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«Ser empreendedor é sempre difícil, tanto em Portugal como no resto do mundo»

Publicado em 31 Março 2017 por Ntech.news - Cristina A. Ferreira | 1197 Visualizações

Numa roda viva de prémios e investimentos, a Probe.ly é uma das startups do momento. Nuno Loureiro, aos comandos do projeto, falou com o Ntech.news.

No final do ano passado a Probe.ly, que desenvolve um produto de segurança com o mesmo nome que ainda não foi lançado, ganhou a edição de outono do Lisbon Challenge, o programa de aceleração da Beta-i, que no mesmo ano foi considerado um dos mais dinâmicos da Europa. A distinção valeu-lhe um investimento de 75 mil euros por parte da Caixa Capital e foi a primeira de várias boas notícias que a equipa iria receber em poucos meses.

Em março foi a startup vencedora do Caixa Empreender, um prémio da capital de risco do grupo CGD que dá acesso a um novo financiamento de 100 mil euros e logo depois foi confirmado um reforço da aposta da Bright Pixel no projeto. A Bright Pixel, liderada por Celso Martinho, é uma espécie de laboratório de novos projetos suportado pelo grupo Sonae e tinha sido a primeira de todas as portas a abrir-se ao Probe.ly.

Na ressaca dos últimos acontecimentos, o Ntech.news falou com Nuno Loureiro, que lidera a startup e uma equipa de técnicos experientes, com background acumulado na área da internet e das telecomunicações e uma história profissional que se cruzou no SAPO.

O financiamento garantido nos últimos meses dá a substância necessária ao projeto para novos voos e o que quisemos saber foi que voos podem ser esses. Como chegou a Probe.ly onde está hoje e como olha o seu fundador para o empreendedorismo em Portugal e para a escassez de recursos na área onde a nova startup se movimenta.

Ntech.news – Os últimos meses têm sido uma roda viva para a Probe.ly. Prémios, investimentos…Com o financiamento que garantiram neste período e as portas que os prémios eventualmente abriram, o que podemos esperar para os próximos meses. Quais são os grandes objetivos?
Nuno Loureiro – O grande objetivo é entrar rapidamente no mercado e começar a monetizar o produto. E crescer, globalmente. Recentemente lançámos uma versão beta privada para um grupo restrito de empresas, dos mais diversos sectores e geografias. O objetivo desta versão beta privada é afinar o produto antes de o lançarmos no mercado.

A vossa proposta é habitualmente referida pela imprensa como «a próxima vaga de produtos de segurança». Ao certo o que significa isto e quais os pontos mais diferenciadores face ao que existe no mercado?
O Probe.ly automatiza a deteção das vulnerabilidades sem os habituais problemas de falsos positivos (quando é identificada uma vulnerabilidade que não existe), através de várias técnicas como a exploração de forma segura e controlada das vulnerabilidades para confirmar a sua existência. Todos os resultados da ferramenta são apresentados numa linguagem direcionada para programadores, dispensando assim a interpretação por especialistas de segurança, algo bastante dispendioso.
Um dos grandes desafios que tivemos foi o como apresentar informação bastante técnica e detalhada sobre vulnerabilidades a um público não necessariamente especialista da área, como os programadores. Outro, mais técnico, está relacionado com a eliminação dos falsos positivos, um trabalho minucioso e contínuo em que tentamos que a nossa solução consiga perceber a semântica do que está a analisar.

São esses pontos que, na vossa opinião, têm seduzido os investidores ou, além disso, esta área da segurança, com tantas tecnologias e desafios a emergir, está carente de novas abordagens e de respostas mais inovadoras?
Acreditamos que temos que fazer chegar a segurança aplicacional mais próxima dos programadores, e acreditamos que o Probe.ly cumpre esse objetivo. Esta nossa abordagem é um dos aspetos que tem agradado a diversos investidores, mas creio que o mais importante tem sido a própria equipa do Probe.ly, que trabalha junta há mais de 6 anos e tem muitos anos de experiência na área (é uma equipa sénior portanto). O facto de no passado terem trabalhado juntos numa equipa de segurança que tinha uma relação muito próxima com os programadores ajuda e dá credibilidade ao projeto.

