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O efeito Web Summit num Portugal tecnológico

Publicado em 27 Março 2017 | 1349 Visualizações

2016 foi um ano de conquistas para Portugal, no que se refere à notoriedade internacional em domínios relacionados com as Tecnologias de Informação (TI). O país conseguiu atrair novos centros de competências, de que são exemplo os investimentos da IBM ou da Vodafone, ambas repetentes na escolha de Portugal para fixar estruturas deste tipo, e acolheu a Web Summit. Sendo este um dos maiores eventos mundiais de inovação e empreendedorismo da atualidade, a expectativa era grande e as previsões do impacto positivo também. As contas pós-evento não estão fechadas, embora a autarquia lisboeta aponte um resultado positivo para a cidade de 200 milhões de euros, e muitos acreditam que só será possível fazer um verdadeiro balanço a médio prazo. Mas os dados estão lançados e em 2017, tal como em 2018, a conferência volta a Lisboa com intenções de duplicar a audiência. O simples facto de essa continuidade estar assegurada e de existir um conjunto de outras medidas governamentais de promoção do ecossistema do empreendedorismo é bem visto e prolonga para este ano a expectativa de consolidação da imagem de Portugal como uma referência europeia neste domínio.

«Há a registar o esforço dos nossos governantes para trazer iniciativas que gerem riqueza para o país como a Web Summit, ou mesmo o programa de Vistos Startup, que o primeiro-ministro indicou na sua visita oficial à Índia», sublinha Nuno Figueiredo, diretor de vendas e marketing da Ábaco Consultores.

Noutra esfera, o percurso de internacionalização das empresas portuguesas também tem contribuído para consolidar a imagem do país, enquanto exportador de serviços TI. O investimento de empresas estrangeiras em Portugal, com o mesmo objetivo, produz resultados no mesmo sentido e tem vindo a crescer de forma regular e relativamente constante. Assim se espera que continue em 2017…

«A maior visibilidade internacional de Portugal na área das tecnologias de informação, concretizada em consequência da elevada competitividade e capacidade do capital humano existente, levou ao crescimento do investimento estrangeiro na aquisição de empresas tecnológicas nacionais e/ou à instalação de centros de operações em Portugal, com o objetivo de prestarem serviços para a região da EMEA ou à escala mundial», recorda Nuno Guerra, CEO da Create IT.

Manter a rota é, na visão de Susana Soares, diretora de marketing da Fujitsu Portugal, outra multinacional que tem escolhido o nosso país para fixar centros de competências internacionais, um dos grandes desafios de Portugal para 2017. A «capacidade de continuar a atrair para o nosso país investimento estrangeiro ao nível dos End User Services» é, não só determinante, como perfeitamente alcançável, graças às «características únicas e extremamente competitivas» que por cá se reúnem para dar suporte a esse tipo de oferta.

Continuar a captar investimentos nesta área dependerá de vários fatores. A qualidade dos recursos humanos, as infraestruturas e os custos são incontornáveis.

Manter a competitividade em todas as frentes – quando na Europa existem vários concorrentes que apostam nos mesmos ingredientes – implica estratégia e um posicionamento que também tem de envolver o poder político, como as organizações que agregam as empresas de outsourcing têm vindo a reclamar.

A Cisco fala num conceito de Country Digitization Acceleration que, como explica Sofia Tenreiro, diretora-geral da empresa em Portugal, não é mais do que planear e construir um ecossistema sofisticado e inovador, que permita mais conectividade, produtividade e segurança. «Implica conectar o que ainda não está conectado, acelerar o crescimento do PIB e criar novas profissões, adaptadas à nova era digital», acrescenta a responsável. Estará Portugal neste processo? As visões mais otimistas ainda chocam com as reticências dos mais cautelosos, mas é relativamente consensual que têm sido dados alguns passos importantes nos últimos anos.


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