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A chave para a mudança cultural nas empresas está na comunicação

Jan Wildeboer, evangelista de Open Source, Red Hat

Publicado em 18 Novembro 2020 | 176 Visualizações

Há um velho ditado que diz ‘um problema partilhado é meio caminho andado’. Isto aplica-se a vários aspetos da vida, mas sobretudo às grandes organizações que dependem de infraestruturas digitais complexas. Só quando trabalhamos em conjunto podemos compreender um problema e avançar rumo à sua resolução. No entanto, os tempos mudaram. Quando discutimos a colaboração a nível empresarial, o ditado devia ser: ‘um problema partilhado, debatido e analisado, deixa de ser um problema’. Na verdade, torna-se a solução. E uma solução que traz benefícios a todos, desde o programador até ao utilizador final.

Hoje em dia, quando surge uma tendência tecnológica, muitas empresas respondem de imediato em vez de pensarem no longo prazo. Porque não? Quando se tem uma empresa digital que está a crescer exponencialmente, faz sentido selecionar software ‘pronto a usar’ para responder a uma necessidade específica. No entanto, a dependência destas soluções proprietárias faz com que se perca para terceiros conhecimentos e experiências inestimáveis. Ao longo do tempo, isto faz com que se torne mais difícil a adaptação de soluções à medida.

Mas em vez de procurar fora da organização, a empresa deve unir-se para desenvolver soluções positivas. Soluções sustentáveis de que todos os envolvidos se possam orgulhar – uma nova filosofia organizacional que se transformou num processo estratégico conhecido como Culture-as-a-Service (CaaS). Ao longo da última década, emergiram vários modelos ‘as-a-service’ na cloud. A CaaS procura dar resposta à implementação prática destas soluções de modo a fornecer um enquadramento holístico que facilita a inclusão, o debate, a partilha de conhecimentos e as boas práticas. A CaaS contribui para criar uma organização aberta em que as ideias e a colaboração prosperam.

A CaaS não advoga que se ponham de parte as soluções proprietárias. Longe disso. Ela dá nova ênfase ao investimento nas pessoas e nos processos. Ao fazê-lo, as organizações recorrem a recursos internos para construir soluções compatíveis com as funcionalidades de que precisam, aumentando e melhorando o software de nível empresarial com base no conhecimento colectivo e na sabedoria das pessoas que o vão utilizar. O efeito de dominó é que, no fim, a empresa terá a confiança e a capacidade de construir as suas próprias soluções nativas da cloud. Haverá um período de tentativa e erro, mas conhecimentos e competências vitais irão desenvolver-se in-house e permanecer aí.

Haverá sempre alguma necessidade de contratar competências externas. As empresas precisam de especialistas que as ajudem em múltiplas disciplinas. Porém, considerando o quanto o departamento TI se tornou parte integrante da empresa moderna, não deve ele assumir-se como um centro de inovação que impulsiona a empresa a avançar, em vez de ser um centro de custos que precisa, com regularidade, de contratar externamente funções essenciais?

No fundo, a CaaS altera a percepção sobre as TI, para que passem a ser encaradas como um motor da inovação. No entanto, a transição requer que tanto este departamento como o seu homólogo empresarial coloquem as suas divergências de lado e se sentem à mesa para começar a planear e a construir para o futuro. Neste processo é essencial encontrar uma língua comum que possa ser usada para abordar e resolver problemas em conjunto – o debate não deve ser dirigido pela tecnologia, deve focar-se na aplicação prática das ferramentas.

A CaaS une as pessoas, ajudando-as a compreender que estão a trabalhar no mesmo sentido, que pretendem alcançar objetivos similares. Quando as pessoas começam a falar, começam a partilhar ideias e a colaborar. Isto cria ferramentas e plataformas comuns, reduzindo os custos e acelerando o tempo de comercialização. A comunicação é essencial, porque permite que as pessoas se encontrem a meio caminho. E quando isso acontece… o problema resolve-se!


Publicado em:

Opinião

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