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Ricoh já comprou a TotalStor mas admite novos investimentos em Portugal

Publicado em 14 Outubro 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 601 Visualizações

Miguel Soler Ricoh

Miquel Soler, diretor de TI da Ricoh, passou por Lisboa para participar no primeiro evento da TotalStor enquanto “A Ricoh Company”, a nova assinatura da empresa, depois de ter sido adquirida em julho, concretizando a primeira aquisição da Ricoh em Portugal.

A aquisição insere-se na estratégia de transformação da Ricoh, que em todo o mundo está a levar a empresa a fazer aquisições (em Espanha comprou na mesma altura o grupo IPM, que detinha a TotalStor) e que Miguel Soler explicou ao Ntech.News na entrevista que aqui pode ler.

O responsável admitiu nesta conversa que Portugal, embora de menor dimensão que a maioria dos restantes mercados da EMEA, é um mercado importante na região, onde a multinacional espanhola está para já empenhada na integração da TotalStor, de quem recebe um portfólio de 50 a 70 clientes ativos, na generalidade grandes contas. 

As sinergias entre equipas já estão a ser estudadas, mas há decisões que permanecem por tomar, nomeadamente em relação ao nível de integração das equipas.

Ainda assim, novas aquisições locais não estão fora de questão, de mesma forma que escolher Portugal para fixar um próximo centro de competências é uma opção a considerar, quando o Grupo voltar a investir numa estrutura deste tipo.   

A Ricoh está a integrar a TotalStor. Porquê esta aquisição em Portugal e que valor pode aportar aos clientes locais da empresa?

A Ricoh está a transformar o seu negócio tradicional, que em Portugal mantemos há cerca de 30 anos. Com esta aquisição o que pretendemos fazer é o que também temos feito noutros países: transformar a companhia. Queremos oferecer serviços de transformação digital e ir além dos serviços de printing em três grandes áreas a nível mundial: Workplace – ajudando os clientes a modernizar o posto de trabalho; Datacenter – ajudando os nossos clientes a gerirem de forma mais eficiente os vários ativos que têm hoje dentro do datacenter (on premise, cloud privada, pública, híbrida); e Aplicações – ligando toda esta infraestrutura aos negócios dos nossos clientes. Neste domínio das aplicações há outro aspeto importante que os clientes nos estão a exigir cada vez mais: que as suas aplicações corram independentemente da infraestrutura.

Dito isto, creio que o valor que temos a aportar à TotalStor e mesmo aos clientes da Ricoh em Portugal, está hoje na capacidade de dar cobertura a estas três áreas o que, com algum investimento em talento, pessoas e conhecimento pode ainda ser potenciado.

Em número de colaboradores e de serviços prevêem mudanças? 

Queremos manter a oferta de serviços que a TotalStor tinha e tirar partido desta base de clientes, para lhes poder oferecer mais serviços. E como serviços são pessoas, se angariarmos mais negócio, sim, podemos fazer crescer o número de pessoas.  

Quais são as principais oportunidades que identificam hoje no mercado de infraestruturas? 

A prioridade dos diretores-gerais neste momento está em transformar digitalmente as companhias. Essa é uma prioridade em Portugal, em Espanha e no resto da Europa e disto resultam boas oportunidades de negócio hoje em Portugal, como em toda a Europa, que se distribuem por três áreas: modernização do espaço de trabalho, cloud híbrida e aplicações, independentes dos sistemas legacy que as empresas ainda têm implementados. No curto prazo, diria que a grande oportunidade para a TotalStor está na cloud híbrida e em todo o processo de transformação da gestão do datacenter a que estamos a assistir.

As empresas começam a perceber que o ciclo económico vai mudar e estão a olhar com especial atenção para estes conceitos de gestão moderna dos datacenters, para estarem mais preparadas para o que aí vem. 

Que posições têm hoje Ricoh e TotalStor no mercado português e como podem vir a ser potenciados com esta integração? 

Nos dois últimos anos a Ricoh passou de 7º para 4º player no mercado tradicional de printing em Portugal. A TotalStor é uma das companhias líderes em soluções de storage, backup e virtualização. A partir daqui, o nosso plano passa por perceber como podemos cruzar bases de clientes e talento. Hoje na Ricoh temos uma equipa comercial maior que a da TotalStor e que trabalha mais mid-market que grandes contas, onde está focada a TotalStor, o que nos dá uma clara sinergia comercial. No que se refere às equipas técnicas, na Ricoh temos pessoas que estão no terreno, a fazer assistência a equipamentos, essencialmente, enquanto a equipa da TotalStor está direcionada para um apoio remoto mais especializado em temas de storage e backup. É mais uma área onde vamos tentar identificar sinergias e acontece o mesmo no marketing.

Na estratégia de aquisições que a Ricoh está a levar a cabo para cumprir esta transformação do negócio pode entrar mais alguma empresa portuguesa?   

Em Portugal a nossa prioridade agora é digerir bem esta aquisição da TotalStor e só depois disso vamos olhar para outras empresas, nas duas áreas que mantemos pendentes: workplace e aplicações. É aliás esta também a estratégia que estamos a seguir na EMEA, região que Portugal integra e onde ocupa um espaço importante. Por isso a resposta é sim, podemos continuar a fazer aquisições, não a curto prazo mas a médio, se a estratégia assim o exigir.  

Em quanto tempo contam completar a integração da TotalStor? 

Depende um pouco dos factores externos, se a economia nos ajudar diria que entre um a dois anos, caso contrário talvez um pouco mais.  

Algumas multinacionais têm escolhido Portugal para fixar centros de serviços internacionais. Essa é uma hipótese que a Ricoh considera?

É uma possibilidade. Neste momento estamos a crescer nessa área e em vez de criarmos todas as competências em todos os países temos criado centros de competências que servem várias geografias, já temos um em Varsóvia e outro em Oviedo. Potencialmente Portugal poderia ser uma boa localização para mais um centro nearshore, não só para um centro de competência, mas também para um centro de excelência. É uma localização que consideramos interessante.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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