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Governos investem em ciberdefesa

Publicado em 24 Outubro 2025 por Equipa Ntech.News | 279 Visualizações

Enquanto o mundo se prepara para a próxima geração de ameaças cibernéticas, um dado fala mais alto do que qualquer discurso político: os governos estão a investir mais de 6 mil milhões de dólares em ciberdefesa, um montante que coloca a segurança digital no mesmo patamar estratégico que a defesa militar.

É esta a principal conclusão do quarto Radar Global de Políticas Cibernéticas da NCC Group, que analisa como as políticas públicas e as regulamentações internacionais estão a transformar a cibersegurança numa arma geopolítica e económica. A edição de 2025 do relatório retrata um cenário em que as capacidades ofensivas no ciberespaço se tornaram parte integrante das estratégias nacionais, numa clara inversão de paradigma: atacar é, cada vez mais, uma forma de defender.

Cibersegurança sustentável e resiliente

Com as tensões geopolíticas a projetarem-se sobre o domínio digital, o Radar da NCC Group oferece uma leitura crítica das leis cibernéticas emergentes, do controlo das cadeias de fornecimento e da corrida à criptografia pós-quântica. O documento propõe-se a equipar líderes empresariais e decisores políticos com conhecimento estratégico para navegar a crescente complexidade regulatória e construir programas de cibersegurança sustentáveis e resilientes.

O relatório destaca ainda o papel da cibersegurança como motor de crescimento económico, sublinhando que os governos não apenas reforçam as suas defesas, mas também transferem mais responsabilidades para o setor privado, exigindo que as empresas protejam os seus próprios ecossistemas digitais.

Para contextualizar a dimensão do investimento público, os 6 mil milhões de dólares canalizados para a ciberdefesa equivalem, segundo o relatório, a 62 caças F35C, 630 tanques M1 Abrams ou 1670 drones MQ-1 Predator, uma comparação que traduz, em termos militares, o peso económico da segurança digital.

Novas fronteiras da segurança

A transição para a criptografia pós-quântica (PQC) surge como um dos temas centrais. Numa entrevista incluída no relatório, Kevin Reifsteck, Diretor de Políticas de Cibersegurança da Microsoft, e Javed Samuel, Diretor de Criptografia da NCC Group, analisam a urgência de preparar os sistemas governamentais e empresariais para resistirem à ameaça dos futuros computadores quânticos, capazes de quebrar os atuais padrões de encriptação.

Para Kat Sommer, Associate Director of Government Affairs da NCC Group, esta edição do Radar «ajuda as organizações a compreender não apenas o que está para vir, mas o que isso significa para o seu negócio e como podem responder de forma a construir resiliência e vantagem competitiva».

Este responsável alerta ainda para o facto dos programas de cibersegurança deverem adaptar-se a uma nova era da geopolítica, marcada pela soberania digital, pelo intervencionismo estatal e pelo crescimento das capacidades ofensivas nacionais. A resposta empresarial, defende, deve passar por uma visão global e a longo prazo, em vez de uma abordagem reativa “regra a regra”. «A governação da cibersegurança deve ser pensada a longo prazo, com uma visão global e flexível face às prioridades governamentais em constante mudança», acrescenta Kat Sommer.

Entre as principais tendências identificadas pelo Radar Global de Políticas Cibernéticas destacam-se a transição da conformidade reativa para uma governação estratégica da cibersegurança, as crescentes restrições aos pagamentos de ransomware acompanhadas da obrigatoriedade de reporte de incidentes, o reforço das cadeias de fornecimento e da proteção das infraestruturas críticas, e, por fim, a preparação urgente para a chegada da era da criptografia pós-quântica, que promete redefinir os padrões de segurança digital a nível mundial.


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Negócios

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