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O Silicon Valley do atlântico é na ilha Terceira e a culpa é dos americanos

Publicado em 1 Abril 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 401 Visualizações

O downsizing norte-americano da Base das Lajes foi uma má notícia para os Açores e para a economia da região, mas é da adversidade que podem surgir novas oportunidades e é isso mesmo que está a acontecer na Terceira.

A tecnologia é a grande aposta do Governo regional para dar a volta ao texto e criar novas oportunidades de emprego na região. Nasce daqui Terceira Tech Island, um projeto ambicioso que pode mudar o perfil do emprego na ilha e que já está a dar os primeiros resultados.

«O Terceira Tech Island (TTI) é um projeto estruturante e tem o objetivo de atenuar os efeitos do downsizing norte-americano da Base das Lajes, substituindo o impacto negativo que aquela decisão unilateral teve na economia da Ilha Terceira», explica Sérgio Ávila, vice-presidente do Governo Regional dos Açores.

Materializa-se em várias frentes: formação, incentivos às empresas e infraestruturas. Nomeadamente na «reabilitando as infraestruturas excedentárias que os norte-americanos abandonaram e aproveitando recursos humanos qualificados para a reconversão em programadores», acrescenta o responsável.

Oito novas empresas e 60 programadores formados num ano

O objetivo final é atrair novas empresas para a região e repovoar estes espaços, criando uma nova dinâmica no mercado de emprego, focada nas TIC. Em pouco mais de um ano já se instalaram na Terceira graças aos incentivos do programa oito novas empresas: Code For All, BOOL, Bring, Acin, Glintt, Infosistema, NedTechAzores e Dorae. Em conjunto contribuíram para criar 70 novos postos de trabalho diretos e fixar mais de uma centena de novas pessoas na ilha.

Mas as boas notícias não terminam aqui. Há ainda «várias empresas de renome, cujos nomes não podemos ainda divulgar, que manifestaram interesse claro de se deslocalizarem ou de constituírem pólo tecnológico na Ilha Terceira», garante Sérgio Ávila.

Como estão os Açores a atrair empresas para o novo hub TI da Praia da Vitória

O Silicon Valley do Atlântico vai fixar-se nas infraestruturas abandonadas pelos norte-americanos, designadamente a antiga Escola Americana e as casas do bairro Nascer do Sol. Enquanto as obras não terminam, Governo dos Açores, em colaboração com a Câmara Municipal da Praia da Vitória, comparticipam as despesas com aluguer de espaço das empresas recém-chegadas à ilha. Quando o hub tecnológico ficar pronto, escritórios e alojamento para os recursos deslocados vão ser disponibilizados de forma gratuita.

Os primeiros resultados do projeto, em 2018, foram tão satisfatórios que o Governo Regional, através da entidade gestora da iniciativa (a Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores), decidiu acelerar o passo, triplicando a formação prevista para este ano. O objetivo passa agora por formar 200 novos programadores ao longo de 2019, que se juntarão aos 60 formados no ano passado, que na maioria já estão a trabalhar.

Primeiro balanço: expectativas superadas

A Academia do Código e a ITUp são parceiras do TTI e responsáveis por ministrar a formação gratuita a que os residentes no arquipélago podem candidatar-se. Desenvolveram programas intensivos de 14 semanas, de onde saem programadores em java e javascript ou em OutSystems.  Paralelamente há o Vale Programação que está a financiar o mesmo tipo de necessidade.

Esta «é uma excelente oportunidade para quem quer ingressar numa carreira aliciante, com grande potencial de empregabilidade, estável e bem remunerada», destaca Sérgio Ávila, revelando que, além de desempregados, têm passado pelos cursos formandos de vários graus de ensino.


Açores apostam na formação em OutSystems para atrair empresas

O vice-presidente sublinha já que «o retorno do projeto tem sido notoriamente positivo». Não só por estar a criar emprego e riqueza, mas também por «contribuir para a valorização estratégica da Base das Lajes e para a diversificação das suas funcionalidades, designadamente através da utilização daquela infraestrutura para outros fins que permitam valorizar o seu potencial estratégico».

Até final de 2020, a estimativa aponta para a criação de 400 postos de trabalho, relacionados com o TTI. As empresas que já se posicionaram para integrar este novo hub tecnológico da Praia da Vitória são consultoras tecnológicas ou fabricantes de soluções em áreas como a saúde, smart cities e fintech, mas as portas estão abertas a outros segmentos TIC.


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