Como surgiu a ideia de fundar o projeto e como se concretizou? Quais foram os primeiros passos e os marcos mais importantes até ao ponto em que estão hoje?
Foram vários os motivos que nos levaram a fundar o projeto. Os principais creio que foram o facto de todos partilharem a vontade de fazer um produto na área de cibersegurança e o facto de o Celso Martinho ter saído do SAPO para criar a Bright Pixel, que nos deu logo todo o apoio necessário para a realização do projeto.

Li numa entrevista vossa que entre os grandes argumentos da Probe.ly para atrair investidores, além da equipa, estão as muitas ideias para fazer evoluir o produto. A médio prazo quais são as grandes metas? Como imaginam o projeto daqui a dois anos?
Não entrando em grandes detalhes e números, temos metas bastante ambiciosas em termos de desenvolvimento do produto e em termos de vendas. Daqui a 2 anos queremos certamente ser uma referência no sector e nas principais geografias.

Ainda é difícil ser empreendedor em Portugal, ou uma boa ideia abre realmente as portas necessárias?
Há 4 ou 5 anos não era tão fácil. Hoje em dia, acredito que Portugal já dispõe de muitos meios que facilitam a vida de um empreendedor, desde os programas de aceleração, passando pelas incubadoras, até às enumeras empresas de Venture Capital que têm surgido, para não falar de que Lisboa está hoje no radar de muitos investidores internacionais. Não obstante, ser empreendedor é sempre difícil, tanto em Portugal como no resto do mundo.

Quais foram os momentos mais desafiantes da vossa história, até à data? Muitas startups admitem que a determinado momento é difícil manter o foco e não se dispersarem no meio de muitas ideias, da vontade de mostrar resultados rápido e de outros apelos do género. Sentem isso?
Creio que os momentos realmente desafiantes ainda estão para vir. No entanto, já tivemos alguns. Desenvolver o produto foi sem dúvida um momento desafiante, devido à sua especificidade e complexidade. A questão de manter o foco é pertinente, e não fugimos à regra. A participação em eventos e a exposição do produto antes de este estar no mercado retiram um pouco o foco da equipa numa altura em que tal não deveria acontecer. Chegamos a recusar alguns convites para eventos precisamente por esse motivo.

Fala-se muito na escassez de recursos TI em Portugal, sobretudo em áreas mais inovadoras como as que exploram na Probe.ly. Afeta-vos?
Ainda não nos afeta (porque não estamos de momento a contratar recursos técnicos), mas tenho a certeza que é algo que nos vai afetar no futuro. Recursos especializados na área de segurança informática em Portugal estão todos empregados. As empresas que pretendem contratar, ou conseguem convencer um colaborador de outra empresa ou têm que ir buscar recursos mais juniores e com potencial e depois investir em formação.

Conhecem bem o meio. Têm ideias para ajudar a ultrapassar esta questão de modo a conseguirmos manter argumentos fortes para captar startups tecnológicas para Portugal?
Investir na educação dos futuros profissionais e desburocratizar é fundamental. A Estónia fez um trabalho excelente neste último domínio.
Temos muitos exemplos de startups de fora que alojam cá a equipa de engenharia, e também já temos startups nacionais que mudaram a equipa de gestão e comercial para Inglaterra ou Estados Unidos e mantêm cá as equipas técnicas. O facto de termos jovens bastante qualificados, de termos uma cultura mais aberta para fora e de os custos serem mais reduzidos alicia sem dúvida a captação de startups tecnológicas para Portugal. No entanto continuamos com um deficit grande de profissionais na área tecnológica.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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