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«Há uma maior preocupação das empresas em ter uma visibilidade da sua liquidez – um cash flow forecast fiável»

Publicado em 13 Fevereiro 2020 por Luísa DÂmaso - Ntech.news | 5600 Visualizações

Carlos Fortes, board member da MetaCase, falou com o Ntech.news para revisitar os 15 anos da tecnológica 100% portuguesa, com espaço para destacar os pontos altos desta história e as ambições para o futuro.

De acordo com o executivo, durante o seu percurso a MateCase tem-se mantido fiel aos princípios que a fizeram nascer, mas sempre com os olhos postos no futuro e na inovação que lhe permite responder aos desafios de um mercado em permanente mudança e às reais necessidades dos clientes.

Ntech.news: Possuem mais de 15 anos de atividade. Quais os marcos que assinalaria como mais importantes para a evolução estratégica da MetaCase?

Carlos Fortes: O primeiro grande marco foi a confiança demonstrada, imediatamente após o lançamento da MetaCase, por 35 grupos e empresas, algumas multinacionais de referência mundial, que acreditaram no projeto e nos consultores fundadores. O segundo, ainda no início da nossa atividade, foi o facto de termos sido pioneiros no mercado ibérico com um serviço de ousourcing de infraestruturas para comunicação multibancária direta entre empresas e bancos. Em 2007, lançámos a primeira versão da plataforma Target One para a Gestão de Fluxos Financeiros e respetivas componentes. Em 2008 tivemos o nosso primeiro projeto internacional com um dos maiores grupos energéticos mundiais, efetuando o rollout da plataforma Target One para diversos continentes. E, ao longo dos anos, a plataforma tem sido enriquecida com inúmeras funcionalidades e componentes com retornos significativos para as empresas.

O que mudou estrategicamente e na organização nestes 15 anos?

C.F.: O foco estratégico da Metacase mantém-se em ser a referência especializada na gestão global e otimização de fluxos financeiros das organizações. A nível organizacional de quatro consultores fundadores, a MetaCase tem hoje 30 consultores altamente especializados na área foco da empresa.

Portugal é o palco preferencial do vosso negócio? Porquê?

C.F.: A MetaCase é uma empresa de capital 100% português. Pelo facto de na sua carteira de clientes existirem grupos e empresas com operações em todo o mundo, os nossos consultores deslocam-se a todas essas geografias quando necessário para prestação de serviços, enriquecendo o seu know how e acrescentando valor ao negócio do cliente.

Tem sido difícil adaptarem-se às necessidades e complexidade das organizações?

C.F.: A flexibilidade e escalabilidade sempre foram os objetivos core da MetaCase. A plataforma Target One foi concebida de forma a ser evolutiva e conseguir incorporar novas funcionalidades decorrentes dos desafios dos nossos clientes e da própria evolução do mercado.

«Sentíamos que era necessário uma abordagem mais dedicada a esta área, que envolvesse uma análise dos processos financeiros e não meramente a implementação de uma solução standard, difícil de adaptar às situações reais. »

Qual a dimensão da vossa base instalada?

C.F: Atualmente contamos com cerca de 90 referências de grupos e empresas nas mais diversas áreas de atividade, e alguns bancos.

Com a pluralidade de ofertas e de tecnologias, num mercado sem fronteiras, é difícil manter esta base instalada fiel?

C.F.: Temos clientes que estão connosco desde que o projeto foi lançado. O nosso primeiro cliente, que é uma das maiores petrolíferas mundiais, ainda hoje ao fim de 15 anos, continua na nossa carteira de clientes. Com a globalização, as fusões de grandes grupos e as deslocalizações dos centros de decisão trazem sempre associados alguns riscos de imposições de outro tipo de soluções, mesmo que isso implique perder operacionalidade e funcionalidades.

Que estratégia definem para ter um bom rácio de new business que se perpetue a cada ano?

C.F.: O nosso melhor cartão de visita são os nossos clientes. Grande parte do new business que recebemos chega à MetaCase por recomendação direta dos nossos clientes. Por outro lado, visto que estamos num nicho de mercado muito específico, apostamos também na realização em eventos na área (mais recentemente patrocinámos o CFO360 – Finance Forum) e num contacto mais direto às áreas que realmente são o nosso target (CFOs, diretores financeiros).

