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Como a industrialização torna o ciclo de vida dos centros de dados mais previsível e rentável

Aldino Falcão, services operations manager na Schneider Electric

Publicado em 5 Maio 2017 | 111 Views

Um dos temas do momento é a perspetiva de desenvolvimento da indústria de Centros de Dados ao longo dos próximos anos. A este propósito, considero que o principal desafio a abordar é a atual mudança num setor focado na engenharia, dando um maior ênfase à gestão operacional.

Por diversas razões, tem sido prestada demasiada atenção à forma como os Centros de Dados e infraestruturas têm sido construídos, descurando o custo das operações ao longo do seu ciclo de vida. Neste contexto, importa referir que o setor tem vindo a crescer rapidamente e de forma muito orientada para a tecnologia, o que tem sido extremamente positivo. Esse foco criou a infraestrutura base que reside em centenas de milhares de Centros de Dados espalhados pelo mundo e é essa infraestrutura que nos fornece todas as coisas que tomamos por certas, como a internet e aplicações de transmissão de mensagens, streaming, comunicação de vídeo bidirecional, entre outras.

No entanto, o desafio que se segue é muito diferente e consiste em fazer a transição entre estar focado na engenharia para passar a estar mais focado a nível operacional. Isso significa que precisamos de começar a pensar cuidadosamente sobre a gestão de toda a infraestrutura que iremos ter nos Centros de Dados. Como vai ser administrada? E como é que sabemos se estamos a administrá-la da forma correta e a desempenhar o nosso trabalho da melhor maneira? Em parte, estas questões estão diretamente relacionadas com as pessoas. No entanto, existe também uma solução técnica sobre a qual vale a pena refletir – não basta só construir um Centro de Dados a partir de uma perspetiva de design e construção e passar para o próximo projeto – é também necessário saber como se perceciona e como a infraestrutura será acompanhada durante o seu ciclo de vida.

Precisamos de nos percecionar como uma indústria madura e à medida que as indústrias amadurecem passam por diferentes estágios de dor. As etapas iniciais estão relacionadas com a mudança, por outras palavras: é necessário perceber em que parte do processo nos encontramos e tomar a decisão de mudar.

Isso significa pensar cuidadosamente acerca do ciclo de vida. Como é que a forma de construção da infraestrutura atual irá funcionar no decorrer das fases do seu ciclo de vida? Atempadamente iremos atualizar o equipamento. Faremos reinvestimentos de capital. Investimentos operacionais. Teremos de pensar em todas estas questões.

Qual a plataforma tecnológica que iremos aplicar de maneira a ser possível uma melhor gestão da infraestrutura? A indústria ainda se encontra num estado de híper crescimento, portanto teremos de aumentar o número de instalações, apesar de poderem mudar de dimensões e formato. De facto, se o mercado mudar da forma como o planeamos e se ocorrer uma alteração em direção ao Edge Computing, todo o panorama da instalação se irá alterar drasticamente.

Para sermos capazes de gerir a operação desses locais precisamos de considerar o aspeto do seu ciclo de vida. Queremos gerir infraestruturas da melhor forma possível, idealmente com o menor número possível de interferências humanas e é nessa fase que o software e a tecnologia entram.

Uma das coisas que podemos fazer na indústria é encurtar esse processo de aprendizagem, ao não incorrer nos mesmos estágios de dor pelos quais outras indústrias já passaram. Analisamos indústrias como a petrolífera e do gás, a indústria farmacêutica, da água e serviços e as centrais nucleares. Todas elas passaram por este exercício em diferentes períodos de tempo nos últimos 10 a 15 anos. Devemos tentar perceber o que fizeram para alterar as suas práticas operacionais e utilizar esse conhecimento.

Um aspeto determinante neste exercício é reconhecer que os clientes, já não compram produto, compram um sistema. Compram uma solução. Os clientes compram um Centro de Dados completo e procuram soluções de infraestruturas que sejam seguras, eficientes em termos de consumo energético, não poluentes e se possível também já conectadas, sendo ao mesmo tempo fáceis de gerir.


Publicado em:

Opinião

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