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Empresa portuguesa reclama tecnologia inovadora para gerir redes IoT. E já está a usá-la

Publicado em 28 Outubro 2019 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 661 Visualizações

Há uma empresa na Figueira da Foz a reinventar-se com uma tecnologia inovadora que pode ter um lugar central na história das cidades inteligentes, acreditam os responsáveis do projeto, que nasceu há mais de 20 anos no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra. 

Neste percurso de duas décadas, a investigação manteve um lugar de destaque na CWJ e tem sido o combustível da estratégia, que já foi reinventada algumas vezes para se adaptar às mudanças do mercado.

Foi através dela que a empresa desenvolveu um protocolo pioneiro a nível mundial para ligar dispositivos em infraestruturas inteligentes, que podem ser um edifício, um armazém ou uma cidade, por exemplo. A tecnologia chama-se AfE-EA e é um protocolo para redes sem fios, que se distingue de outros formatos para redes IoT pela quantidade de dispositivos que permite ligar, ou pelo baixo consumo energético, que reflete uma capacidade de computação reduzida para funcionar. 

Protocolo da CWJ cobre falhas de outras tecnologias 

Esta última característica é um dos grande trunfos da tecnologia, que assim se torna uma solução viável para ligar dispositivos no subsolo, em caves ou noutros locais onde o acesso a energia e conectividade é limitado. 

Uma das áreas onde já está a ser usada – na monitorização de redes de água – tem precisamente este tipo de desafio, já que nem todos os pontos a monitorizar para garantir uma gestão eficiente da rede estão em locais acessíveis, explica ao Ntech.News Luís Tavares, co-CEO da empresa.

O protocolo que a CWJ desenvolveu e já patentou – nas componentes em que é possível fazê-lo – é a base para criar redes (AFE) que podem dar suporte a sistemas integrados de gestão de eficiência para grande infraestruturas ou a sistemas de sensorização para as mais diversas áreas, da iluminação à recolha de resíduos urbanos, entre outras. Sempre com o objetivo comum de «melhorar a eficiência e reduzir o consumo elétrico», sublinha Luís Tavares. Na área da iluminação, o responsável assegura que as poupanças chegam aos 70 a 90%.   

Gestão inteligente de redes de distribuição de água podem ser o salto para a internacionalização

Noutros sectores a empresa começa a dar os primeiros passos, como no da água, mas é por aí que antecipa a internacionalização, que já estará a ser preparada. Na Figueira da Foz arrancou já este ano com um projeto para a Águas da Figueira, que monitoriza dispositivos na rede e dá informação à companhia e aos clientes, sobre consumos, leituras e situações anómalas, como fugas ou ruturas. Do lado do consumidor, o projeto (Conta Gotas) tem por base os 4 mil contadores inteligentes já instalados no concelho. A dois anos o objetivo é chegar a todos os clientes. 

Luís Tavares, co-CEO da CWJ.

Entretanto a empresa está a negociar novos contratos nesta área e admite que as redes de distribuição de água são um dos domínios onde quer explorar o potencial da sua tecnologia,  aplicada a sistemas de gestão eficiente (WaterAMI).

Neste contexto, a CWJ quer aumentar a base de clientes em Portugal, mas está também disposta a abrir o capital a novos investidores e reunir condições para novos voos noutras geografias, revelou Luís Tavares. 

O gestor reconhece mesmo que a empresa já está à procura de novos investidores e também admite que a CWJ venha a percorrer outros caminhos para disseminar a nova tecnologia, seja criando soluções específicas para diferentes sectores e necessidades, ou fazendo parcerias com outros fabricantes interessados em integrar a tecnologia nos seus produtos. 

A origem do negócio nos eletrodomésticos 

 A CWJ está no mercado há mais de 20 anos. Começou por desenvolver appliances de eletrónica para eletrodomésticos de média e alta gama, para equipamentos de vários fabricantes e pelo caminho fabricou telefones fixos com funcionalidades avançadas (SMS) para a Portugal Telecom. 

Em 2008 os fabricantes de eletrodomésticos começaram a deslocalizar a produção para a Turquia e para Marrocos e o negócio quase desapareceu. A empresa viu-se obrigada a repensar o posicionamento e virou-se para a iluminação LED e para o desenvolvimento de luminárias LED com eletrónica. Especializou-se na iluminação indoor e entrega hoje soluções chave-na-mão, que produz na Figueira da Foz, para grandes clientes na área da logística, distribuição ou indústria, como o Intermarche, Torrestir ou o grupo Rangel.

Foi aliás para criar uma oferta para este mercado que a empresa começou a trabalhar num novo protocolo de comunicações. Nasceu o AfE que, consoante o dispositivo que o acolha, pode funcionar até 15 anos e que serve de base a redes do tipo Mesh, ou em malha, onde cada dispositivo ligado é uma peça da infraestrutura que faz a rede funcionar. 

Num contexto de cidades inteligentes, o protocolo da CWJ permite “chamar” para uma mesma rede dispositivos de diferentes infraestruturas, suportados em protocolos distintos (via gateway) e consegue fazê-lo com custos mais baixos que os de outras soluções, assegura Luís Tavares e, como tal com um retorno rápido do investimento. Por tudo isto, o Co-CEO da CWJ acredita que a empresa pode ser o próximo unicórnio português e garante que não está sozinho. Auditores internacionais (da comunidade EIT InnoEnergy) já avaliaram a empresa e em consequência a CWJ foi convidada para integrar o seu programa BOSTWAY, destinado ao apoio de empresas com elevado potencial de crescimento, revelou-nos o responsável.


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