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Desafios às TIC e a todos nós, precipitados pelo Coronavírus

Bruno Banha, Solutions Design & Warpdev director na Warpcom

Publicado em 1 Abril 2020 | 1290 Visualizações

Estes tempos fazem-nos lembrar como a natureza é uma entidade superior e quando quer consegue ultrapassar-nos, obrigando-nos a evoluir constantemente para podermos enfrentar os desafios que nos coloca. Já foi assim com os nossos antepassados e, apesar de termos mais meios à nossa disposição, continuamos a ter de nos desafiar e muitas vezes a ter inclusivamente de nos reinventar.

Como demonstrou Charles Darwin, na teoria da evolução por seleção natural, os que sobrevivem e ultrapassam as dificuldades não são os mais fortes ou mais inteligentes, mas aqueles que têm maior capacidade de adaptação.

Nos dias de hoje, os ciclos de mudança e incerteza são cada vez mais rápidos e constantes. De tal forma que sabemos que vamos ter muitos mais pela frente e por isso devemos estar preparados para os ultrapassar, com lideranças fortes, meios adequados e colaboradores aptos.

1. Liderança

Em qualquer área, o exercício de planeamento e de definição da estratégia passa pela antecipação de cenários e conjunturas, delineando a partir daí os próximos passos da organização para que esta seja capaz de responder de forma dinâmica, assertiva e competente aos desafios que se impõem. O exercício não é simples, como aliás os recentes acontecimentos o comprovam. Assim, em função da previsibilidade, mas principalmente da imprevisibilidade, há que garantir a continuidade do negócio, a segurança dos colaboradores, a flexibilização do trabalho, o acesso seguro a dados e fluxos de informação, tudo isto disponibilizando os ambientes e aplicações necessários às exigências do trabalho.

Bruno Banha, Solutions Design & Warpdev director na Warpcom

2. Meios (tecnológicos)

A eficiência e produtividade dependem da capacidade da força de trabalho e dos meios à sua disposição. A tecnologia tem um papel fundamental na transição digital, ou por outras palavras na inevitável digitalização para a qual toda a sociedade e setores de atividade caminham (da agricultura à aeroespacial, às cidades digitais, às Fintechs e a tantos outros exemplos).

A disponibilização de dados e informação, através da monitorização e medição de toda atividade, permite com a Internet of Things (IoT) transformar por completo a visão e perceção da atividade, trazendo assim inúmeras vantagens competitivas e um conhecimento mais detalhado e real do negócio. Consequentemente, permite uma melhor preparação para superar as adversidades de momentos como o que atravessamos.

  • A infraestrutura

Para podermos usufruir de toda esta informação temos de ter as infraestruturas adequadas para que os dados possam fluir até ao seu destino e se transformem em conhecimento e decisões. As infraestruturas/redes de comunicações têm de ser adaptáveis e responsivas em função das necessidades das organizações, do negócio e/ou do meio envolvente. Estas redes são conhecidas por redes definidas por software ou  Software Defined Networks (SDN).

  • A segurança

A facilidade de acesso à informação coloca grandes desafios do ponto de vista da segurança e do volume de dados. Não basta garantir que a informação é encriptada através de redes privadas virtuais (VPNs), pois muitas vezes a fragilidade está no acesso e não no transporte. Uma das formas de mitigar o risco é adicionar outro fator de autenticação, conhecido por Multi Factor Authentication (MFA): algo que sei (password), algo que tenho (dispositivo) e/ou algo que sou (biometria).

  • A computação e armazenamento

Para fazer face ao grande volume de dados gerados pela digitalização da atividade (Big Data), é necessária capacidade de armazenamento e de computação para o seu tratamento, colocando-se questões como a sua localização e compliance. Existem múltiplas soluções que passam por desenvolver o(s) próprio(s) data center(s), ou por utilizar soluções mais rápidas e flexíveis como são a cloud ou a multicloud.

  • A inteligência

Um dos grandes desafios do elevado volume de dados é a dificuldade de interpretação/análise, para tomada de decisões rápidas e precisas. Duas das áreas que mais têm evoluído nos últimos anos têm sido a Data Science e a Inteligência Artificial (IA), uma vez que disponibilizam automatismos e capacidade preditiva para auxiliar no modo de atuação e gestão do negócio, desenvolvendo novas oportunidades e inovação.

  • O Ecossistema

Atualmente, as organizações dependem em grande escala dos seus sistemas informáticos e da informação gerada. Para que a normal atividade não seja impactada, há necessidade de articular com entidades especializadas, que pela sua natureza e foco são mais capazes no que diz respeito à operacionalização, gestão e proteção dos ambientes TIC. Ao contratarem serviços geridos e especializados (ex: Network Operations Center e Security Operations Center), as organizações reduzem o risco a que estão expostas e garantem uma maior resiliência do seu negócio (core business) face às adversidades. Estas entidades especializadas devem ser vistas como parceiros de um ecossistema que a todos beneficia.

3. Colaboradores

Os colaboradores somos todos nós que vemos a digitalização começar a entrar nos nossos hábitos e a mudar os nossos processos e formas de trabalhar. Obviamente nem todos os trabalhos podem ser remotos, mas seguramente muitos deles estão já a adaptar-se e a evoluir para o mundo digital. A verdade é que essa evolução é muitas vezes mais rápida do que a nossa capacidade de mudar. São maioritariamente situações disruptivas ou crises que nos fazem globalmente como sociedade dar o salto e começar uma nova era, um novo caminho, um novo paradigma.

O trabalho remoto já é uma realidade em muitas empresas, embora os estágios de adoção possam diferir de caso para caso. Temos empresas que já integraram totalmente o trabalho remoto nas suas práticas, assumindo a dianteira da transição digital; outras em que apenas algumas áreas dentro da empresa o fazem; e por fim empresas que ainda resistem a esta forma de trabalhar por questões de cultura corporativa e/ou de falta de meios que a permitam pôr em prática.

é muito importante que haja um trabalho de sensibilização comunitária dos riscos existentes e uma gestão de TIC que assegure a proteção dos utilizadores no acesso aos conteúdos

O sucesso desta transição depende também da adoção da comunidade (colegas, fornecedores e clientes): a assinatura digital de um documento, uma reunião remota para fechar uma negociação, a partilha de conhecimento através de plataformas de colaboração, o trabalho em equipa utilizando um quadro interativo e desmaterializado, etc..

Para estarmos preparados para situações adversas é necessário criar a cultura e o hábito dentro das organizações. Tem de ser uma adoção abrangente e não setorial ou geracional.

O meio digital é um meio muito aberto. Começa agora a surgir alguma regulamentação, mas é ainda insuficiente para nos dar as garantias de confiança e segurança que são necessárias para colocarmos o nosso trabalho, os nossos bens e as nossas identidades digitais sobre ele, e por isso temos de estar atentos e conscientes dos perigos inerentes.

Por tudo isto, é muito importante que haja um trabalho de sensibilização comunitária dos riscos existentes e uma gestão de TIC que assegure a proteção dos utilizadores no acesso aos conteúdos.  Apenas desta forma se cria um ambiente de confiança, independentemente do colaborador, da forma de acesso e do dispositivo utilizado. De facto, atualmente o perímetro de segurança deve ser alargado a qualquer sítio (Wi-Fi da empresa, de casa ou do espaço público) e a qualquer dispositivo (computador, tablet, smartphone ou smartwatch).

Conscientes da situação atual, devemos ter a convicção de que quanto mais rápido nos adaptarmos, melhor enfrentaremos e ultrapassaremos esta e futuras crises que nos apareçam pela frente.


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