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O caminho digital

Abel Camelo, manager da Infosistema

Publicado em 14 Julho 2017 | 2502 Visualizações

O digital está a mudar o Mundo. Vivemos mais uma transição de paradigma tecnológico – depois da emergência da 1ª e 2ª plataformas de TI – suportada pelo uso das redes sociais, pelas tecnologias móveis, pelas soluções de Big Data e de analítica de negócio e pelos serviços de Cloud Computing. O business-as-usual deixou de ser uma opção e, se a sua natureza não se alterar, as potenciais consequências poderão ser devastadoras para os negócios. É fácil, no entanto, perder de vista as tendências e compreender o seu impacto no longo prazo, dado que nem sempre a direção dessas tendências se torna clara. Hoje, por exemplo, a tecnologia está a produzir avanços surpreendentes, onde a web alterou as regras do negócio e as melhores práticas da economia industrial são hoje desafiadas pela era digital, impactando a estrutura de negócio[1]. Terrenos firmes passaram a pantanosos para muitas organizações e a incapacidade para se adaptarem pode ditar o seu desaparecimento. Quantos casos existem de negócios que fecharam portas, perante o crescimento dos novos modelos digitais? Negócios como o do Blockbuster foram suplantados por outras ofertas, digitais, como a do Netflix. Ou vejamos o exemplo da Kodak, que apesar de ter inventado a primeira máquina digital de sempre em 1975, escolheu não abraçar a transformação do seu negócio e acabou ultrapassada por muitas outras empresas que evoluíram nesse sentido.

A transformação digital, impulsionada em grande parte por uma alteração de comportamento do consumidor, tornou-se uma inevitabilidade e a competitividade das organizações depende do sucesso que se obtenha neste processo.

Ainda que as nomenclaturas usadas divirjam entre si, existe um consenso que a transformação digital das organizações deve desenvolver-se em algumas dimensões chave. A utilização da informação deve assumir um papel fundamental na forma como as organizações constroem os seus processos de decisão e mesmo como forma de otimizar produtos e processos. As tecnologias digitais podem prestar um apoio fundamental à simplificação de processos das organizações e trazer maior agilidade e eficácia às suas operações de negócio, mas apenas as organizações lideradas por gestores que consigam envolver colaboradores, clientes e parceiros na desafiante execução desta transformação, serão bem-sucedidas. Segundo o MIT Sloan Management Review[2], as novas gerações querem, de facto, trabalhar para líderes digitais e estarão numa procura constante pelas melhores oportunidades digitais, contribuindo também para que as organizações se adaptem, para que possam reter e atrair talentos.

Assim, para se manter à frente da revolução digital, as organizações deverão também adotar modelos ágeis de resposta às necessidades do seu ecossistema, por exemplo através de uma abordagem omnicanal, fornecendo experiências aos clientes que sejam sedutoras e relevantes, independentemente do canal por onde os seus clientes optem por interagir. Disto, resulta a necessidade de criar apoio de uma sólida estratégia e processos para além de apenas a tecnologia[3], para garantir a uniformização e a potenciação da experiencia do cliente. Isto é muito mais do que simplesmente o desenvolvimento de uma aplicação móvel ou um website atrativo.

Esta transformação digital exige uma mudança fundamental nas operações e mentalidade de uma organização, afetando tudo, desde a forma de execução dos processos às novas capacidades avançadas de recolha e análise de dados. Esta mudança fomenta a criação de conhecimento em torno do ecossistema das organizações. A transformação digital continua a crescer e as organizações estão a perceber que esta é crucial para o sucesso dos seus negócios. Podemos então encarar a transformação digital como um processo contínuo, pelo qual as organizações se adaptam ou adotam alterações disruptivas, junto dos seus clientes e mercados, beneficiando de competências digitais para inovar nos seus modelos de negócio e em produtos e serviços capazes de combinar experiências físicas e digitais, melhorando, em simultâneo, a eficiência operacional e o desempenho da organização.

De um modo simples, o digital veio alterar o comportamento do consumidor que, por sua vez, veio alterar os negócios. Desta forma, precisamos de adaptar as nossas estratégias, visões e modelos de negócio e de incorporar tecnologias que possam acelerar a adaptação a esta nova realidade.

De um certo modo, a transformação digital pode ser vista como o cultivar de um bonsai, por ser um processo de melhoria contínuo e que precisa de estímulo constante e sólido conhecimento de matéria. Será que a minha organização precisa de transformação digital? A resposta é sempre “sim”. A revolução digital tem afetado praticamente qualquer setor ou organização e continuará a fazê-lo.

A pergunta deve ser se estamos a fazer a transformação digital adequada e sobre a necessidade de ter mais transformação digital, e nessa matéria, a resposta dependerá do nível de maturidade que a organização em questão já atingiu.

Questões como: será que a minha organização, os meus processos e pessoas estão aptos a abraçar a transformação digital e alterar aspetos fundamentais do negócio? Se a resposta for não, é urgente começar a alicerçar a mudança. Se a resposta for sim, então de que estão à espera?

 

[1] http://web.uncg.edu/bae/lsiyer/ec_common/articles/strategy_and_internet_porter.pdf
[2] http://sloanreview.mit.edu/projects/strategy-drives-digital-transformation/
[3] https://dupress.deloitte.com/content/dam/dup-us-en/articles/digital-transformation-strategy-digitally-mature/15-MIT-DD-Strategy_small.pdf


Publicado em:

Opinião

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