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Individualismo e personalização redefinem o business intelligence em modo de self-service

Manuel del Pino, gestor de pré-vendas da Information Builders Ibérica

Publicado em 12 Dezembro 2016 | 506 Visualizações

Recentemente, a Gartner previu que para 2017 a maioria dos utilizadores empresariais, para além dos analistas, terão acesso a ferramentas de business intelligence (BI) em modo self-service, com o objetivo de poder preparar os dados e realizar análises de informação com garantias. Mas como alcançaremos esta fase de amadurecimento?

Nos anos oitenta, a hierarquia era totalmente piramidal e as decisões recaíam única e exclusivamente nos altos executivos. Eram momentos nos quais os quadros de direção decidiam, de maneira exclusiva, quais os objetivos que tinham de ser alcançados e como fazê-lo. A partir desse nível, o plano de atuação ia sendo transferido para os diferentes comandos intermédios e raramente chegava ao empregado operativo. Nos anos 90, este modelo organizativo tendeu para uma maior desfragmentação. Conforme foram aparecendo os primeiros dashboards empresariais, os diferentes departamentos compreendidos em cada organização ganharam em independência e começaram a criar os seus próprios relatórios de dados, o que gerou uma tremenda amálgama de informação imprecisa e desestruturada.

 A Internet irrompeu em meados dos anos 90 e as empresas esforçaram-se para melhorar os seus sistemas de comunicações. Esta realidade possibilitou que a monitorização de dados empresariais desse os seus primeiros passos através dos incipientes `data warehouses´ e que se começasse a exigir certa análise da informação, inclusive em tempo real, o que alterou progressivamente a forma com que cotejamos e analisamos os dados.

 Sob a horizontalidade atual

Hoje em dia, as empresas trabalham sob um organograma muito mais horizontal. Os administradores intermédios perderam destaque e as hierarquias tradicionais evoluíram para o que atualmente se conhece como tomadores de decisões, ou seja, responsáveis de departamentos que apoiam as organizações. As estruturas encontram-se, por assim dizer, mais fragmentadas, o que nos está a obrigar, aos fornecedores tecnológicos, a redefinir o business intelligence e a apostar num modelo de self-service.

À margem das mudanças hierárquicas produzidas nas empresas, outro fator modificou significativamente a forma com que gerimos, manipulamos e utilizamos os dados empresariais. Agora, a analítica da informação está marcada indiscutivelmente pelo individualismo e a personalização. As cúpulas diretivas reconhecem mais do que nunca que cada indivíduo é único e que deve ser assim tratado no seu ambiente laboral. Esta nova forma de pensamento provém das teorias analíticas sobre o comportamento do consumidor, que a cada dia exige um maior grau de personalização. Basta-nos recordar da campanha da Coca-Cola sobre os nomes nas garrafas ou latas, ou até aqueles sites onde se pode adicionar fotos pessoais para enviar cartões de felicitações e, definitivamente, todo o universo do marketing que procura que as suas campanhas se adaptem o mais que possível às preferências pessoais dos clientes. O “i” (eu, em inglês) dos produtos Apple reflete essa mentalidade do “eu, eu e eu”.

A utilização dos dados empresariais está agora condicionada por essa necessidade de personalização e individualismo, o que está a gerar o advento de uma nova geração de trabalhadores que precisam de usar a inteligência empresarial para satisfazer as suas próprias necessidades. Outros fenómenos como o BYOD (`Bring your own device´) estão a obrigar as organizações a colocarem nas mãos dos seus empregados ferramentas de self-service como as info apps, que de maneira interativa, ágil e fácil, oferecem respostas rápidas a questões específicas ou problemas comuns que surgem nas empresas. Cada vez mais empresas estão a apostar neste tipo de apps como ferramentas para expandir a utilização do business intelligence para além da sua audiência convencional, formada por administradores e analistas. Agora, como indivíduos, podemos contar com os dados na forma que queremos, no formato que queremos e no momento e local que queremos. Os profissionais que trabalham em contacto direto com o cliente têm hoje a possibilidade de aceder a informações muito mais precisas e atualizadas, para tomar melhores decisões em tempo real. E as empresas que não consigam evoluir a par da sociedade têm os dias contados.

 

 


Publicado em:

Opinião

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