Encord capta 60 milhões para escalar infraestrutura de dados para physical AI
A Encord assegurou uma ronda de financiamento Série C no valor de 60 milhões de dólares, elevando para 110 milhões de dólares o total de capital angariado. A operação marca uma nova fase de expansão da plataforma, num momento em que os sistemas de physical AI entram em produção à escala.
A ronda foi liderada pela Wellington Management e contou com a participação dos investidores existentes Y Combinator, CRV, N47, Crane Venture Partners e Harpoon Ventures, bem como de novos investidores europeus, incluindo a Bright Pixel Capital e a Isomer Capital.
Dados multimodais
A Encord desenvolve uma plataforma de infraestrutura de dados AI-native que permite às equipas de inteligência artificial gerirem, organizarem, anotarem e alinharem grandes volumes de dados multimodais, vídeo, imagem, áudio, sensores, 3D e LiDAR, fundamentais para sistemas de physical AI. Trata-se de um domínio onde as plataformas legacy revelam limitações estruturais.
Robots, veículos autónomos, drones e outros sistemas que operam no mundo físico dependem de dados complexos e heterogéneos para treino, validação e melhoria contínua. Com a passagem da fase experimental para ambientes de produção, a exigência ao nível da qualidade, consistência e curadoria desses dados tornou-se crítica.
Analistas estimam que mais de 400 milhões de robots com tecnologia IA entrarão em funcionamento nos próximos quatro anos e que o mercado de physical AI ultrapassará os 30 mil milhões de dólares no mesmo período.
Escalar produto e presença internacional
O novo financiamento permitirá reforçar o desenvolvimento do produto e expandir a presença em novos mercados, acompanhando a crescente adoção de sistemas de physical AI em ambiente produtivo. Nos últimos doze meses, a tração operacional da empresa intensificou-se. O volume de dados na plataforma aumentou de 1 para mais de 5 petabytes, que é mais do triplo do volume de dados utilizado no treino do GPT-4, enquanto a receita proveniente de clientes de physical AI cresceu dez vezes no mesmo período.
« Em physical AI, o verdadeiro desafio não é o modelo, mas a preparação dos dados. É possível ter o modelo mais sofisticado do mundo, mas ele falhará se os dados que o alimentam forem incompletos, inconsistentes ou desalinhados com as condições do mundo real. É esse o problema que resolvemos», explica Ulrik Stig Hansen, cofundador e co-CEO da Encord.
Eric Landau, cofundador e co-CEO da Encord, acrescenta que o financiamento vai acelerar o desenvolvimento do produto e a expansão para novos mercados. «As empresas que têm sucesso em physical AI entendem algo que outros começam apenas agora a perceber: um modelo é tão bom quanto os dados que o suportam.»
Aposta estratégica dos investidores
Para os investidores, a infraestrutura de dados tornou-se um elemento estruturante da cadeia de valor da inteligência artificial aplicada ao mundo físico. Enquanto a primeira vaga de generative AI se focou no mundo digital e na linguagem, a próxima fronteira está na physical AI, ou seja, sistemas que interagem com o mundo real e físico. Mas, Pedro Pinheiro, Principal na Bright Pixel, explica que «o maior obstáculo para esta transição não é o acesso a mais poder computacional nem os modelos, mas a qualidade e a curadoria de dados complexos e multimodais».
Para este responsável, a Encord é neste momento a plataforma de dados de eleição para equipas que levam a IA do laboratório para o mundo real. «Estamos muito entusiasmados por apoiar a equipa nesta próxima etapa de expansão global», afirma Pedro Pinheiro.
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