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Business Intelligence departamental: identifique os desafios e conheça as implicações

Álvaro Santos, consultor sénior GSTEP

Publicado em 22 Outubro 2018 | 107 Visualizações

Numa época em que historicamente as organizações são caracterizadas por um elevado poder departamental, o cenário apresenta empresas com departamentos que não gostam de estar dependentes de outros departamentos e que auferem de um significativo poder financeiro. Em companhias com forte ADN tecnológico, existem amiúde Centros de Competências encarregues de lidar com o BI, as suas necessidades e implicações. Mas em organizações onde esse Centro de Competências não marca presença, a responsabilidade acaba por ser partilhada por todos os departamentos, passando assim ao lado das naturais competências do departamento de TI.

 

Nessa situação, acaba por se formar um ambiente de BI departamental caracterizado por “ilhas” separadas onde muitas vezes os departamentos adquirem ferramentas de BI para utilização interna. Para além das implicações orçamentais que esta situação impõe, existe um cenário mais abrangente que se forma e que pode minar a estratégia de BI da empresa. Ao departamentalizar o BI, acaba por se criar filtros de informação que impedem que esta seja partilhada de forma transversal por toda a empresa. Além disso, assiste-se a uma descredibilização da ferramenta de BI institucional que serve a organização como um todo, gerando uma realidade em que há duas fontes de dados distintas.

 

O BI departamental pode existir e coexistir com o BI corporativo, possibilitando decisões departamentais que são necessárias e importantes, mas a perspetiva corporativa deve assumir sempre um papel primordial no caso do BI. Neste campo, o Governance aparece como ator principal na peça.

 

Há ferramentas de BI adequadas às necessidades específicas de cada departamento. Estas necessidades refletem-se frequentemente em pedidos de self-service que dependem diretamente do índice de autonomia disponível. Assim, a implementação de ferramentas de BI em modelo self-service a nível departamental deve estar sujeita a políticas de governance e de reporting.

Neste enquadramento, fará sentido tomar uma decisão corporativa para a aquisição de ferramentas de self-service que sejam úteis a todos os departamentos, e não a apenas um ou dois. A implementação destas ferramentas deverá fazer-se em cima de uma base estabilizada e identificada de acordo com o negócio e o core business da organização e submetida a regras transversais à empresa, para não corrermos o risco de descredibilizarmos os dados existentes com a lógica do self-service.

 

Pensemos numa lógica factual, aplicada a um setor específico: no ramo segurador, uma apólice está vendida para o departamento comercial assim que o documento de aquisição da apólice é inserido no sistema. Mas para o departamento financeiro, essa apólice só é válida a partir do momento em que é efetuado o primeiro pagamento.

Estas duas realidades traduzem bem os desafios que o modelo de self-service pode apresentar às empresas.

 


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Opinião

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