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Talento desafia tecnológicas. 80% das contratações da Multivision este ano foram fora de Portugal  

Publicado em 18 Julho 2022 | 163 Visualizações

A Multivision fechou o ano passado com uma faturação de 9,9 milhões de euros e este ano quer crescer 50%, para atingir 15 milhões de euros, através da oferta de serviços TI em outsourcing e do recrutamento TI especializado, duas áreas que representam 80% do negócio da empresa. Quer também duplicar o número de clientes e o número de colaboradores, mas admite que chegar ao talento de que precisa é um dos grandes desafios do projeto. 

Em 2021, 45% das contratações feitas pela empresa foram de estrangeiros. Em 2022, até ao momento, este número chega aos 80%. «Portugal é um país com fantásticos profissionais. Talento realmente qualificado. Mas não deixa de ser um país pequeno com poucos recursos para o conjunto apelativo de projetos que existem disponíveis», reconhece Edson Leite. «Não há nenhuma empresa de TI, que queira ser realmente competitiva no mercado, que não esteja a contratar recursos fora de Portugal», acrescenta o CEO. 

Na consultora, a estratégia tem passado por contratar fora e trazer para Portugal. O Brasil, por razões óbvias, é um dos principais mercados de recrutamento. «É um país de grande dimensão, com muitos profissionais de TI de grande qualidade; o idioma e a cultura facilitam a potencial mudança e adaptação a Portugal, o que o tornam um mercado prioritário».

«Não há nenhuma empresa de TI, que queira ser realmente competitiva no mercado, que não esteja a contratar recursos fora de Portugal»

Edson Leite, CEO da Multivision

Mas a empresa tem explorado outras alternativas, como a Índia e o Paquistão, que entretanto elegeu também como mercados prioritários. Entrou nestes mercados de forma orgânica, através de duas candidaturas espontâneas que resultaram em contratações. Os resultados foram positivos e decidiu explorar mais a fundo o potencial destas geografias. 

Os projetos da Multivision ligam-na essencialmente a software houses, operadores de telecomunicações e empresas com necessidades de talento altamente qualificado e especializado na área das TIC. Edson Leite garante que todos os dias a empresa procura «centenas de profissionais». Os perfis mais procurados são de DevOps; Cloud Engineer; Cyber Security Engineer e RNO (Radio Network Optmizers).

Para atrair e reter talento, segue-se uma estratégia mais personalizada, que de aposta em benefícios específicos. « Não é por termos yoga laboral, mesas de matraquilhos, um clube de vinho ou outros elementos que as pessoas ficam. Fazemos entrevistas de offboarding e não é por aí que conseguimos reter o talento». 

Edson Leite acredita que as empresas com dificuldade em reter talento na verdade não são abandonadas pelos colaboradores. É o inverso. «Não acredito que os colaboradores abandonem as empresas. Eles abandonam os seus Team Leaders. Se estes os conseguirem inspirar, ajudar a crescer, e se a própria empresa valorizar as suas pessoas e apostar no seu bem-estar, os colaboradores não querem sair».

O segredo, garante, está, por isso, em personalizar cada oferta. Ter em conta que todos os profissionais são diferentes – têm motivações, estágios de vida, ambições, prioridades, gostos e mindsets diferentes e, como tal «não faz sentido criar “pacotes” de atração universais, one size fits all. Ajustamos a gestão a cada pessoa».

« Não é por termos yoga laboral, mesas de matraquilhos, um clube de vinho ou outros elementos que as pessoas ficam. Fazemos entrevistas de offboarding e não é por aí que conseguimos reter o talento».

Competir por talento internacional num mercado onde o salário médio está abaixo dos valores praticados na maior parte dos restantes países europeus nem por isso é fácil. Vale o mix das propostas e os atrativos do país, para complementar a componente financeira. 

«Portugal é, ao dia de hoje, um grande destino tecnológico. Cada vez tem mais empresas a abrir escritórios ou até mesmo polos e isso é um chamariz». O facto de Portugal acolher bons projetos, inovadores, com tecnologia de ponta e com elevado potencial de crescimento é uma motivação. «Aliado a isso não dá para fugir das ótimas condições naturais que o país oferece: o clima, a segurança, a hospitalidade, a qualidade de vida e a gastronomia, para citar apenas alguns», reconhece o gestor.

Além da consultoria especializada em Tecnologias da Informação e Comunicação, dos serviços de Sourcing e Nearshore, a Multivision dedica-se ao desenvolvimento de software e criou um sistema de planeamento, otimização e gestão de redes, o METRIC, que é uma plataforma SaaS proprietária. A empresa portuguesa está no mercado há 15 anos. 


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