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Micro data centers Schneider entram em ação

Publicado em 31 Maio 2016 | 1367 Visualizações

Têm micro no nome porque em muitos casos o tamanho importa. Ainda mais quando a questão da dimensão é complementada pelo poder de computação com que elevam a qualidade de serviço prestado aos clientes. De um pequeno bastidor de 24U a um conjunto de 10 bastidores na forma de smartbunkers, ou um contentor de 40 pés, os micro data centers propõe-se a marcar pontos na era do edge computing. Pedro Nobre, IT Solutions Architect, integrando a equipa Regional Application Data Center EMEA da Schneider Electric, não tem dúvidas disso e garante que a oferta da Schneider está madura e preparada para sustentar a necessidade de computação local que as organizações procuram para garantir a competitividade dos seus negócios digitais.

 

Netch.news –  O que é isto de micro data centers e o que envolve este conceito de storage?

Pedro Nobre – Não é uma coisa nova. Como em muitas outras áreas, já havia cloud antes de cloud e IoT antes de IoT. O mercado arranja novos termos e tenta desta forma refrescar conceitos já existentes. No último ano a Schneider consolidou e completou a sua oferta na área de micro data centres e criou bundles para corresponder às diferentes necessidades do mercado, uma vez que estas ofertas são personalizáveis.

 

Porquês este timing para o lançamento da oferta?

Este timing deve-se às tendências que existem no mercado, sendo uma delas o edge computing. Esta oferta conjuga-se com as tendências atuais e com o que o mercado está ele próprio a proporcionar em termos de serviços. Um exemplo é a oferta Netflix que tem a qualidade de serviço como uma das suas principais prioridades. Essa qualidade é difícil de obter, principalmente se a proveniência dos dados do streaming de vídeo estiver centralizada, devido a latência que existe nas redes. Dessa forma é necessário ter computação local, perto dos clientes e é a isso que chamamos edge computing. Esta computação local requer infraestrutura local, servidores e comunicações locais e, obviamente de um local para ser instalada. O nosso conceito dos micro data centres enquadra-se neste ponto. Não só relacionado com esses termos atuais do IoT e do IoE, mas estamos a assistir a um grande enfoque nisso. Descobriu-se uma área de negocio proveniente do IoT. Antigamente tínhamos as componentes de TI a despejarem dados para a rede, hoje temos também as tecnologias operacionais, ou seja, as infraestruturas de suporte a todo o IT. Ar condicionados, UPS, autómatos, sensores ambientais, tudo isto já tem cartas IP e começam a despejar dados para a rede.

 

Onde se enquadra esta oferta?

Os micro data centers enquadram-se no IoT, em muitas componentes e em vários tipos de mercado, como por exemplo na indústria, onde existem necessidade de computação local. Em áreas em que é necessário ter computação local combinada com um local fiável do ponto vistas ambiental onde seja possível acomodar essa infraestrutura. É aqui que entra a nossa oferta de micro data centers, nomeadamente na parte de smartbunkers, que se ajustam a ambientes mais adversos. Digamos que esta oferta resulta do aproveitar da tendência.

 

Como é que se defende comercialmente este conceito de data center de proximidade, face às ofertas da cloud?

Há serviços que podem ser providenciados, ao nível dos web engines, que não necessitam de qualidade de serviço elevada, como o envio de um mail por exemplo. Já num serviço como um Netflix é extremamente importante não haja delay, porque os clientes não se compadecem com essas falhas.

 

Onde é que está o mercado alvo para esta oferta em Portugal?

Há uma série de entidades que têm estas necessidades e optam por ter infraestruturas locais. A Netflix está em Portugal, a Google também e têm computação local para dar resposta aos pedidos dos clientes, procurando não saturar as redes interoperadores e diminuir os tempos de latência. Para além disso, mesmo ao nível de clouds privadas, as empresas na área da indústria podem ter necessidades nesta área. São exemplos a indústria petrolífera, a área hospitalar, nomeadamente hospitais que tenham unidades dispersas, ou a indústria automóvel. A necessidade da computação local, ao contrario do que se falava, não desaparece com a cloud. Essa componente é necessária quer do ponto de vista de performance e qualidade de serviço, quer do ponto de vista de segurança. Há instituições que não querem informação a passear na cloud e por essa razão tê necessidade de ter um micro data center. Neste momento na área da banca, ou em qualquer instituição que tenha sites dispersos pode fazer sentido ter pequenos micro data centers localizados e que respondam às necessidades locais de serviço, sem ter de passear essa informação pelas redes, mesmo sendo privadas.

 

Há uma combinação de contextos que são favoráveis ao desenvolvimento destas infraestruturas. Certo?

