, quando muitas das novas profissões que hoje começam a surgir estiverem consolidadas.

Brad Smith defendeu igualmente que é preciso regular e monitorizar os impactos a nível ético e outros, do desenvolvimento de tecnologias como a inteligência artificial, mas também considerou que «é importante percebermos que mundo queremos criar», antes de tentar mudar e regular tudo. Fazê-lo exige um diálogo e cooperação entre vários atores, que o responsável da Microsoft vincou em todas as apresentações que fez, ser uma prioridade para a empresa.  

 


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