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Inteligência Artificial centra atenções na Web Summit

Publicado em 8 Novembro 2017 por Ntech.news Claudia Sargento e Luisa Dâmaso | 311 Visualizações

O primeiro dia da Web Summit ficou marcado pelos avanços no campo da inteligência artificial e pela sua materialização nos robots Sophia. Esta não é a primeira vez que Sophia visita Portugal. Pela segunda vez na Web Summit, esta robot humanoide voltou mais perfeita, e será assim a cada ano que passa. No próximo ano Ben Goertzel, responsável da Hanson Robotics, garante que voltará melhor, com um corpo próprio e maiores capacidades de entendimento, de interação e de aprendizagem de linguagem.

Sophia não é um robot qualquer. Materializa o imaginário de muitos. Foi o primeiro robot a receber cidadania de um país e embora tenha sido a Arabia Saudita a dar esse passo, Goertzel garante que é um passo importante, que para além de revelar uma abertura cultural deste país a estas novas tecnologias, permite que outros países pensem num tema que ainda não é consensual e que sobretudo tem ainda uma quota parte de desconhecido que assusta ou abala as crenças de muitos povos.

No entanto «há mais benefícios a somar do que receios a temer», garante Ben Goertzel. De acordo com este responsável a inteligência artificial não é algo novo, que tenha surgido de um dia para a noite. É antes o resultado de avanços progressivos sustentados por catalisadores de inovação como são o hardware, as comunicações colaborativas ou a informação.

O potencial da tecnologia é grande, assim como é grande o que se pode fazer para ajudar o mundo a evoluir de forma positiva e descentralizada. Sophia irá por isso evoluir ao ritmo dos avanços que forem sendo alcançados no desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), uma área que está em franco crescimento e que poderá ter um grande impulso se o novo projeto da Hanson Robotis for bem recebido pelos programadores de todo o mundo.

A partir de 29 de Novembro avança a SingularityNet, uma plataforma de  IA-as-a-service que reunirá num mesmo local todas as aplicações de inteligência artificial que hoje estão espalhadas por uma diversidades de áreas e setores, potenciando o desenvolvimento de sinergias e inovações, do software OpenCog, dos sistemas de IA, interligando todos estes componentes numa numa esécie de rede de blockchain global, na qual a inteligência será maior, quanto maior o número de programadores e especialistas envolvidos e motivados para acrescentar valor. Segundo Ben Goertzel, «será a forma mais positiva da inteligência artificial se desenvolver com o contributo de todos».

No palco da Web Summit Sophia teve a companhia de outro robot, o Professor Einstein, e juntos falaram divertidos sobre as suas capacidades muito próximas das humanas e discutiram o que significa, afinal de contas, ser humano. Sophia aproveitou para lembrar que «os robots não fazem mal» aos humanos, mas que, muito provavelmente lhes vão «roubar os empregos», disse em tom de desafio.

Já o professor Einstein acredita que os robots terão capacidade para absorver os valores dos seres humanos mas lembrou que o problema poderá estar exatamente aqui: «Será talvez mais difícil assegurar depois uma sã convivência entre humanos e robots», disse o professor.

Mais e melhor concorrência

No palco da Altice Arena, oportunidade ainda para ouvir a Comissária Europeia Margrethe Vestager falar de competitividade e da necessidade de se assumir uma concorrência mais saudável entre as empresas europeias.

A comissária acredita que «é preciso reforçar a competitividade» já que é ela «que faz a inovação trabalhar». Mas isso não quer, necessariamente dizer que as empresas maiores «devem dominar as mais pequenas». Vestager acredita que a concorrência se deve exercer «pelo valor do produto e/ou serviço que cada empresa disponibiliza».

A Comissária Europeia lembrou ainda a necessidade de serem os próprios Governos a promover a competitividade em vez de a limitarem: «Quando dão tratamento especial a certas empresas, facilitando no pagamento de impostos, e não dão a outras, a competitividade fica em causa. Todos devem pagar o mesmo e de uma forma justa.»

Margrethe Vestager terminou recordando o gap de confiança que ainda existe entre consumidores e empresas. «É necessário diminuir esse gap e fomentar o negócio e, também aqui, o novo RGPD vai ser uma ajuda muito importante».

Num registo completamente diferente, o famoso médico norte-americano Dr. Oz veio à Web Summit falar das vantagens que a tecnologia pode trazer à saúde.

Diz o médico que «com as tecnologias que hoje estão disponíveis, a nossa espécie consegue controlar a saúde de um forma nunca antes possível». Oz recorda que, apesar da imensa informação disponível e das várias ferramentas tecnológicas, «as pessoas não mudam com base naquilo que sabem mas antes naquilo que sentem e todos quantos criam plataformas para a saúde devem estar atentos a isso mesmo».

Uma viagem até à cloud

Em meio a um cenário mais tecnológico, a nuvem dominou a conversa com Mark Hurd, presidente da Oracle que veio a Lisboa falar das vantagens deste tipo de tecnologia e garantir que a cloud da multinacional norte-americana – assim como esta tecnologia no geral – «é segura e recomenda-se».

De resto, estas são plataformas permanentemente actualizadas, «ao contrário do que acontece  nos modelos tradicionais em que os pacthes demoram, em média, seis meses a ser implementados».

Hurd lembrou que a Oracle tem apostado fortemente nesta área cuja a procura é crescente: «Só no último ano, 60% dos centros de dados corporate deixaram de existir, dando lugar a centros na cloud».

De resto, a inovação faz parte «do DNA da Oracle» e é algo que Mark Hurd considera «um estado de espírito». O presidente da Oracle lembrou que este exemplo chega do topo: «Larry Ellison recorda-me constantemente a necessidade de “imaginar como serão as coisas dentro de 10 anos e trabalhar para responder já a esses desafios”».

Questionado sobre o que poderia ser o 11 de Setembro dos dados, Mark Hurd considera que são várias as hipóteses em aberto e lembrou que «os cibercriminosos estão atentos e tiram partido de todo o tipo e vulnerabilidades».


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Atualidade

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