Tudo isto conjugado levou a Schneider a apresentar esta oferta. As necessidades de qualidade de serviço e computação local, a segurança, em ambientes que não são os mais ideais para as TI, e, os projetos de exportação para África.

 

Em termos de infraestrutura do que estamos a falar?

Nesta situação não estamos só a falar de data center no rack. O micro data center pode ser um contentor marítimo de 20 pés ou de 40 pés. Antes de termos esta oferta corporativa já fazíamos esta soluções locais cá em Portugal para apoiar empresas que trabalhavam em exportação e pretendiam um data center pré-fabricado que fosse fácil de transportar e ligar, ou seja sem necessidade de construções e outras parametrizações. Com esta oferta, o cliente só tem que ligar o cabo elétrico para que o data center comece a funcionar.

 

Qual é o custo beneficio desta oferta?

Se o que se pretende é um data center pequeno, sai mais barato fazê-lo já como micro data center do que estar a construí-lo de raiz, com toda a estrutura que isso envolve. Do ponto vista do time to market, um data center pré-feito de fábrica também sai mais barato.  O beneficio maior e mais otimizado desta oferta é nos projetos de exportação.  Faz toda a diferença ir já com um data center pré-fabricado e colocá-lo no local do que chegar lá e construí-lo no local, com os custos da construção e do pessoal especializado que é necessário.

 

Estes argumentos são fortes na hora de desviar os gestores da cloud?

O mercado funciona por modas. Começou pelos data centers centralizados, em que havia um ou dois grandes data centres, como era o cado da EDP, a partir dos quais se dispersava informação para vários sites dispersos. Mais tarde com a liberalização dos operadores, a ordem era para consolidar redes dispersas e departamentos. Mais recentemente, com a cloud voltou a concentrar-se tudo e agora com edge computing há uma nova vaga. Começou-se a perceber que há empresas que querem sair da cloud e que querem saber quanto custa fazer data center em casa, algumas por qualidade de serviço, outra por questões de segurança.

 

Vocês defendem um ambiente hibrido?

Sim a tendência será essa. Ter um ambiente hibrido. A não ser que aconteça uma mudança de paradigma diferente. Os data center pequenos entram neste ambiente, especialmente apoiados em contentores na componente exportação. Para Portugal assistimos também à pressão dos micro data centers, nomeadamente na área da industria e dos armazéns, que procuram ofertas tipo smart bunkers.

 

De que forma a IoT está também a dinamizar a procura destes micro data centers?

Os micro data center surgem muito associados a estas necessidades criadas pela IoT. Há uma necessidade acrescida de comunicações, de equipamentos para disponibilizar informação, de dispositivos autómatos, de quadros elétricos com endereço IP, de smart panels e tudo isso requer um “sitio” para albergar a informação.

 

Quais as configurações mínimas e máximas para estas infraestruturas?

A configuração mínima inclui um pequeno bastidor de 24Us e a máxima pode ser um conjunto de 10 bastidores na forma de smart bunkers, ou um contentor de 40 pés.

 

Qual é a oportunidade comercial deste modelo em Portugal?

O enquadramento desta oferta no mercado nacional passa muito pela componente exportação. Apesar de atualmente haver um decréscimo por causa da situação em Angola, há outros países que estão a investir neste tipo de infraestrutura, como é o caso de Cabo Verde, Moçambique, ou da Guiné Equatorial. Face a determinadas necessidades do cliente, há uma infraestrutura preparada para lhes responder com o melhor time to market.

 

Os parceiros já perceberam esta oportunidade?

A dinamização comercial desta área passa pelo canal de distribuição normal. O pequeno revendedor passa a ter um bundle completo, com um único part number, com o qual pode endereçar as necessidades de cada cliente e acrescentar valor com as suas próprias ofertas de negócio.

 

Contam aumentar o canal com esta nova oferta?

Não quer dizer que vamos ter novos parceiros, mas é um caminho que aponta nesse sentido. Para já vai existir uma consolidação da rede de parceiros Schneider, uma vez que esta oferta de micro data centres cabe tanto nos portefólios dos parceiros de IT business como nos dos parceiros da área elétrica.

 

Esta área de micro data centres poderá superar a de data center tradicionais, em matéria de volume de negócio?

Não, acho que não. Porque temos em curso projetos avaliados em mais de dois milhões de euros. Teríamos de vender muitos micro data center. Em termos de número bruto não vai acontecer. Mesmo um data center médio em Portugal em relação ao micro data center a escala de preço pode ir de um para 10. O ano passado foi o nosso melhor ano de sempre ao nível de data centres, porque a virtualização não enfraqueceu esta área. A virtualização criou o problema de como gerir pontos quentes. Os custos baixam, mas a densidade térmica aumenta, exigindo novas técnicas de refrigeração, e dinamizando outras áreas de oferta em que a Schneider está presente.

 


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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