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A Everis tem as portas sempre abertas para as startups portuguesas

Publicado em 20 Abril 2017 por Ntech.news - Rui da Rocha Ferreira | 400 Visualizações

António Brandão de Vasconcelos | Everis

Já são conhecidas as 17 startups que a Everis Portugal vai apoiar através do programa de empreendedorismo Linkup. O objetivo é encontrar pontos de interesse e oportunidades de negócio entre a tecnológica, os seus clientes e os projetos inovadores destas jovens empresas.

“Isto tem de ser bom para todos, isto não pode ser só bom para eles, não pode ser só bom para nós. Se for bom para todos tem condições para continuar, para crescer e para correr bem, se for só para alguns, quem não é beneficiado vai desistir”, dizia o chairman da Everis Portugal, António Brandão de Vasconcelos, ao Ntech.news ainda antes da entrevista começar.

O programa Linkup é um investimento no empreendedorismo português no qual a Everis deposita grande confiança – não só em termos de oportunidades comerciais, mas inclusive em termos de cultura empresarial.

António Brandão de Vasconcelos diz mesmo que esta ligação com as startups é mesmo um dos caminhos que deve ser explorado pelas grandes tecnológicas para manterem-se competitivas neste mercado em constante transformação.

 

Ntech.news – Como é que surgiu a ideia do Linkup? Sentiram alguma necessidade específica para apostar neste conceito?

António Brandão de Vasconcelos – Nós estamos envolvidos neste ecossistema das startups já há muitos anos. Estivemos com a Acredita Portugal quando nasceu, ajudámos a Beta-i quando nasceu. Temos um prémio de empreendedorismo há 16 anos, que é algo absolutamente inovador. Temos esse prémio há 16 anos, é um prémio muito especial, porque é um prémio de 60 mil euros em dinheiro, coisa que normalmente os prémios não são. Este é só um cheque de 60 mil euros e já temos isto há muitos anos, portanto, é uma área da qual gostamos.

Achamos que também temos alguma responsabilidade social, digamos assim, em ajudar este sector, esta economia que está a ganhar muita força em Portugal. Temos alguma obrigação de ajudar e achamos que podemos ajudar com os nossos conhecimentos do mercado nacional e com a nossa possibilidade de ajudá-los a escalar internacionalmente, porque se correr bem cá, se alguns destes projetos correrem muito bem cá, nós vamos ter mais de 20 mil pessoas ou 80 mil pessoas lá fora a querer repetir.

Quando fala em ajuda, consegue concretizar que apoios vão ser esses?

Na minha opinião muito pessoal sobre isto, eu acho que temos gente empreendedora fantástica, com ideias fantásticas, com conhecimentos e capacidades fantásticas, mas a alguns falta-lhes um bocado a visão do que é o mercado, a necessidade do esforço comercial, como fazer uma apresentação, qual é o processo de compra do cliente. Nós sabemos isso tudo, nós fazemos isso há muitos anos. Portanto, nós sabemos isso e podemos ajudá-los nessa componente, podemos ajudá-los muito nessa componente.

Por outro lado, eles também nos podem ajudar muito nesse espírito fantástico que eles têm. Podem ajudar a nossa gente a pensar um bocado fora da caixa, quando é preciso pensar fora da caixa, a abordar os problemas de outra forma e encontrar soluções diferentes. É uma situação win-win.

Para as tecnológicas que já têm muitos anos de mercado este é um dos caminhos a seguir, beber da juventude que as startups estão a gerar?

É. Nós fomos uma startup, nascemos como uma startup, com um modelo diferente, com seed capital, com venture capital e com um exit que fizemos há três anos. Para todos os efeitos nós fizemos isso. Temos 20 anos.

Em termos de ajudas, está em cima da mesa a possibilidade de investirem diretamente nas startups?

Não. Nós não queremos, à semelhança do prémio da fundação, não queremos utilizar isso para de alguma forma condicionar ou tentar ter posição [nas startups]. Aqui também não temos. O nosso objetivo não é, de todo, ganhar equity, não é de todo investir, ou ver quais são as melhores para investirmos. Não de todo.

Temos três objetivos claros: gerar negócio para os dois lados;  ajudá-los internacionalmente, ajudando a nós próprios também, porque se isto correr bem internacionalmente para eles é porque está a correr bem para nós e é porque estamos a trabalhar em conjunto; e trazer o espírito para fora e o espírito para dentro. Só isto.

