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Uma viagem rumo à nuvem… estará Portugal preparado?

Publicado em 17 Março 2016 | 864 Visualizações

A adoção de serviços cloud pela larga maioria das empresas nacionais deixou há muito de ser um bicho de sete cabeças.

E, se é bem verdade que nem todos os empresários lusos estarão 100 por cento preparados para fazer esta transição, não será menos verdade que «a generalidade dos responsáveis de negócio e de TI estão conscientes de que as soluções de cloud computing são fatores críticos para a agilidade de negócio e para a eficácia das operações de TI». 

É esta, pelo menos, uma das conclusões de um recente estudo sobre a nuvem levado a cabo pela IDC a nível mundial e no qual se analisa também o mercado português.  No entanto, no caso concreto de Portugal, e em comparação com a Europa Ocidental, os dados recolhidos evidenciam que «as médias e grandes organizações encontram-se atrasadas, na medida em que apenas 14% estão nos níveis mais altos de maturidade (nível gerido e otimizado), face aos 33% na Europa Ocidental».  Atualmente, estamos perante duas fases na adoção dos serviços de cloud computing em Portugal, segundo contas da IDC. Teremos, por um lado, as organizações que já iniciaram o caminho de consolidação e de normalização há cerca de cinco ou seis anos e hoje «já estão perto das fases finais da maturidade dos serviços de cloud computing» começando, por isso, «a obter ganhos significativos para o negócio». Por outro lado, temos as organizações «que iniciaram este caminho há cerca de um ou dois anos» e que, sendo assim, «estão ainda nas fases iniciais deste modelo». Por seu turno, outra realidade a ter em conta diz respeito ao facto de que «a maioria das organizações nacionais tem vindo a optar pela implementação de modelos híbridos de cloud computing» segundo defende a IDC Portugal. Outros dados revelam que «mais de 41% das organizações nacionais já procederam à contratação de serviços públicos de cloud computing» enquanto cerca de 51% das organizações nacionais «procederam à implementação de serviços privados» na nuvem. 

 

Feitas as contas, as organizações nacionais selecionam os diferentes modelos de serviços de cloud computing de acordo com objetivos vários. No caso da adoção de serviços privados, contam-se metas como «disponibilizar maior controlo das TI pelas áreas de negócio, melhorar a distribuição e serviços de TI e aumentar a rapidez de acesso a novas funcionalidades tecnológicas». Em contrapartida, «a redução do orçamento de TI, aumentar a agilidade do negócio e a reafetação de recursos humanos das TI a outros processos de negócio» são os principais objetivos para a adoção de serviços públicos de cloud computing, segundo refere o estudo da IDC. No entanto, e na generalidade dos estudos feitos pela IDC Portugal é possível perceber que a implementação de ambientes cloud «é um caminho e não um simples projeto de TI», embora a maioria das organizações inicie «este caminho com investimentos ad hoc ou oportunistas desenhados com o objetivo de testar ou comprovar o valor destes serviços e para acelerar o aprovisionamento e melhorar a produtividade de determinados grupos de utilizadores». Importa perceber que «os serviços de cloud computing são mais do que um ambiente virtualizado» e também que «os serviços híbridos são definidos como a mistura de recursos públicos e privados de cloud computing ou como a mistura de recursos cloud e recursos tradicionais», diz a IDC. A distribuição destes serviços combina um catálogo de serviços, um broker de serviços e um portal de serviços que disponibilizam acesso a recursos internos e externos de TI com uma compreensão clara do custo, valor e níveis de serviço. Nos ambientes híbridos de TI, «o catálogo de serviços é criado e atualizado, o broker de serviços identifica, estabelece o preço e racionaliza novos serviços e os utilizadores acedem às funcionalidades de TI através de um portal self-service».

 

A terceira plataforma chegou

 

Nos dias que correm, vive-se em torno de um novo paradigma tecnológico com a indústria de tecnologias de informação na emergência da terceira plataforma. Esta surge suportada pelas tecnologias móveis, pelas aplicações sociais, pelas soluções de big data e de analítica de negócio e, naturalmente, pelos serviços na nuvem. A terceira plataforma será, sem sombra de duvida, «o motor do crescimento e da inovação da indústria de TI nos próximos 20 anos e vai alterar significativamente o modo como as organizações a nível mundial disponibilizam serviços de TI aos seus utilizadores», defende a IDC.

 

Face a esta realidade, exige-se das TI empresariais a capacidade de suporte a milhares de milhões de utilizadores e de aplicações. A esta realidade, juntam-se muitos outros sistemas inteligentes (como a Internet of Things) «conectados a esta nova infraestrutura de comunicação e de partilha de informação». A IDC designa este novo paradigma como economia inteligente e acredita que o mesmo «terá um impacto profundo na generalidade dos setores de atividade». Esta economia inteligente faz-se também do efeito conjugado da globalização das atividades económicas, do crescimento da concorrência a nível mundial ou do abrandamento do crescimento económico nos países mais desenvolvidos, sendo que tudo conjugado acaba por alterar o cenário competitivo da generalidade das organizações. Nesse sentido, surge a imperativa obrigatoriedade de reduzir custos e de, em simultâneo, «encontrar novas fontes de receitas e de tornar a inovação sustentável».

 

Motivos mais do que suficientes para a migração para a cloud se assumir como uma hipótese bem viável para a larga maioria das empresas. O Ntech.news quis sentir o pulso ao mercado e tentar perceber de que forma este tipo de projetos poderá evoluir ao longo de 2016. Será que vamos finalmente assistir a uma efetiva descolagem da cloud do Governo e, a partir daí, incentivar ainda mais as empresas a avançarem? A cloud híbrida tem vindo a seduzir cada vez mais gestores, mas será que o futuro da nuvem passa, efetivamente, por este modelo? A resposta é dada pelos fornecedores de TI a atuar em Portugal que apontam ainda caminhos para a gestão da interoperabilidade e para a criação de mecanismos out-of-the-box que garantem um eficaz e efetivo funcionamento das nuvens pública e privada.

 

 

Cloud: números em Portugal

?Mais de 41% das organizações nacionais já procederam à contratação de serviços públicos de cloud computing;

?Mais de 51% das organizações nacionais já procederam à implementação de serviços privados de cloud computing;

?Cerca de 44% das organizações já procederam à contratação de serviços privados de cloud computing em regime de hosting;

?A maioria das organizações tem vindo a optar pela implementação de modelos híbridos de cloud computing;

?Apenas uma reduzida minoria dos inquiridos revelou que não tinha interesse na adoção destes serviços.

(Fonte: IDC Portugal)


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Atualidade

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