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IA, prémios, música e mensagens de otimismo encerram Web Summit

Publicado em 10 Novembro 2017 por Ntech.news - Cristina A. Ferreira | 300 Visualizações

No último dia da Web Summit, que terminou esta quinta-feira, passaram por Lisboa vários nomes de referência em diferentes áreas. O dia começou com Werner Vogels, CTO da Amazon, a defender que a voz será cada vez mais o interface entre humanos e máquinas. Nos últimos anos a tendência cresceu exponencialmente, graças ao desenvolvimento das tecnologias de linguagem natural.

No futuro ganhará ainda mais destaque e a Amazon tem investido em força neste domínio, com a plataforma Alexa, que o responsável mostrou a funcionar, sem deixar de sublinhar todo o potencial de evolução que ali reside. Pelas mãos da Amazon ou de terceiros, já que é uma plataforma aberta e como tal pode ser adaptada a vários fins.

Numa apresentação rápida e sem o brilho que outras trouxeram ao evento, Vogels acabaria por deixar uma previsão importante para um futuro que se adivinha próximo: “as interfaces de linguagem natural vão revolucionar completamente as nossas vidas e não apenas os sistemas digitais”.

Ao mesmo palco subiu esta quarta-feira Matt Brittin, responsável da Google na Europa, para garantir o empenho da empresa em cumprir as regras de cada região do globo onde atua e defender os direitos dos consumidores. Como não poderia deixar de ser, também veio defender a Google e respondeu sem rodeios às provocações do jornalista que o entrevistou no palco principal do evento, sobre as tentativas da empresa para monopolizar o mercado com os seus serviços.

Recordou que “o Android trouxe escolha e concorrência ao mercado dos telemóveis como nenhum outro” sistema operativo móvel. Sublinhou que a esmagadora maioria dos empregos hoje gerados pelas plataformas móveis estão relacionados com o Android e que quem desenvolve aplicações para a plataforma, tem um mercado potencial de 3,5 mil milhões de clientes.

Recados para reguladores e empreendedores…..

Sobre o favorecimento dos serviços Google nos equipamentos com Android, Matt Brittin ainda frisou que mudar de browser num telefone com Android não leva mais de 30 segundos e qualquer um consegue fazê-lo, desvalorizando as queixas da concorrência, que dão suporte a um dos processos de investigação da Comissão Europeia contra a empresa.

E lembrou que a inovação e a tecnologia não param e as empresas têm de seguir ao mesmo ritmo, se querem continuar a agradar aos clientes. Uma mensagem que pode ser entendida como um recado aos tempos lentos da regulação e à incapacidade dos reguladores para compreenderem as mudanças que essa inovação trouxe à organização do mercado.

Brittin acabou por deixar uma mensagem de otimismo aos empreendedores portugueses e do resto do mundo presentes no evento, considerando que este “é um tempo fantástico para ser empreendedor” e que as boas ideias encontrarão sempre apoio para seguir em frente. “Pode não ser tão fácil como se estivessem sentados num café em Palo Alto mas vai acontecer”, sublinhou.  A mensagem repetiu-se aliás por várias intervenções e por vários espaços do evento.

Num dia que também teve espaço para ouvir os responsáveis de várias startups portuguesas de crescimento rápido, a falar sobre isso mesmo, Nuno Sebastião, fundador da Feedzai, concordava que “o mundo nunca foi tão democrático” para quem procura uma oportunidade de vencer e deixou o exemplo da startup que ajudou a criar. Sem quaisquer recursos próprios a Feedzai já captou vários milhões de euros.

O segredo: determinação e obsessão, garantiu, uma receita que pode servir para a vencedora do concurso de startups da edição deste ano do evento. Ganhou a Lifeina, que entre centenas de candidatas foi dando nas vistas com o seu mini-frigorífico e acabou por levar para casa os 50 mil euros a concurso e a projeção de pisar o palco principal de um evento tão mediático como a Web Summit.

Música, moda, histórias de vida e uma mensagem pelo ambiente…

O DJ Martin Garrix, a modelo Sara Sampaio ou a transexual Caitlyn Jenner foram outros nomes a animar o último dia da Web Summit e a confirmar que no evento não se fala só de tecnologia, uma ideia que também se confirmou pela presença de Al Gore, a quem coube a última apresentação.

O antigo vice-presidente norte-americano, autor do documentário uma Verdade Inconveniente, veio a Lisboa recrutar os participantes no evento para a causa que tem abraçado nos últimos anos: mudar a relação entre Homem e meio ambiente, para salvar o planeta.

Numa intervenção poderosa e muito aplaudida – ainda assim nem tanto como a do presidente Marcelo Rebelo de Sousa a quem coube encerrar o evento – Al Gore sublinhou o papel da tecnologia e dos empreendedores, na mudança que tem de acontecer para garantirmos a sustentabilidade do planeta.

Traçou um cenário pouco simpático da realidade atual, mas deixou uma mensagem de esperança e destacou o papel de todos os que hoje trabalham em novas soluções e novas tecnologias para alcançar esse objetivo.

“Acredito numa revolução sustentável tão grande como a revolução industrial e tão rápida como a revolução digital. E já está a acontecer”, defendeu. A eficiência energética, os carros elétricos ou os sistemas solares foram exemplos que apontou de avanços na direção correta, mas também lembrou que é preciso fazer mais e que “estamos no momento da verdade”. Marcelo Rebelo de Sousa encerrou o palco e marcou novo encontro para 2018, deixando votos para que seja possível fazê-lo também nos anos seguintes.

 

 


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