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Investidores estão mais cautelosos mas não vai faltar dinheiro a bons projetos

Publicado em 9 Novembro 2016 | 426 Visualizações

Os debates sobre investimento em startups na Web Summit deixam no ar a ideia de que os investidores se tornaram mais cautelosos, mas também mostram que não vai faltar apoio a boas ideias. Mas o que é afinal preciso para ter uma?

A forte presença de startups e investidores norte-americanos na primeira edição da Web Summit em Portugal vinca a perspetiva de quem está naquele mercado. Se por um lado deixa perceber que os business angels e fundos de investimento procuram hoje garantias mais sólidas para investir, do que a hipótese vaga de estar perante um Unicórnio, também admite a possibilidade de no último ano a dinâmica de investimento em novos projetos ser um reflexo do período pré-eleitoral que o país viveu, como vários oradores acabaram por referir.

Seja como for é consensual que hoje há mais dinheiro para investir em startups, o tipo de entidades que investem multiplicou-se e o que procuram foi afinado, entre o capital que procura lucros num período relativamente curto e os investidores de mais longo prazo.

Até que se perceba se está de facto a instalar-se uma nova forma de olhar para as startups e para o valor que podem criar, no entanto, há um conjunto de máximas que se mantém e que, dizem os entendidos, vão continuar inalteradas.

Os caminhos para o insucesso de um projeto, por exemplo, são tão simples de enumerar que até parecem fáceis de evitar. Dave McClure fundador do acelerador / capital de risco 500 Startups, explicou que os projetos que não vingam normalmente «criaram o produto errado, para o cliente errado, na altura errada».

Quem já criou um projeto e teve sucesso admite que um dos aspetos fundamentais para não cair em nenhum dos erros é manter o foco. Definir um caminho e segui-lo, sem cair na tentação de tentar fazer tudo, como sublinhou Holly Liu, uma das fundadoras da Kabam, uma empresa de jogos interativos que nasceu em 2006 e hoje tem uma faturação de mais de 360 milhões de dólares, enquanto participava num debate sobre as maiores dificuldades na angariação de capital é uma das regras de ouro.

A empreendedora também aconselha quem está a começar a amadurecer o projeto o mais possível antes de o levar a investidores. Nos casos em que se aplica, acredita que criar um protótipo é uma boa prática e um caminho para mostrar exatamente o que se pretende com determinado produto ou serviço.

 

O que é preciso ter para seduzir os investidores?

Um dos ingredientes mais importantes será precisamente não gerir o negócio para agradar aos investidores, mas para satisfazer os clientes, pagar salários aos empregados e, idealmente, fazê-los estar de corpo e alma no projeto.

Isso mesmo sublinhou Qasar Younis, COO do Ycombinator, um dos aceleradores mais populares do mundo e ele próprio empreendedor, com um portefólio de projetos criados que inclui a Talkbin, vendida à Google, enquanto falava num painel que juntou à mesma mesa uma responsável da Intel Capital e Josh Elman, hoje partner da capital de risco Greylock, mas que esteve ligado ao arranque de projetos como o LinkedIN, o Twitter ou o Facebook.

Todos exemplos de que escalar um negócio em todos os sentidos é um desafio complexo. Qualquer uma das três empresas angariou milhões de clientes rapidamente e precisou de muito mais tempo para chegar aos lucros ou demonstrar rentabilidade, como sublinhou na sua intervenção.

Mas se muitos dos investidores que têm passado pelos palcos da Web Summit concordam que as startups não devem ter como prioridade agradar a quem tem capital, o que é facto é que quando o momento chega, os investidores valorizam um conjunto de aspetos.

Dave McClure da 500 Startups admite que perceber se um projeto tem a possibilidade de se transformar num grande negócio é um dos seus critérios de análise antes de investir, mas que tão ou mais importante do que isso é «perceber se tem condições para lá chegar sem estragar tudo».

Os investidores estão em sintonia no que se refere àquele que é um dos grandes desafios das startups: escalar o negócio com sucesso. Também são unânimes quando defendem que ter uma equipa boa e coesa é fundamental, assim como capacidade para a gerir numa fase de crescimento. «Num empreendedor procuro uma pessoa com alguma dose de loucura mas não completamente louca”, destacou Dave McClure.


Publicado em:

Startups

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