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«Os sistemas de armazenamento de dados tradicionais são inseguros por natureza…»

Publicado em 2 Junho 2020 por Ntech.news- Luísa Dâmaso | 336 Visualizações

A procura de alternativas aos sistemas tradicionais de segurança de bases de dados e de informação está a mobilizar um mercado cada vez mais incapaz de responder convenientemente aos ataques informáticos. Ricardo Schiller Pinto, head of research and development da agap2IT e lead architect BlockBase, explica que garantir a segurança e a verdade dos dados é possível e que o uso de sistemas blockchain é a solução. Depois de comprovar na Web Summit, em 2019, a validade do caminho de desenvolvimento que a agap2IT tem vindo a trilhar, Ricardo Schiller Pinto já tem pronta uma versão beta do BlockBase, um serviço global para o armazenamento seguro de bases de dados desenvolvido com tecnologia blockchain. Consiste num sistema distribuído que integra com uma das maiores e mais avançadas plataformas blockchain do mundo, nomeadamente a EOS. Foi desenvolvido integralmente pela unidade Labs da agap2IT.

Ntech.news – Há quanto tempo estão a trabalhar neste projeto?

Ricardo Schiller Pinto – A experiência de desenvolvimento em blockchain da agap2IT teve início em 2016. O projeto nasceu do desejo de apresentar uma solução para garantir a segurança e a verdade dos dados, algo que acreditamos ser apenas possível com o uso de sistemas blockchain. Sem estes todos os dados podem ser, em última instância, manipulados, furtados ou apagados, sem ser possível determinar a responsabilidade de quem fez o quê e quando. Isto deve-se a um problema resultante da centralização de sistemas, do abuso de poder e da falta de mecanismos fidedignos que possibilitem a constituição de prova da evolução dos dados guardados nesses sistemas. Garantir a segurança e verdade dos dados fará parte dos sistemas do futuro, pelo que temos apostado fortemente nesta área tecnológica.

Ter todos os dados guardados dentro de um blockchain, que é mantido por um sistema distribuído, é a única forma de alcançar verdadeira integridade, histórico

Ntech.news – Quantas pessoas têm a trabalhar neste projeto?

R.S.P- A equipa do BlockBase é multidisciplinar, com colaboradores a desenvolver e a exercer outras atividades de suporte. Desde início do projeto, outubro de 2018, já estiveram a trabalhar na plataforma 20 pessoas.

Integridade, responsabilidade e redundância

Ntech.news – O que traz de inovador esta plataforma?

R.S.P- Os sistemas de armazenamento de dados tradicionais são inseguros por natureza porque são centralizados e geridos por equipas centralizadas. Se uma base de dados contiver informação importante, a mesma pode ser manipulada por quem a gere. Pior ainda, se sofrer um ataque informático por externos, aqueles que fazem a sua gestão podem ser os primeiros a ser implicados. Ter todos os dados guardados dentro de um blockchain, que é mantido por um sistema distribuído, é a única forma de alcançar verdadeira integridade, histórico, responsabilidade, redundância e acesso aos dados. O BlockBase responde a estes desafios.

Ntech.news – Pode se dizer que é um sistema disruptivo em relação a outros sistemas tradicionais de segurança de bases de dados e informação?

R.S.P- É um sistema completamente disruptivo para com sistemas tradicionais de armazenamento de dados, exatamente pelas suas características.

Ntech.news – Quando estará apta a ser implementada em clientes?

R.S.P- A partir de meados de abril lançamos a versão beta do BlockBase.

Ntech.news – Qual o total de investimento envolvido?

R.S.P- O BlockBase conta com um investimento do programa SI&DT do Portugal 2020 apenas. O apoio por esta entidade reveste-se de grande importância e é revelador do conceito inovador que apresentámos.

Qualquer pessoa pode testar os serviços do BlockBase

Ntech.news – Já foram feitos testes? De que natureza e quais os resultados?

R.S.P- Estamos a terminar a nossa fase de testes e a prepararmo-nos para entrar na fase beta do software, onde o mesmo ficará disponível para que qualquer pessoa possa usá-lo. Temos realizado testes de carga, performance e segurança. Foi desenvolvida uma pequena sandbox online, disponível no nosso site, onde qualquer pessoa pode testar os serviços do BlockBase. Esta ferramenta é especialmente interessante para programadores, porque conseguem experimentar diretamente a tecnologia, e encontrarão grandes semelhanças, a nível de linguagem, para com uma base de dados tradicional.

Ntech.news – Que recetividade esperam a esta tecnologia?

R.S.P- A plataforma BlockBase oferece um serviço disruptivo para a guarda de bases de dados, usando blockchain como referência tecnológica. Há várias empresas de sectores variados que nos começam a perguntar por serviços desta natureza, como o sector governamental, da saúde, gestão de bens e dívidas, logística, entre outros. Isto deve-se a haver cada vez mais uma crescente motivação em querer-se garantir a verdade dos dados, algo impossível com sistemas tradicionais. Sem dúvida que antevemos uma grande procura por esta tecnologia no futuro.

Ntech.news – Qual o modelo de negócio que lhe está subjacente?

R.S.P- A plataforma BlockBase é inerentemente uma tecnologia open source, pelo que é de acesso aberto e é gratuita para qualquer um usar. O nosso modelo de negócio assenta em serviços de consultoria para a instalação, configuração e desenvolvimento de sistemas que integrem com o BlockBase para usufruírem da segurança que o mesmo lhes confere.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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