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Indústria espera mais ataques informáticos a fábricas inteligentes 

Publicado em 22 Agosto 2022 | 263 Visualizações

Mais de metade das empresas do sector industrial (53%) acredita que o número de ciberataques a fábricas inteligentes vai aumentar nos próximos 12 meses. A perspetiva é partilhada tanto por empresas da indústria pesada (60%), como por farmacêuticas e empresas das ciências da vida. 

Quase a mesma percentagem de empresas (51%) acreditam que os ciberataques às fábricas inteligentes são sobretudo provenientes das redes de parceiros e fornecedores e mais de um terço reconhece que os riscos de cibersegurança têm aumentado desde 2019:

28% das organizações inquiridas registaram um aumento de 20% no volume de colaboradores ou fornecedores a usarem dispositivos infetados, para instalar e reparar as máquinas das fábricas inteligentes.

Ainda assim, são poucas as empresas com práticas consolidadas nos principais pilares da cibersegurança, conclui o estudo Smart & Secure: Why smart factories need to prioritize cybersecurity, da Capgemini. Apenas metade das empresas (51%) desenvolvem práticas de cibersegurança nas suas fábricas inteligentes por defeito. Ao contrário do que acontece com as plataformas TI, nem todas empresas conseguem rastrear todas as máquinas de uma fábrica inteligente enquanto estas estão a funcionar, exemplifica a consultora.

A pesquisa revela que as empresas estão conscientes de que a conectividade das fábricas inteligentes aumenta exponencialmente o risco de ciberataques na era da Indústria 4.0, porque têm mais áreas suscetíveis a ataques, um número crescente de dispositivos de tecnologia operacional (OT) e de Internet Industrial das Coisas (IIOT).

Ainda assim, o tema continua a não estar entre as principais preocupações das administrações das empresas, é influenciado por fatores humanos e mantém orçamentos reduzidos, aspetos que se assumem como os três principais desafios que se impõe aos fabricantes nesta área. 

No que se refere aos fatores humanos, a pesquisa mostra que estes continuam a ter mais peso que a tecnologia em matéria de cibersegurança. Poucas organizações reconhecem que as suas equipas de cibersegurança têm os conhecimentos e as competências necessários para realizarem reparações urgentes relacionadas com a segurança, sem precisarem de apoio externo. 

Uma das razões para que assim seja está na falta de um responsável pela área de cibersegurança, que lidere o programa de upskilling necessário. Junta-se a escassez de talento, nomeada por 57% das empresas inquiridas, ou a falta de colaboração entre os administradores das fábricas inteligentes e os Chief Security Officers, que dificulta a capacidade de detetar precocemente eventuais ataques. 

Seis passos para montar uma estratégia de cibersegurança

No mesmo estudo, a Capgemini propõe ainda uma abordagem em seis passos para as fábricas inteligentes desenvolverem uma estratégia robusta de cibersegurança. Segundo estes passos a empresa deve começar por realizar uma avaliação inicial da Cibersegurança, sensibilizar toda a organização para as ciberameaças nas fábricas inteligentes e Identificar a propriedade dos riscos relacionados com os ciberataques nas fábricas inteligentes. 

Depois disso, deve estabelecer metas para a cibersegurança nas fábricas inteligentes, criar práticas de cibersegurança à medida das fábricas inteligentes e estabelecer uma estrutura de governação e uma política de comunicação.

No estudo da Capgemini foram inquiridas 950 empresas, entre outubro e novembro de 2021, das indústrias pesada, farmacêutica, ciências da vida, produtos químicos, tecnologia, produtos de consumo, automóvel, aeroespacial e defesa.

«Os benefícios da transformação digital fazem com que os fabricantes queiram investir fortemente nas fábricas inteligentes, mas estes esforços podem ser destruídos muito rapidamente se a cibersegurança não for uma das principais prioridades a ser considerada desde o início», defende Geert van der Linden, Cybersecurity Business Lead da Capgemini 

«A menos que a cibersegurança se transforme numa prioridade das administrações das empresas dificilmente o setor industrial poderá superar os desafios nesta área, educar os seus colaboradores e fornecedores, e simplificar a comunicação entre equipas de cibersegurança e líderes de negócio», acrescenta o responsável.


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