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Missão: abrir a banca a novos conceitos de negócio

Max von Bismark, Deposit Solutions

Publicado em 11 Setembro 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 165 Visualizações

Anunciou a entrada em Portugal no início do ano e garante que o país é uma peça importante na estratégia pan-europeia de expansão. A Deposit Solutions é especialistas em Open Banking e criou uma plataforma que permite aos bancos tradicionais alargarem o seu portefólio de clientes e diversificar a oferta.

Max von Bismark, Chief Business Officer e Managing Director da empresa falou com o Ntech.News e explicou a estratégia de expansão desta fintech, num momento crucial da vida da empresa.

A plataforma da Deposit Solutions está direcionada para depósitos bancários, um mercado que a nível global valerá cerca de 50 mil milhões de dólares. Na prática, permite aos bancos que procuram financiamento no mercado de retalho, através de produtos como os depósitos, fazerem chegar as suas ofertas a clientes de outros bancos, através da plataforma da Deposit, sem investimento próprio.

A empresa acaba de concluir uma ronda de financiamento que levou novos acionistas para a companhia e capital para financiar a estratégia de expansão internacional. A operação foi liderada pela Private Equity Vitrivian Partners e fez aumentar o valor da empresa para os 500 milhões de dólares.

A Deposit Solutions já mediou mais de 9 mil milhões de euros em operações de depósitos, através da sua plataforma B2B. O modelo de negócio da Deposit passa ainda pela exploração de duas marcas próprias (Zinspilot e Savedo) que comercializam um seleção de produtos de depósito de bancos parceiros.

 

Ntech.News: A Deposit Solutions fechou recentemente uma nova ronda de financiamento. Como vai este dinheiro ser aplicado e de que forma pode antecipar metas e objetivos na vossa estratégia de crescimento?

Max von Bismark: Queremos usar estes novos fundos para financiar a nossa expansão internacional. Identificamos um grande potencial de crescimento, sobretudo em mercados como Espanha, França e Itália. Até agora, operamos os nossos canais proprietários na Alemanha, Áustria e Holanda, mas os nossos projetos para entrar na Suíça e no Reino Unido seguem a toda a velocidade e serão lançados em breve.
Vamos também crescer no número de bancos parceiros, que usam a nossa plataforma de Open Banking para permitir aos clientes acederem a uma oferta atraente de depósitos de terceiros.

 

No que se refere à operação em Portugal, o financiamento que acabam de garantir terá algum impacto na estratégia?

M. B.: A nossa estratégia para Portugal passa pelo objetivo de nos afirmarmos como uma alternativa de financiamento para a banca local. O forte conhecimento da indústria e poder financeiro do nosso novo investidor vão permitir-nos acelerar. Especificamente no que se refere a Portugal, isso significa que todos os bancos portugueses à procura de financiamento através de depósitos vão ter uma escolha ainda maior de mercados e moedas para oferecer os seus produtos.

 

Como tem corrido o negócio por cá? No início do ano foi divulgada a parceria com o BIG. Que balanço faz? Há mais novidades locais em termos de parcerias?

M. B.: A nossa missão tem sido fazer do Open Banking um standard de mercado para os depósitos em toda a Europa, O mercado português é uma parte importante da nossa estratégia de expansão pan-europeia e estamos encantados por contar já com um banco tão inovador como o Banco BIG na nossa plataforma. Para além disso, mantemos parcerias com outros bancos portugueses de renome, através da nossa marca Savedo.
Temos trabalhado para expandir estas parcerias e acredito que teremos novidades sobre o tema nos próximos meses, quer no que se refere às parcerias, quer também relativamente a nomes que se tenham juntado à nossa plataforma.4

 

Em termos mais gerais, como olha para o mercado português no que se refere à oferta e desenvolvimento de soluções e serviços bancários inovadores? Temos alguns projetos interessantes, mas é um sector que está a andar depressa na Europa…como lhe parece que estamos por cá?

M.B.: Portugal tem sido muito dinâmico na área da tecnologia e em concreto na área das fintech. Novos players estão a entrar no mercado e daí tem resultado uma dinâmica mais forte entre os diversos atores, em termos de partilha de conhecimento, networking e lobbying.
Quando falamos de banca, olhamos para Portugal como uma mistura de bancos tradicionais e projetos marcadamente inovadores, que resultam num ecossistema interessante. Vemos oportunidades interessantes nos dois lados da equação. Acreditamos que podemos trabalhar com os projetos mais disruptivos dando-lhes escala e os com os projetos mais tradicionais, aplicando o conceito de Open Banking e ajudando-os a estreitar relações com os seus clientes atuais.

 

Na lista de parceiros que têm no vosso site não predominam grandes nomes da banca tradicional. Diria que estes bancos ainda são muito conservadores relativamente ao conceito de open banking? Porquê e em que condições isso pode/vai mudar (se é que vai mudar)?

M.B.: Neste momento a Deposit Solutions liga mais de 70 bancos de 16 países países europeus, onde se incluem nomes bem conhecidos do mercado, como o Deutsche Bank, o FFB (a subsidiária alemã do Fidelity), ou o CreditPlus, subsidária do Crédit Agricole.
O conceito Open mudou as nossas vidas nos últimos 10 anos e já transformou muitas indústrias. Como pioneiros no Open Banking estamos a ver que o sector não é uma exceção à tendência e constatamos que esta evolução no sector da banca é orientada por três fatores: os consumidores habituaram-se à transparência e exigem uma seleção atrativa de produtos; novos desenvolvimentos ao nível da regulação, como o PSD2, estão a pressionar a banca a seguir nesta direção; e, finalmente, tecnologias modernas como a nossa permitem uma ótima experiência de Open Banking, que cria valor para clientes e bancos.
A integração bem-sucedida da nossa plataforma na oferta online do Deutsche Bank realça este desenvolvimento e foi muito bem recebida pelos clientes.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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