O que distingue a Target One  de outras soluções com as mesmas potencialidades anunciadas?

C.F.: Existem algumas soluções de tesouraria no mercado, com custos e enquadramentos diferentes do nosso. Sentíamos que era necessário uma abordagem mais dedicada a esta área, que envolvesse uma análise dos processos financeiros e não meramente a implementação de uma solução standard, difícil de adaptar às situações reais. Daí nasceu a MetaCase e a plataforma Target One. Conhecer os processos dos nossos clientes, sugerir formas de otimizar e dar uma resposta tecnológica são os nossos objetivos principais. Por outro lado, a plataforma Target One tem disponível um conjunto de funcionalidades que possibilita a implementação de processos inovadores nas organizações, principalmente a nível dos pagamentos e das cobranças, para as quais não é conhecida uma concorrência direta.

«Constatamos que, cada vez mais, há uma maior preocupação das empresas e grupos em ter uma visibilidade da sua liquidez a curto, médio e longo prazo – um cash flow forecast fiável.»

Existem requisitos básicos para a instalar numa empresa?

C.F.: Existem alguns requisitos técnicos simples que devem ser assegurados. Tirando isso, a implementação e formação é feita pelos consultores da MetaCase com o objetivo de que os utilizadores fiquem completamente autónomos para efetuar as parametrizações nas diferentes componentes.

Que tipo de organizações serão clientes preferenciais para esta solução?

C.F.: Temos clientes de diferentes dimensões que procuram na Target One otimizar diferentes áreas. Uma vez que a plataforma é composta por componentes que podem ser implementadas separadamente, as empresas e grupos muitas vezes começam por otimizar áreas mais operacionais (como as reconciliações bancárias e a comunicação com os bancos) escalando mais tarde para outras áreas mais estratégicas (como a gestão dos pagamentos, das cobranças ou das operações financeiras).

O que é que as empresas privilegiam neste tipo de software?

C.F.: O retorno obtido com a implementação de processos inovadores suportados pela plataforma Target One e a flexibilidade e agilidade que conseguem obter para responderem a necessidades específicas dos clientes, através de novas funcionalidades desenvolvidas no standard.

O ROI desta solução é facilmente percebido pelos clientes?

C.F.: Sim, aliás em alguns casos é mesmo apresentado um ROI aquando da proposta. Em termos médios, o ROI é inferior a 2 anos.

«A gestão do dinheiro é critica para o sucesso de qualquer negócio…»

Quanto vale atualmente o mercado em que atuam? É um mercado que tem valorizado?

C.F.: De acordo com um estudo da IDC o mercado das TIC iria superar os 8 mil milhões de euros em 2019, estando estimado que chegue aos 8,5 mil milhões até 2022. Constatamos que, cada vez mais, há uma maior preocupação das empresas e grupos em ter uma visibilidade da sua liquidez a curto, médio e longo prazo – um cash flow forecast fiável. A automatização de processos, a redução de custos e tempo é uma constante preocupação além da necessidade de ter maior flexibilidade, controlo e segurança em processos como os pagamentos e as cobranças.

2019 foi um ano de crescimento para a Metacase?

C.F.: Sim, não só contamos com novas referências como também desenvolvemos parcerias importantes com empresas de consultoria e de tecnologia. Em 2019 e aproveitando o nosso 15º aniversário efetuamos uma renovação da nossa imagem com um novo logótipo e presença digital, uma imagem mais jovem e fresca.

Como olham para 2020 em termos estratégicos e de negócio?

C.F.: Todos os anos são desafiantes a nível de negócio naturalmente. No ano de 2020 queremos continuar a apostar em parcerias e em dinamizar o reconhecimento da marca MetaCase.

Que recomendação deixaria a eventuais prospects?

C.F.: A gestão do dinheiro é critica para o sucesso de qualquer negócio, desta forma recomendamos revisão dos processos e adoção de boas práticas e de soluções comprovadas que levem à sua otimização e maior retorno.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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