Partilhe nas Redes Sociais

Agentes de IA ganham protagonismo nas empresas

Publicado em 18 Julho 2025 | 373 Visualizações

Já não se trata apenas de automatizar tarefas: os agentes de Inteligência Artificial estão a redesenhar por completo a forma como as empresas operam, comunicam e crescem. Com mais de metade das organizações a nível global a adoptar estes sistemas, e muitas outras a explorar ativamente novas aplicações, a transformação tecnológica deixou de ser uma promessa e passou a ser uma estratégia vital.

O mais recente estudo da Boston Consulting Group (BCG), “IT Spending Pulse: AI Agents and GenAI Reshape Priorities”, revela que 58% das organizações globais já recorrem a agentes de IA, enquanto 35% analisam ativamente casos de uso relevantes para os seus contextos.

«Os agentes de IA não se limitam a automatizar tarefa, transformam jornadas inteiras, com ganhos muito superiores em eficiência, qualidade da decisão e experiência do cliente», afirma Tiago Kullberg, managing director e partner da BCG em Lisboa. Segundo ele, desbloquear este valor «exige foco estratégico: 70% do esforço está na transformação de processos e pessoas, e só 30% depende de dados, tecnologia e algoritmos».

O estudo aponta o atendimento ao cliente como o domínio mais consolidado (53%), seguido pela análise de dados (40%), desenvolvimento de produto (28%), marketing (27%) e segurança e prevenção de riscos (26%). Contudo, começam a emergir novos domínios promissores, como o Know Your Customer e o perfil do investidor (19%), comunicação externa (13%) e cadeia de abastecimento (12%). A fase experimental foi ultrapassada: os agentes de IA estão hoje a ser aplicados para gerar ganhos reais de eficiência e produtividade.

Outro dado revelador é o retorno sobre o investimento (ROI). Empresas com maior maturidade em IA esperam um ROI médio de 13,7% com a adoção de agentes de IA, um valor que supera em 1,1% o retorno das aplicações tradicionais de Inteligência Artificial.

Orçamentos tecnológicos: IA é prioridade

Com a transformação digital em aceleração, as empresas estimam um crescimento de 4,6% nos seus orçamentos de tecnologia em 2025, um salto significativo face aos 3,5% registados no ano anterior. As áreas que deverão receber mais investimento são:

  • Inteligência Artificial e IA Generativa (48%)
  • Serviços na cloud (36%)
  • Cibersegurança (29%)
  • Análise de dados (21%)

Pelo contrário, prevê-se uma redução nos investimentos em infraestruturas de servidores (–26%), dispositivos (–21%) e gestão de sistemas e serviços (–19%), fruto de uma realocação para tecnologias emergentes e de maior potencial estratégico.

5 prioridades da estratégia tecnológica empresarial

O estudo da BCG identifica cinco áreas críticas onde as empresas estão a concentrar os seus esforços:

  1. Modernização da infraestrutura para suportar IA em escala, permitindo maior capacidade de resposta e crescimento.
  2. Capacidades avançadas de análise e IA preditiva, com foco na tomada de decisões baseada em dados.
  3. Cibersegurança robusta, com destaque para modelos zero trust e proteção de endpoints.
  4. Automatização de processos críticos, que visa eliminar ineficiências e acelerar operações.
  5. Transformação da experiência do cliente, através de interações hiperpersonalizadas baseadas em IA.

Um outro artigo da BCG, “AI Agents Can Be the New All-Stars on Your Team”, reforça a ideia de que os agentes de IA trazem valor quando há uma reconfiguração inteligente dos processos internos. Isto exige uma reestruturação da arquitetura operacional, eliminando etapas desnecessárias e promovendo fluxos de trabalho mais eficientes.

Para isso, é essencial:

  • Codificar o conhecimento interno e boas práticas;
  • Garantir a qualidade dos sistemas e dados;
  • Implementar mecanismos robustos de gestão de risco, com validação contínua dos modelos;
  • E, por fim, personalizar os agentes de IA para que estes estejam perfeitamente alinhados com os processos, dados e objetivos específicos de cada empresa.

A vantagem não está apenas em ter acesso à tecnologia, mas em saber integrá-la de forma estratégica, responsável e diferenciadora,com vista à criação de valor e de vantagens competitivas.  


Publicado em:

Negócios

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados