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Lenovo investe em Inteligência Artificial

Publicado em 22 Junho 2017 por Ana Rita Guerra, em Nova Iorque | 337 Visualizações

Data centers, inteligência artificial e supercomputadores estão no centro da “nova” Lenovo, que reorganizou os seus objetivos e fez várias contratações de topo para áreas críticas. No evento Lenovo Transform, que decorreu em Nova Iorque, ficou clara a intenção da empresa de se tornar numa potência no mercado de data centers, com o objetivo a curto prazo de chegar a número três. A fabricante expressou também a sua intenção de investir forte em tecnologias de inteligência artificial, tanto para melhorar os dispositivos que oferece ao mercado como para tornar as suas operações mais inteligentes.

É aqui que entra uma série de centros de inovação em inteligência artificial que a Lenovo vai abrir a partir de outubro em Morrisville (Texas), Estugarda (Alemanha) e Pequim (China). A infraestrutura é a recentemente apresentada ThinkSystem e os parceiros destes centros vão desde instituições de pesquisa, empresas tecnológicas e parceiros de ecossistema. A TensorFlow, desenvolvida pela Google, é uma das frameworks que será usada – nada surpreendente, tendo em conta os avanços tremendos que a arquitetura tem permitido na área da inteligência artificial, nomeadamente no que respeita a deep learning. Caffe2, Torch, Theano e MxNet são outras das frameworks essenciais.

Segundo o diretor de tecnologia do grupo de data center da Lenovo, Peter Hortensius, estes centros de inovação serão de acesso gratuito por parte das empresas clientes que estiverem interessadas em apostar na IA. Em causa está um investimento de “milhões” nos centros, disse um executivo à Ntech.news. “Não é barato”, limitou-se a informar o engenheiro. Para a Lenovo, é uma oportunidade de aumentar a sua experiência e conhecimento na área, ao mesmo tempo que trabalha em casos concretos; para as empresas, é acesso a especialistas e a infraestruturas de TI de ponta.

Estes investimentos estão todos interligados, embora sejam áreas diferentes. Peter Hortensius falou com convicção das ambições da Lenovo para o mercado de supercomputadores, talvez a mais espectacular de todas: a empresa quer tornar-se a número um mundial em 2020.

«A nossa herança dá-nos as ferramentas para irmos atrás do mercado de computação de alta potência», declarou o responsável, referindo-se à histórica prevalência da IBM neste sector, depois de adquirir o negócio de x86 há dois anos. Aliás, Peter Hortensius vem da big blue e até ajudou a vender o negócio de computadores à Lenovo, em 2004. Agora, boa parte da equipa x86 transitou para a IBM e quer replicar os sucessos passados da gigante norte-americana no competitivo mercado dos supercomputadores.

Aqui, a Lenovo está a introduzir novidades sonantes. Com o supercomputador MareNostrum 4, que acabou de implementar em Barcelona, a fabricante estreou uma arquitetura nova e é a primeira a usar os processadores Xeon de nova geração da Intel. Em concreto, a Lenovo desenhou um sistema que usa 3400 nós SD530, que são encaixados em grupos de quatro nos chassis D2; cada rack leva 20. «Só um destes nós é mais rápido que o primeiro supercomputador que esta equipa construiu no México há quinze anos», revelou Hortensius.

Toda esta expertise influencia os outros segmentos onde a Lenovo está a apostar – os data centers hipersescaláveis, os definidos por software, a computação ultra densa e em cluster. As tecnologias de arrefecimento num segmento podem ser usadas para benefício das outras. E em tudo isto entra a inteligência artificial. «A IA vai ser uma mudança significativa em todas as indústrias», disse Peter Hortensius. É por isso que a Lenovo quer estar na linha da frente, para não apenas assistir à revolução, mas fazer parte dela.

 


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