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«Estamos a estudar a expansão do negócio através da aquisição de novas empresas»

António Coutinho, CEO da Eurotux

Publicado em 24 Março 2022 | 604 Visualizações

Eurotux, CEO António Coutinho

A faturação da Eurotux cresceu 20% em 2021. As aquisições tiveram um papel importante na evolução do negócio e este ano devem voltar a fazer parte da receita para crescer da empresa portuguesa, como revelou em entrevista ao Ntech.news António Coutinho, CEO. Nesta conversa, o responsável faz ainda uma análise ao nível de maturidade dos investimentos das empresas portuguesas em TI e destaca o tema da segurança como prioritário.

Ntech.News: Como evoluiu o negócio da Eurotux em 2021?
António Coutinho:
O grupo apresentou um crescimento robusto, que no que respeita a faturação, quer através de aquisições de empresas que pertencem agora ao universo Eurotux. Neste campo, destaque para a aquisição da Harvest Systems Support, uma empresa que permitiu reforçar não apenas a oferta no mercado britânico como enriquecer as competências do grupo a nível internacional
A Harvest Systems Support conta no seu portefólio com serviços de consultoria informática, ofertas de Project Management, Agile Project Management, Cost Management, Quality Control & Assurance, Planeamento Estratégico, Design de Infraestruturas, Conceção de Redes, oferta de soluções de Segurança de Redes, entre outros.

Em termos de faturação quanto cresceram e como compara esse valor com o do ano anterior?
A.C.:
O grupo Eurotux faturou perto de 6 milhões de euros, o que representa um aumento de 20% face ao ano de 2020.

Qual a área ou áreas de negócio responsáveis pela maior fatia da faturação? Porquê?
A.C.:
Todas as áreas em que a Eurotux opera apresentaram crescimento, mas destaco neste campo os sistemas, a área de serviços técnicos e de devops. A razão para este crescimento tem que ver com a afirmação da empresa no mercado e com a crescente confiança dos nossos clientes. Note-se ainda que, numa altura de escassez de recursos humanos e de um reconhecido desafio no que concerne à angariação e manutenção de talentos, a Eurotux consegue ter uma equipa sólida e estável. Considero que esta capacidade de retenção de talento é um dos fatores de sucesso nos últimos anos.

Que percentagem do negócio veio no ano passado de novos clientes?
A.C.:
No que se refere a New Business, a Eurotux teve naturalmente novos clientes em 2021, mas o que nos caracteriza é o relacionamento estável com os nossos clientes. A maior parte do nosso negócio vem da base de clientes que temos e a nossa estratégia passa por fazermos crescer o negócio com esses clientes, apresentando soluções que respondem de forma assertiva às necessidades destas empresas. Ainda assim, no ano passado, ganhámos alguns projetos e clientes internacionais.

Que reforços é que fizeram ao nível do portefólio e das equipas no ano passado? De que forma estes sustentaram a estratégia de 2021 e criam bases para novas evoluções durante 2022?
A.C.:
Em 2021, e já a pensar nas necessidades do mercado em 2022, a Eurotux reforçou o portefólio de segurança e as soluções de Devops. Fizemos crescer a equipa com 10 novos colaboradores para áreas de Devops, soluções de segurança e serviços técnicos, assim como para administração de sistemas.

E em termos de negócio internacional, como foi a evolução e que desenvolvimentos são esperados em 2022?
A.C.:
Foi determinante a aquisição da Harvest Systems Support no último trimestre de 2021, que nos permite reforçar a oferta internacional e as competências a nível nacional. A esta aquisição soma-se o reforço do investimento em Moçambique.
Para 2022, estamos a estudar a possibilidade de expansão do negócio através da aquisição de novas empresas, nomeadamente no mercado do Reino Unido, uma estratégia que nos permitirá reforçar a posição e da qual daremos notícias assim que haja novidades.

Considera que as empresas portuguesas estão na “crista da onda” da digitalização/transformação digital? Ou ainda há muito caminho para percorrer?
A.C.:
Em Portugal verificamos um cenário misto. Vejo empresas que apresentam uma boa progressão, mas no geral existe ainda um longo caminho a percorrer para atingirem a maturidade necessária para chegar a bom porto. Em muitas organizações, nomeadamente em PMEs, existe ainda a ideia de que a informática e as tecnologias no geral são uma área de suporte, de helpdesk. Esta ideia traduz-se na inexistência de uma equipa de TI consistente interna ou de subcontratação de competências neste campo. Esta realidade tem um preço, quando há incidentes e não existe a resposta que se exige. Vejo empresas com negócios de milhões que são totalmente dependentes de plataformas informáticas, mas que olham para essas plataformas como um custo associado, e não como o verdadeiro enabler de negócio. Em muitos casos, o negócio é totalmente potenciado por estas plataformas informáticas…

Na sua opinião, quais são desafios mais importantes que o mercado e as empresas enfrentam em 2022?
A.C.:
Considero que o maior desafio é a forma como conseguimos lidar com a escassez de recursos humanos e a dificuldade de angariar e manter talento – um cenário que tem tendência a agravar-se.
Outro desafio é o aumento exponencial dos ataques de segurança. A falta de preparação das empresas é óbvia, como vimos recentemente. A este dado junte-se o argumento da situação internacional, onde a pirataria acompanha a guerra no terreno e onde as empresas acabam por ser danos colaterais de uma “ciberguerra”.

Que áreas serão grandes geradoras de negócio durante este ano? A segurança?
A.C.:
Em 2022, esperamos que exista um crescimento considerável nas áreas de segurança, Devops e soluções cloud.

Com os olhos portos no atual cenário tecnológico nas várias organizações, que caminhos de investimento e que recomendações apontaria aos gestores nacionais?
A.C.:
No meu entender, devem investir na maturidade dos sistemas de informação das suas organizações e recorrer a soluções profissionais de segurança e de administração de sistemas, precisamente para se protegerem e para se prepararem para os desafios já mencionados.
Além disso, considero importante reduzirem a dependência de recursos humanos em específico. A ideia de que uma pessoa pode tratar de todas as questões de informática e sistemas – “one man show”, no essencial – traduz-se em perigos reais… e se a empresa perde esse recurso onde centralizou todo o conhecimento, toda a estratégia, todas as soluções?


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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