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«Ainda há muito espaço para crescermos no mercado de PC»

Publicado em 19 Janeiro 2018 por Ntech.news - Ana Rita Guerra | 389 Visualizações

As consultoras não se entendem quanto ao que está a acontecer no mercado de computadores, mas quaisquer que sejam os números consultados a tendência é clara: os dias de crescimento robusto acabaram. As perspetivas diferem entre a Gartner e a IDC, que contabilizam volumes ligeiramente diferentes – a primeira registou remessas de 71,55 milhões de unidades no quarto trimestre de 2017, uma quebra de 2% face ao ano anterior, e a IDC aponta para remessas de 70,579 milhões, uma subida de 0,7% em relação aos seus números de 2016.  As três principais fabricantes, HP, Lenovo e Dell, dominam 60% do mercado.

A divergência não é tremenda em termos absolutos. Empresas e consumidores compram cada vez menos computadores, desde workstations a portáteis, e os ciclos de substituição são longos. O facto de 2017 não ter sido tão mau como as consultoras esperavam inicialmente deveu-se sobretudo a uma procura mais consistente por parte das empresas, que investiram em upgrades, e a um melhor comportamento das regiões emergentes.

Foi neste contexto que conversámos com o vice presidente senior da Dell para o mercado de consumo, Ray Wah. A marca aproveitou o palco da feira tecnológica CES 2018, em Las Vegas, para introduzir os seus novos topos de gama: o XPS 13 e o XPS 15, dois portáteis com características de hardware e design com potencial para diferenciar a marca num mercado saturado.

«Continuamos a elevar a fasquia na inovação», resume Wah, em entrevista à Ntech.news, destacando «o nível de desempenho que está dentro da caixa bem como a arte e o design em que investimos por fora.»

O que salta à vista nos novos XPS é a quase ausência de rebordo: uma espessura tão ínfima que parece que o ecrã não termina. A textura do corpo do portátil é também notável. Na conferência de imprensa durante a CES, o vice chairman da marca Jeff Clarke detalhou o processo com que chegaram a este material. «É como uma fibra, suave ao toque mas forte e resistente ao calor.»
O XPS 13 foi a estrela do evento: 2.2 vezes maior performance, 30% mais fino, com 19 horas de autonomia e mais compacto, ecrã “infinite edge” 4K e 8ª geração de processadores Intel.

No entanto, desta vez a proposta de valor mais interessante esteve no software, e aí pode estar a chave para o seu crescimento. A marca introduziu a solução Mobile Connect, que permite espelhar qualquer smartphone num portátil Dell. «O consumo de conteúdos está a mover-se da televisão para os ecrãs pessoais», indica Wah, exemplificando com o seguinte cenário: uma pessoa que esteja sempre a olhar para o telefone é chata. Mas se a pessoa estiver a falar com alguém e a teclar no computador, não ofende o interlocutor. A ideia é então usar o smartphone sem tocar nele, virtualizando-o no portátil.

«Sabemos que as pessoas estão sempre a fazer múltiplas tarefas ao mesmo tempo, por isso tornámos o ecrã do telemóvel reproduzível no ecrã do computador», explica. «A solução não gasta bateria, não interrompe, é muito conveniente. O que se pode fazer no telefone em muitos casos pode ser feito muito melhor no PC», acrescenta.

Este é um dos trunfos da Dell para tentar conquistar mercado este ano. Em 2017, a marca ficou em terceiro no ranking das maiores fabricantes de computadores do mundo. Tem 16,1% de quota de mercado mundial, segundo a IDC, e 15,2% segundo a Gartner, com cerca de 40 milhões de computadores vendidos. Em primeiro aparece a HP, com 21%-22,7% de quota, e a seguir a Lenovo, entre 20,8% e 21,1%.

O que estes números mostram, diz Wah, é que as três principais fabricantes capturam cerca de 60% do mercado. A Dell acredita que esta tendência irá reforçar-se nos próximos anos, já que a concorrência – Apple em quarto, Acer em quinto e Asus em sexto – tem quotas inferiores a 8%. Aliás, a Apple foi a única que cresceu, 5,9%; todas as outras perderam território e venderam menos.

«Ainda há muito espaço para crescermos no mercado de PC», diz Wah, «simplesmente ganhando mais quota de mercado.» O executivo diz que a marca continua a ver muitas oportunidades neste negócio e está focada em «liderar em inovação.»

Wah salienta ainda outro ponto: as pessoas estão dispostas a pagar mais por computadores que antes, tal como acontece com smartphones, mas não se pode vender o mesmo tipo de computador por preços mais elevados. «As pessoas estão a perceber que existe inovação e coisas diferentes na experiência de computação. E também que o computador não vai a lado nenhum, porque ainda precisamos de um teclado, de um ecrã maior.»

No que toca aos mercados maduros, Wah defende que o mercado de substituição está sempre a renovar-se e que existe ainda «uma grande oportunidade entre as pessoas que estão a passar do desktop para o portátil.» Por outro lado, nos mercados emergentes há uma geração de utilizadores que sobreviveu com tablets e agora está a perceber que não consegue fazer neles muito trabalho.

«Se quisermos diminuir a divisão digital nos países emergentes, as pessoas têm de aprender a usar uma folha de cálculo, como fazer uma busca na internet, como criar um perfil numa rede social, como escrever um currículo. Isso não vai ser feito num telefone», salienta. «Há muitas oportunidades. Não achamos que este espaço esteja a diminuir.»


Publicado em:

Mobilidade

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