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Bosch alia-se à Microsoft e à NVIDIA para redefinir o cockpit com IA

Publicado em 7 Janeiro 2026 por Ntech.news | 385 Visualizações

A indústria automóvel já entrou numa nova fase estrutural, em que a inteligência artificial (IA) passa a organizar a experiência de condução, a interação com o condutor e a gestão do próprio habitáculo. É neste contexto que a Bosch apresenta a sua nova “plataforma de extensão de IA”, uma unidade de computação concebida para levar capacidades avançadas de inteligência artificial às próximas gerações de veículos.

Em vez de acrescentar funcionalidades isoladas, a abordagem da Bosch propõe um cockpit capaz de compreender contexto, aprender rotinas e adaptar-se às preferências individuais de cada condutor. O automóvel deixa, assim, de funcionar como um conjunto de sistemas independentes e passa a operar como um ambiente digital integrado, orientado pela IA e centrado na experiência do utilizador. Segundo Markus Heyn, membro do conselho de administração da Bosch e presidente da Bosch Mobility, a nova plataforma de extensão de IA permite «atualizar rápida e facilmente os sistemas de cockpit existentes com funções avançadas de inteligência artificial, tornando a experiência de condução mais cómoda, intuitiva e segura para todos os ocupantes do veículo».

Na prática, funcionalidades como um assistente de voz com inteligência artificial, navegação contextual e opções de entretenimento adaptativas passam a estar integradas de forma coerente. Um simples comando, como “Estou com frio”, pode acionar em simultâneo o aquecimento dos bancos e o ajuste automático da climatização, sem necessidade de múltiplas intervenções do utilizador.

Produtividade dentro do veículo

Uma das aplicações estratégicas da IA passa por transformar o tempo passado no automóvel, tradicionalmente improdutivo, em tempo útil de trabalho, sem comprometer a segurança. Em parceria com a Microsoft, a Bosch está a integrar o Microsoft Foundry e funcionalidades específicas para o habitáculo, permitindo acesso à suite Microsoft 365 de forma contextual e segura. As aplicações passam a comunicar com outros domínios do veículo para minimizar distrações e dar prioridade à condução.

Por exemplo, poderá ser possível iniciar uma chamada no Microsoft Teams através de comando de voz, e o sistema pode ativar proativamente o cruise control adaptativo, reduzindo a carga operacional do condutor. O resultado é uma experiência de “escritório móvel” pensada para utilizadores que percorrem longas distâncias ou que utilizam o automóvel como extensão do seu espaço de trabalho.

Plataforma pensada também para veículos em circulação

Do ponto de vista tecnológico, a nova “plataforma de extensão de IA” foi desenhada para ser aplicada também em veículos existentes, sem necessidade de alterações ao hardware ou à arquitetura de sistema. A base é o sistema em chip NVIDIA DRIVE AGX Orin, que suporta aplicações complexas de inteligência artificial no cockpit. A plataforma recorre à tecnologia NVIDIA CUDA, padrão do setor, permitindo aos fabricantes integrar os seus próprios modelos e agentes de IA. Com uma capacidade adicional entre 150 e 200 tera operações por segundo (TOPS), a unidade pode ser ligada por interfaces simples de alimentação e Ethernet e admite refrigeração ativa por ar ou líquido.

Para acelerar o desenvolvimento e a gestão do ciclo de vida da IA, a Bosch utiliza as suites de software da NVIDIA, incluindo o framework NVIDIA NeMo. Isto viabiliza a integração de aplicações avançadas no habitáculo, como processamento de sensores em tempo real e modelos de linguagem visual (VLM). As capacidades de voz e raciocínio, suportadas pelos modelos NVIDIA Nemotron, garantem compreensão contextual, raciocínio em múltiplos passos e interações naturais com o utilizador. Em paralelo, através do Microsoft Foundry, a Bosch desenha e gere a IA do veículo, assegurando uma experiência de assistente escalável e permanentemente atualizada.

Um mercado em rápido crescimento

A aposta da Bosch está alinhada com a evolução do mercado global de infotainment automóvel baseado em IA. De acordo com estimativas de institutos como a Grand View Research e da MarketsandMarkets, o segmento de soluções de infotainment em veículos baseadas em inteligência artificial (IVI) deverá atingir cerca de 17 mil milhões de euros em 2030.

A empresa alemã pretende assumir um papel ativo neste ecossistema. A meta é ambiciosa e passa por alcançar vendas superiores a dois mil milhões de euros com soluções IVI até ao final da próxima década e posicionar-se entre os três principais fornecedores mundiais neste domínio. «Graças à ‘plataforma de extensão de IA’, no futuro será possível implementar novas funcionalidades no veículo de forma muito mais rápida», sublinha Markus Heyn.


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