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Europa precisa de inovação estruturada para a defesa

Publicado em 27 Fevereiro 2026 | 42 Visualizações

A consultora Roland Berger publicou o relatório “Strength through innovation: A vision for a new innovation ecosystem for European defense”, que sublinha a urgência de modernizar o ecossistema de inovação militar na Europa. Num contexto de ameaças híbridas crescentes e elevada incerteza geopolítica, o estudo alerta que a capacidade estratégica europeia depende de transformar a inovação em infraestruturas resilientes e escaláveis.

«A Europa tem a tecnologia e o talento, mas precisa de um ecossistema que acelere a implementação desta infraestrutura à escala europeia. Sem ela, a inovação permanecerá fragmentada e a capacidade de dissuasão será insuficiente», destaca Juan Luis Vílchez, Partner da Roland Berger.

Deficiências do ecossistema atual

O relatório destaca que o ecossistema de defesa europeu é fragmentado, lento e avesso ao risco, caracterizando-o como insuficientemente preparado para as exigências do século XXI. Enquanto os EUA investem cerca de 0,37% do PIB em investigação e desenvolvimento (I&D) de defesa, a União Europeia limita-se a 0,03%. Este subinvestimento restringe a capacidade de escalar tecnologias emergentes e impede que novas startups contribuam de forma ágil para a inovação militar.

Para colmatar estas lacunas, a Roland Berger propõe uma abordagem estruturada baseada em três eixos: o primeiro, agilidade regulatória e ação dual, que consiste em distinguir a aquisição de grandes plataformas militares do desenvolvimento rápido de tecnologias como inteligência artificial, drones e software; o segundo, integração de stakeholders, que visa eliminar silos entre forças armadas, grandes empresas industriais e startups civis, fomentando colaboração e inovação acelerada; e o terceiro, financiamento à escala europeia, que procura centralizar a procura, permitindo que as empresas atinjam escala industrial, reduzam a dependência de fornecedores externos e reforcem a capacidade de inovação autónoma.

Inovar para garantir dissuasão

O estudo analisa os modelos israelita e ucraniano como referências: Israel combina unidades militares de elite com startups tecnológicas, enquanto a Ucrânia mobiliza talentos civis para criar soluções rápidas e de baixo custo. A Roland Berger defende que a Europa deve integrar elementos destes modelos para aumentar a agilidade e a resiliência do seu ecossistema de defesa e admite que a Europa tem potencial para liderar um ecossistema de inovação militar robusto, especialmente em tecnologias de duplo uso. O relatório recomenda unidades de teste integradas nas Forças Armadas, capazes de fornecer feedback em tempo real, reduzindo o ciclo entre protótipo e operação.

De acordo com os dados recolhidos, o estudo conclui que a inovação não é opcional, mas sim determinante para a autonomia estratégica europeia. Sendo que, abandonar o modelo fragmentado atual e implementar uma estratégia de colaboração estreita, investimento coordenado e adoção rápida de tecnologias emergentes é essencial para manter a competitividade e a capacidade de dissuasão.


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