Queria perceber aqui a tipologia das startups selecionadas. Há áreas específicas do vosso interesse?

Este processo foi muito interessante, porque nós não fizemos nenhuma call, fizemos ao contrário. Olhámos para as 300 startups que detetámos, fomos a diversas incubadoras em Portugal, fizemos perguntas. Das 300 escolhemos 90, não quer dizer que as outras 210 não fossem ótimas, mas é que as outras 210 possivelmente tinham ou soluções que para nós são irrelevantes – por exemplo, se fazem medicamentos a nós não nos interessa nada porque não temos nada a ver com isso -, ou se fazem produtos de consumo, também não nos interessa.

Portanto, essas deixámos de fora e detetámos cerca de 90. O que fizemos foi apresentar estas 90 startups, o que nós conseguimos sacar na internet sem os envolver, sem envolver ninguém. Detetamos estas e os responsáveis dos sectores disseram ‘ah, eu gostava de ver esta, eu gostava de falar com aquela’. Aí detetaram 50, só nessa altura é que telefonamos para as startups e dissemos ‘temos este programa assim e assim, gostávamos muito que viesse falar connosco, está interessado ou não está interessado’.

Houve para aí dez que disseram não ‘estamos interessados, estamos noutra, estamos a pensar para os Estados Unidos agora’ ou o motivo que seja, não estavam interessados.

As 39 startups que estavam interessadas em continuar vieram cá, tiveram uma reunião de uma hora com o responsável do respetivo sector em que ele fez as perguntas todas e em que deu para explicar aquilo que fazemos.

Em função disto foram escolhidas estas 17. Confesso que algumas delas foi a primeira vez que as vi. Mas foram escolhidas por sector. Às vezes penso que não é evidente porque é que podem ser interessantes para nós, mas podem ser interessantes porque aquela solução que foi apresentada pode ser replicada noutro ambiente e com outro objetivo e não aquele em que foi explicado.

Tendo em conta que o processo foi feito ao contrário, há startups que podem não conhecer este programa. Uma startup que tenha um projeto que encaixe no perfil da vossa empresa pode bater à vossa porta?

Pode, estamos sempre abertos e somos convidados para irmos a muitos sítios onde estão startups, ainda ontem de manhã estive Second Home. Podem sempre, estamos sempre abertos.

Qual a visão a longo prazo para esta iniciativa?

A flexibilidade com que fizemos esta edição acho que foi um grande valor acrescentado, nós não partimos aqui com um call, com um bootcamp de uma semana, com nada disso. Isto vai ser adaptado caso a caso e o plano de atividades que vai ser discutido startup a startup, vai ser adaptado a cada uma das situações: o estádio deles ao nosso estádio e ao que há para fazer para atingir os objetivos que queremos. Portanto, isto vai ser flexível e vamos aprender muito com isto, com este processo, e em função do que aprendermos, as próximas edições, que espero que haja, serão ajustadas ao que aprendermos.

Vão ajudar as startups e isso vai exigir investimento da vossa parte.

Sim, é um investimento, mas também temos vantagens. Temos a vantagem de estarmos em contacto com gente que nos pode ajudar a mexer as cabeças e isto é um valor imenso, pôr pessoas, algumas já com muitos anos de experiência, de repente a pensar de maneira diferente, a olhar para as coisas de maneira diferente. Isto é muito bom.

Tem uma segunda vantagem. Portugal é pequeno, este mundo é pequeno e a Everis ser vista e considerada como uma empresa que faz este trabalho tem um imenso valor para os candidatos que querem vir trabalhar connosco.

Vamos ser claros, temos estas vantagens também. Estamos a investir, estamos, mas continuo convencido que, não sendo as 17, haverá algumas destas startups com quem vamos fazer negócio e que vamos fazer negócios interessantes.

É como se tivessem a certeza que este programa vai ter retorno garantido.

Tem de ter, vai ter de certeza. Eu não sei se é exatamente com a solução como está, se calhar não é, se calhar a solução foi feita para o mercado A, mas aquilo pode ser aproveitado no mercado B e é só alterar algo e aí é inovador. Aí é útil e no mercado A podia ser só mais uma. Acho que sim, que vai correr bem.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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