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Europa pode liderar na Inteligência Artificial? CE diz que sim e revela estratégia

Publicado em 26 Abril 2018 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 258 Visualizações

Sage inteligência artificial

A Comissão Europeia apresentou uma iniciativa para a inteligência artificial, onde revela os traços gerais de uma estratégia para a Europa, que até final do ano se converte num plano de ação coordenado para 25 países da região, Portugal incluído.

É uma resposta aos pedidos dos dirigentes europeus e um caminho para que a União Europeia consiga tirar partido das vantagens competitivas, que hoje tem em várias áreas onde a tecnologia terá um papel crucial e não se deixe ultrapassar pela concorrência.

«O principal objetivo consiste em maximizar o impacto do investimento a nível nacional e da UE, fomentar a cooperação em toda a UE, trocar boas práticas e definir em conjunto o caminho a seguir para assegurar a competitividade global» da região, diz o documento, que aponta as ideias e detalha os recursos financeiros par as concretizar.

A visão europeia combina milhões de euros em investimento com coordenação de ações, para que a Europa possa falar a uma só voz neste domínio e não perca tempo com ações dispersas. «A inteligência artificial coloca novos desafios que a Europa deve enfrentar em conjunto, a fim de que a IA seja um êxito e traga vantagens para todos» sublinha Andrus Ansip, vice-presidente responsável pelo Mercado Único Digital.

Quanto vai gastar a Europa para estar na dianteira da IA

Pelas contas europeias é preciso que o investimento em inteligência artificial beneficie de um reforço de 20 mil milhões de euros até final de 2020, se a UE quer dar cartas neste domínio.

Para apoiar a meta, a CE reforçou as verbas canalizadas através do Horizonte 2020 para 1,5 mil milhões de euros, esperando que esta soma venha a desencadear investimentos adicionais na ordem dos 2,5 mil milhões de euros, graças às parcerias público-privadas que os projetos de investigação do Programa Quadro preveem.

O Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos é outro instrumento que será reorientado para apoiar projetos de IA e, segundo as mesmas contas, deverá fazer mobilizar um investimento total de 500 milhões de euros até 2020 para este domínio.

Os milhões chegarão a outros domínios, cobrindo os três principais eixos de atuação da iniciativa: aumentar o investimento público e privado em IA; preparar as mudanças socioeconómicas previsíveis e garantir um quadro ético e jurídico adequado. Serão usados para suprimir fragilidades, como a da falta de competências digitais adequadas, ou para dar um impulso extra a projetos em áreas onde a região está bem posicionada para liderar desenvolvimentos, ou mais pode ganhar com a IA.

A UE assume já hoje um papel importante no que se refere aos desenvolvimentos em torno da IA, por via de projetos empresariais (startups sobretudo) ou no âmbito de iniciativas de investigação de referência. Também se destaca a nível mundial ao nível da robótica e em sectores onde a IA será crucial para manter a competitividade, como a saúde, os transportes ou a indústria transformadora.

Os fundos direcionados para o Horizonte 2020 têm precisamente como foco o apoio a projetos em algumas destas áreas, com destaque para os megadados e a robótica, privilegiando áreas como a saúde e iniciativas que contribuam para ligar e reforçar o papel dos centros de I&D europeus a trabalhar nesta área.

Novas ações para promover emprego com espaço nos planos europeus

Nesta iniciativa para a IA também há uma palavra para o emprego e a garantia de apoio europeu a medidas que permitam preparar cada país para as alterações que estas tecnologias vão introduzir no mercado de trabalho. A CE garante que vai apoiar parcerias entre empresas e estabelecimentos de ensino, que ajudem a manter e atrair para a Europa o talento necessário para promover um mercado de IA. Também prevê novos programas de formação a apoio ao desenvolvimento de competências digitais no campo das STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Na mesma data em que foi apresentada a iniciativa para a dinamização da IA no espaço europeu, o dia 25 de abril, foi igualmente apresentada pela CE uma proposta legislativa para facilitar a reutilização de dados provenientes de serviços de utilidade pública, investigação, saúde e ambiente, onde também cabem medidas para tornar mais fácil a partilha. A medida será fundamental para definir balizas e eliminar zonas cinzentas no tratamento de informação digital, mas também para dinamizar novos projetos.

Para o final do ano fica prometido o lançamento de um conjunto de orientações focadas nas questões da ética, relacionada com os desenvolvimentos em torno da inteligência artificial.

O plano de coordenação para a IA, que 24 Estados-membros e a Noruega se comprometeram a alcançar, na sequência da assinatura no passado dia 10 de abril de uma Declaração de Cooperação, vai traduzir em ações concretas a visão europeia para esta área. Será seguido pelos países que aceitaram alinhar as estratégias nacionais com um conjunto de metas e ações europeias.

 


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