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A luta contra as alterações climáticas também envolve a Blockchain

*Markus Franke, Diretor da Celo Europa e Slobodan Sudaric, Partner na cLabs

Publicado em 24 Junho 2022 | 120 Visualizações

A sustentabilidade deixou de ser opcional para as empresas e tornou-se uma questão estratégica para as que querem poder continuar a pensar a longo prazo. Em termos ambientais, definir uma estratégia net zero, que torne as atividades comerciais neutras em carbono, é o que está a prevalecer a nível global. Temos o exemplo mais próximo na Europa, onde a UE se comprometeu a reduzir as suas emissões em 55% até 2030 e alcançar a neutralidade climática até 2050.

Neste caminho rumo à descarbonização, as empresas normalmente têm de alterar os seus processos de produção, mas não podem fazê-lo de um dia para o outro. Desta forma, para compensar (pelo menos a curto prazo) as suas emissões de gases de efeito de estufa (GEE), frequentemente recorrem ao Mercado Voluntário de Carbono (MVC) para compensar as suas emissões de GEE com a compra e cancelamento de créditos de carbono, que representam CO2 que foi removido da atmosfera ou que nunca chegou a ser emitido.

Depois de um período relativamente calmo resultado da crise financeira, o MVC reemergiu em força em 2018 quando o seu volume duplicou atingindo $296 milhões. Estimativas recentes indicam que o MVC possivelmente ultrapassou $1.000 milhões em 2021 e especialistas do setor preveem que a procura de compensações de carbono aumentará entre 1,1 e 3,6 mil milhões de toneladas por ano até 2050. Para contextualizar estes números, a procura acumulada entre 2005 e 2021 foi ligeiramente mais de 1,7 mil milhões de toneladas.

Slobodan Sudaric, Partner na cLabs

Como a Web3 pode impulsionar o mercado de compensações de carbono

Em 2021 o MVC estava a passar por uma fase de crescimento sem precedentes e estava prestes a ultrapassar $1.000 milhões em volume de transações anuais. Na altura, começaram a surgir iniciativas de apoio a empreendedores e startups que trabalham na web3 para o combate às alterações climáticas. Associar ativos digitais nativos à blockchain, como por exemplo as stablecoins, ao capital natural, foi uma das medidas tomadas. À medida que a procura destes ativos estáveis aumenta, estas entidades acabam por gerar uma procura contínua e incremental de créditos de carbono e agindo assim como um compradores de grande escala no MVC. 

A tecnologia web3 pode também ajudar a resolver os problemas estruturais do MVC, tais como as falhas do mercado e a liquidez limitada que tem historicamente impedido uma colaboração mais vasta. Vários intermediáriostrabalham no ponto de interseção entre o MVC e a web3, permitindo a entrada de créditos de carbono na blockchain e facilitando o rápido crescimento de soluções para as alterações climáticas, fornecendo acesso ao mercado e melhorando a infraestrutura do mercado para aumentar a sua transparência e liquidez.

A atividade atual do MVC corresponde apenas a uma pequena fração do mercado mais vasto da web3. Mas tendo em conta o potencial do mercado e as suas inovações tecnológicas, a web3 apresenta oportunidades reais para o MVC em termos de atrair novos compradores e, por sua vez, novos developers, estimulando assim a ação imediata tão necessária para fazer face às alterações climáticas.


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Opinião

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