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GMV: Innovating solutions in Cybersecurity

Eficiência energética cria um novo foco para os Centros de Dados

Pedro Nobre, RAC DC EMEAS Solution Architect na área de IT Business da Schneider Electric

Publicado em 4 Julho 2017 | 189 Visualizações

Os operadores de Centros de Dados estão a ser encorajados a organizar as suas infraestruturas para que possam operar a temperaturas mais altas. A teoria baseia-se no facto de que temperaturas mais elevadas melhoram a eficiência geral do Centro de Dados, através da redução da necessidade do esforço de arrefecimento, o que leva à diminuição da carga em ventiladores e compressores, permitindo mais horas de refrigeração.

Porém, existem muitos fatores a considerar antes de aumentar a temperatura. De uma forma geral, acredito que estamos a atingir o ponto de retorno, em termos de rendimento, em algumas destas estratégias de controlo de temperatura, tendo em conta que um Centro de Dados é um sistema muito complexo. Ao aumentar a temperatura, alguns equipamentos acabam por consumir mais energia. Por exemplo, podemos poupar energia ao não acionarmos compressores, porém, os ventiladores dos servidores de informática podem acelerar e consumir mais energia. Isto significa que é necessário planear tudo e analisar quais os retornos possíveis.

A estratégia também deverá ter em consideração a sua localização geográfica, pois o clima é um fator importante. Ao analisarmos todas as variáveis, podemos concluir que em certos casos pode melhorar, mas noutros acaba por aumentar o consumo de energia do Centro de Dados.

Tendo em conta o panorama geral, o que importa, em última análise, é o progresso que estamos a fazer particularmente em relação ao que precisamos de melhorar no futuro. Os desafios vão aumentar porque vão existir cada vez mais Centros de Dados à medida que a sociedade vai necessitando de mais capacidade computacional. Esse aumento de exigência não vai parar. Isto significa que os Governos vão ficar preocupados com o grau de eficiência com que a indústria utiliza a energia e, naturalmente, questões como o aumento de temperatura não serão a resposta cabal para o que se pretende atingir.

Neste sentido, precisamos de pensar no desafio global e analisar concretamente a quantidade de IT necessária para executar determinada aplicação. Com sorte isso irá contribuir para o aumento da eficiência energética e, ao mesmo tempo, possibilitar a projeção da infraestrutura física para cumprir adequadamente os requisitos. Tudo isto deverá guiar-nos para uma gestão muito mais eficiente da utilização de energia, que a meu ver, será a próxima etapa na qual nos devemos concentrar.

A este propósito, referir ainda que o PUE (Power Usage Effectiveness) – uma métrica popular para ajudar os operadores a medir a eficiência de utilização de energia num Centro de Dados, a refrigeração necessária e a infraestrutura de backup – poderá talvez não ser suficiente para lidar com este desafio. É necessário pensar em todo o sistema, começando pelas aplicações e a garantia de que estamos a calibrar de forma apropriada o IT e todas as outras infraestruturas físicas. Isso é algo que temos de fazer enquanto indústria.


Publicado em:

Opinião

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