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Tecnologia+talento+investimento: Afinal quais são os motores da transformação digital?

Publicado em 29 Outubro 2016 | 892 Visualizações

O estudo «A Economia Digital em Portugal 2016 – O Estado da Nação», realizado pela APDC deixa bem claro que atração de talento e de investimento são os maiores desafios que o ecossistema tecnológico nacional tem pela frente. Estes desafios foram confirmados e complementados pelos protagonistas do primeiro debate «Estado da Nação das TI», que este ano inovou a agenda do 26.º Congresso da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações.

Carlos Leite, diretor-geral da HPE, confirmou que a transformação digital está em marcha e vai deixar marcas estruturais no mercado, uma vez que está a conduzir as ofertas tecnológicas por outros caminhos que não os da compra tradicional. «Estamos a inovar no fornecimento de soluções para sermos mais eficientes, com modelos as a service que se adaptam às necessidades do mercado», assumiu o responsável. António Raposo de Lima, presidente da IBM Portugal, reiterou o compromisso e disse que é necessário perceber qual é a realidade e ajudar a promover a mudança. «Há um Portugal com um legacy importante que tem de se transformar», referiu o responsável.

José Carlos Gonçalves, diretor-geral da CGI, explicou que há em Portugal alguns setores mais avançados na transformação, como o financeiro e o das telecomunicações, que pela sua abrangência de contato direto com os consumidores sentem a necessidade de evoluir para corresponder à natural evolução da procura de serviços por parte dos seus públicos alvo.

De acordo com este responsável, a indústria das TIC tem um papel preponderante nesta evolução, uma vez que fornecem os meios para que as organizações se transformem e incrementem a sua produtividade. Da mesma forma, José Carlos Gonçalves valorizou a importância dos recursos especializados e do talento para que esta transformação digital tenha o impacto esperado na economia e na competitividade do país. «A valorização do talento permitirá também criar condições de investimento», sustentou este responsável.

Por sua vez, Luís Paulo Salvado, presidente da Novabase, alertou para o fato do setor público não estar a posicionar-se como devia na transformação digital, deitando por terra a posição que devia ser de liderança face a outros setores. «Há um evidente estrangulamento dos investimentos», apontou o responsável. Com menos de 6% do negócio concretizado no setor público em Portugal, Luis Paulo Salvado admitiu, no entanto, que «há mais capacidade para mudar as coisas no setor publico do que no privado e apontou ainda como inibidor a «falta de capacidade politica».

Sofia Tenreiro, diretora-geral da Cisco Portugal, concordou que o processo digital deverá ser transversal na economia, sob pena de não avançar e até criar entropias que poderão ser fatais ao mercado e aos vários stakeholders. «Ou nos reinventamos ou não sobrevivemos», afirmou esta responsável. Sofia Tenreiro reconheceu que apesar do mercado nacional ser reconhecido pela sua capacidade de aderir às novas tecnologias debate-se com um problema de gestão de investimentos. Segundo a diretora-geral da Cisco Portugal, as empresas precisam de ajuda para redefinirem os modelos de negócio e tornarem mais eficientes os seus processos, assim como os serviços que prestam aos seus clientes.

Mais do que investimentos e talento, Pedro Queirós, presidente da Ericsson Portugal, aponta a «falta de estratégia na área da inovação» como o ponto principal que coloca Portugal atrás na linha da transformação digital. De acordo com este responsável este é o momento para Portugal provar que é capaz de inovar, superando os bons exemplos do passado, como a Via Verde ou a rede multibanco. «A transformação do terabyte está aí e é o ponto de viragem que poderá originar novos exemplos de inovação que nos podem projetar», sustentou Pedro Queirós.

 

Precisa-se talento

A discussão é antiga e voltou a estar na berlinda nos debates do Congresso da APDC. «O talento é algo que escasseia em Portugal», apontou José Carlos Gonçalves, diretor-geral da CGI. De acordo com este responsável a valorização do trabalho é a única forma de valorizar o talento. «Só assim se criam condições de investimento», reconheceu o diretor-geral da CGI.

Por sua vez, João Couto, diretor-geral da Microsoft Portugal, reconheceu que existe uma oportunidade fantástica no nosso país ao nível dos centros de competências. Este responsável diz que há massa critica para este tipo de estrutura, destacando a qualidade e as capacidades do talento luso. «Criar centros de competências é uma oportunidade nacional que deve ser aproveitada, no entanto há que ter uma abordagem diferente», apontou João Couto, ao mesmo tempo que destacou o trabalho que a multinacional tem feito nesta área. «Conseguimos posicionar Portugal como um dos sete centros de competências mundiais da Microsoft, apostado na diferenciação», assumiu o executivo.


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