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Neuraspace: startup portuguesa que quer evitar colisões entre satélites atrai investimento de 2,5 milhões de euros   

Publicado em 23 Março 2022 | 493 Visualizações

Chiara Manfletti diretora de operações da Neuraspace

A startup portuguesa Neuraspace garantiu um investimento de 2,5 milhões de euros da Armilar Ventures. A verba vai ajudar a empresa de Coimbra, fundada em 2020 por Nuno Sebastião, um dos co-fundadores da Feedzai, a acelerar a comercialização de um sistema avançado de monitorização de detritos espaciais e prevenção de colisão entre satélites 

O sistema tem por base uma plataforma proprietária de Inteligência Artificial, que recolhe informação de diferentes fontes para calcular o risco de colisão entre satélites.  Os testes já realizados mostram que consegue devolver resultados com uma taxa de falsos positivos significativamente inferior (22%) a de outras soluções na mesma área. 

A solução da Neuraspace é também inovadora pelo facto de automatizar muitos dos atuais processos e comunicações manuais, e por poder fornecer aos operadores recomendações de manobras orbitais acionáveis ​​para evitar colisões, ou informações úteis para outros stakeholders como reguladores, seguradoras ou outros negócios dependentes de ativos espaciais.

A redução no custo de acesso ao espaço e do lançamento de satélites levou muitas empresas para esta área e para uma série de negócios associados que dependem de informação espacial, mas também densificou um problema que já existia e que tende a agravar-se. Estima-se que exista cerca de um milhão de detritos, com tamanhos entre um e 10 centímetros, na órbita terrestre e como quase a cada dia há novos objetos no espaço, o risco de colisão continuará a crescer. A Neuraspace quer contribuir com a sua plataforma de IA para diminuir este risco. 

Nuno Sebastião é o fundador do projeto e explica que a experiência de trabalho no Centro de Operações da Agência Espacial Europeia, no início de carreira, deu o mote para se manter até hoje atento aos desenvolvimentos no sector espacial e perceber que a abordagem da Feedzai aos desafios do sector financeiro, pode também ser usada no sector espacial. A inteligência artificial, num e noutro caso, é o motor da abordagem ao problema. 

«Acredito que muitos dos desafios enfrentados pela segurança e proteção do espaço hoje podem ser abordados aplicando muitas das lições que aprendemos ao transformar a Feedzai numa empresa avaliada em mais de um milhar de milhão de dólares num setor bastante conservador, onde dados e automação precisam de escalar e operar em tempo real», destaca. 

«A Neuraspace fará pelo Espaço o que a Feedzai está a fazer pelo setor financeiro: utilizar IA avançada e uma plataforma de operações de risco totalmente automatizada para fornecer insights acionáveis ​​e gerir riscos», acrescenta Nuno Sebastião. 

A liderar as operações da Neuraspace está Chiara Manfletti, na foto, que já liderou a Agência Espacial Portuguesa. A startup está incubada no Instituto Pedro Nunes (estabelecido pela Universidade de Coimbra) e também faz parte da iniciativa Business Incubator da Agência Espacial Europeia (ESA-BIC), 


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