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«O esforço da SAP está direcionado para perceber qual é o caso de uso do cliente»

Publicado em 27 Abril 2017 por Ntech.news - Cristina A. Ferreira | 618 Visualizações

Luís Grincho, é o responsável pela área de Database & Technology da SAP Portugal. Em Entrevista ao Ntech.news explicou a estratégia da empresa para a área do Big Data, onde a plataforma SAP Hana é a grande estrela da empresa mas não está sozinha.

Sem apontar casos concretos, deu exemplos de projetos que já concretizam no terreno o potencial do Big Data e lançou um olhar para alguns cenários reveladores dos rumos que a tecnologia pode ajudar a construir, a partir de atuais e de novos modelos de negócio.

Luís Grincho admitiu que a própria SAP ainda está a construir o seu caminho, enquanto fornecedor de tecnologias que hoje vão muito para além do perímetro tradicional do software de gestão. Garantiu que o mercado está a acompanhar essa mudança e já a reconhece.

Ntech.news – Nos últimos anos o Big Data assumiu um espaço muito forte na estratégia da SAP. Hoje o que vos distingue nesta área. É a abordagem à tecnologia?
Luís Grincho – Centramos hoje a nossa aposta neste domínio na plataforma SAP Hana que, no contexto de determinadas organizações, permite endereçar os chamados projetos de Big Data, mas a SAP também tem uma oferta que complementa os tradicionais open sources do mundo do Big Data [os hadoops deste mundo]. Dá-lhes características de facilidade de uso e um contexto empresarial, permitindo correlacionar estes dados com os que existem nos sistemas centrais das organizações, que em muitos casos temos a expectativa de serem desenvolvidos sobre SAP Hana, como acontece com o nosso próprio ERP.
É aliás nesta dinâmica que pensamos que a informação vai fluir. Se me perguntar se a abordagem vai mais pelo lado do Big Data do mundo open source, ou mais pelo lado do SAP Hana, diria que vai por ambos, consoante o caso de uso do cliente. Tudo vai depender do que o cliente quer fazer sobre a informação e de como a pretende trabalhar.

Da vossa parte há uma preocupação em seguir ambas as direções?
O esforço da SAP hoje está direcionado para perceber qual é o caso de uso do cliente e identificar como podemos ajudá-lo a desenvolver uma plataforma que responda, não só aos desafios atuais, mas também aos que pode vir a ter no futuro. À medida que começarmos a explorar dados, cada vez surgirão mais questões, mais problemas para dar resposta. O machine learning é neste contexto uma das áreas que estamos a explorar. A SAP lançou aliás recentemente um brand chamado SAP Clea, para abordar toda a estratégia do mundo de machine learning e inteligência artificial, que tem um conjunto de serviços disponibilizados para fazer este tipo de análises.

Dentro daquilo que a tecnologia hoje já permite, tirando partido dos dados que estão espalhados pelas organizações, e aquilo que áreas emergentes como o IoT, ou a inteligência artificial podem potenciar, o que é legítimo esperar no médio prazo. Para onde estamos a caminhar?
Acho que vários casos de uso, já hoje, nos dão algumas pistas. Um dos serviços que a SAP disponibiliza no contexto de machine learning é a capacidade de identificar e analisar num cenário de vídeo, como um programa de TV por exemplo, quantas vezes aparecem marcas de empresas. Se pensarmos que isso pode levar ao desenvolvimento de novas estratégias e de novos serviços temos um exemplo.
Se quisermos olhar para um contexto mais fabril, podemos antecipar situações em que os sistemas recolhem informação a partir de sensores, como a temperatura, mas ao mesmo tempo tiram fotos às peças que estou a fabricar e a partir delas permitem montar modelos de melhoria de qualidade, daquilo que produzo dentro das minhas fábricas. São precisos sistemas que trabalhem muita informação e que o façam, neste caso concreto, claramente em tempo real para permitirem que sobre essa informação seja possível agir de acordo com o que está a acontecer e até montar modelos preditivos que permitam antecipar problemas.

Em Portugal como é que as empresas olham para tudo isto, tendo em conta que a maioria são PME. Ainda há a ideia de que todo este potencial em torno do Big Data é algo muito interessante mas que só se aplica ao “vizinho do lado”?
Penso que as empresas já estão atentas e já perceberam que a partir da informação conseguem ter uma noção muito mais clara do que podem fazer, de como podem endereçar o mercado ou até de como podem abrir novas áreas e explorar novas oportunidades. Na área fabril temos hoje já vários casos de empresas que começam a querer criar mecanismos de automação, falamos de IoT, da recolha de grandes volumes de informação e de como a tratar. No caso da indústria das telecomunicações conseguimos ter vários casos que vão desde a análise de fraude, à análise de churn, de melhoria e otimização da rede que são necessárias para que a empresa possa prestar um melhor serviço ao cliente, mas também para garantir que tem uma melhor infraestrutura.

Mas quando falamos em telecomunicações falamos em grandes empresas habituadas a grandes investimentos em TI…
É verdade, mas também referi exemplos na indústria e aí não estamos necessariamente a falar de empresas grandes. Se falarmos por exemplo nos fornecedores em torno da indústria automóvel, onde estão sobretudo empresas de pequena/média dimensão, o potencial que têm com a automação dentro do seu processo de fabrico é enorme. Aquilo que lhes pode trazer de valor adicional a recolha desta informação e o seu tratamento, em tempo real ou não, para melhoria de processos torna indiscutível o retorno dos investimentos que possam estar a fazer.
Temos depois vários exemplos do domínio público, nos mais diversos sectores a refletir o mesmo.
A forma como a Nestlé usa contextos de redes sociais para desenvolvimento de campanhas e ofertas junto dos clientes e o conjunto de informação que isso lhe dá é significativo. A Nestlé é uma grande empresa, mas o principio é facilmente aplicável a empresas de outras dimensões. As empresas mais pequenas podem de facto não ter sido as primeiras a investir nesta área mas hoje, com a banalização da tecnologia, estão a começar a dar os primeiros passos e a querer experimentar. E é nessa altura que se torna mais fácil dimensionar o problema e o grau de investimento necessário para o que se quer fazer.

A SAP fez ou planeia fazer algum reforço ou reorganização da rede de parceiros para estar mais perto desta vaga de empresas que se prepara para começar a experimentar estas tecnologias?
A SAP tem um conjunto de parceiros vasto para endereçar o mercado que chamamos de general business e uma ligação forte aos parceiros que prestam serviços às grandes contas, endereçadas de forma direta pela SAP. Fizemos ainda uma grande aposta no mercado Business One, que funciona também sobre SAP Hana e aí queremos que essas organizações possam beneficiar da tecnologia para entrar no seu processo de transformação digital e adaptarem-se às novas realidades, concorrendo com as multinacionais espalhadas por esse mundo fora, porque o mercado já não é só nacional.

Faz sentido considerar que hoje um dos desafios que se coloca à SAP na abordagem ao mercado com estas novas tecnologias, como o Big Data, ainda é o facto de a marca ser sobretudo vista como um fabricante de ERPs?
Essa é cada vez menos uma questão. Obviamente quando as empresas têm um brand muito forte numa determinada área não o querem perder, mesmo quando querem avançar com outros tipos de abordagens e desafios junto do mercado. Para a SAP poder estar num contexto mais tecnológico é um desafio e um trabalho que tem vindo a ser feito e que está a avançar a passos largos para o reconhecimento. À medida que vamos falando com os clientes vamos percebendo isso e também se aplica a esta área do Big Data.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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