IPS integra consórcio europeu para reforçar ensino da cibersegurança nas escolas
O Instituto Politécnico de Setúbal integra um consórcio europeu que vai desenvolver, até 2028, metodologias e ferramentas de apoio ao ensino da cibersegurança em vários níveis de escolaridade. O objetivo é claro: reforçar a resiliência digital de crianças e jovens num contexto educativo cada vez mais dependente de ambientes digitais.
O projeto, designado CyberSecure Teaching – Strengthening Digital Resilience in K–12, Vocational Education, and Teacher Training, arrancou em janeiro no âmbito do programa Erasmus+ e prolonga-se até dezembro de 2028. A coordenação está a cargo da Jamk University of Applied Sciences, na Finlândia. Integram ainda o consórcio instituições da Áustria, Bélgica, Chéquia, Espanha e Portugal, reunindo investigadores do Ensino Superior, professores dos ensinos Básico, Secundário e Profissional, bem como especialistas em cibersegurança.
Competências práticas
O CyberSecure Teaching centra-se nos desafios concretos que professores enfrentam diariamente em escolas, centros de formação profissional e contextos de formação de docentes.
A ambição do projeto passa por capacitar professores e formadores de professores com competências práticas em cibersegurança, permitindo-lhes ensinar práticas digitais seguras com confiança, tanto a crianças como a jovens e adultos em formação.
Entre as questões abordadas estão:
- Proteção de dados dos alunos;
- Identificação de emails de phishing;
- Reconhecimento de conteúdos falsos gerados por inteligência artificial;
- Prevenção do ciberbullying e de comportamentos online inseguros.
Não se trata apenas de literacia digital genérica. O enfoque está na chamada “ciber-higiene”: gestão segura de palavras-passe, proteção de dados, reconhecimento de manipulação online e utilização responsável de ferramentas baseadas em inteligência artificial.
Recursos pedagógicos
O consórcio vai desenvolver materiais de aprendizagem modulares equivalentes a 5 ECTS, concebidos para aplicação imediata em contexto letivo.
Está igualmente previsto:
- Um curso online aberto (MOOC) de 3 ECTS dedicado à cibersegurança para docentes em toda a Europa;
- Atividades práticas para sala de aula, estudos de caso e instrumentos de avaliação;
- A criação de uma Comunidade de Prática (CoP) europeia online.
Esta comunidade permitirá a professores, formadores de professores e especialistas em cibersegurança discutir temas emergentes, partilhar recursos, acompanhar entrevistas a especialistas e debater desafios reais associados ao ensino em ambientes digitais. A resposta a novas ameaças, como esquemas de fraude online ou dilemas éticos associados ao uso de IA na educação, será um dos eixos centrais da plataforma.
Escolas de verão internacionais
O projeto inclui ainda duas Escolas de Verão internacionais (2 ECTS cada), dedicadas à sensibilização para a cibersegurança e à ciber-higiene. Os programas contemplam workshops interativos, simulações, trabalho colaborativo com base em cenários reais e aprendizagem entre pares com docentes de vários países europeus.
O IPS assume a liderança do grupo de trabalho responsável pela organização destas iniciativas, que terão lugar na Finlândia, em 2027, e em Portugal, em 2028. A participação portuguesa concretiza-se através da Escola Superior de Educação (ESE/IPS), da Escola Superior de Ciências Empresariais (ESCE/IPS) e da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal (ESTSetúbal/IPS), contribuindo com experiência na formação de professores, no ensino das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e na cooperação internacional.
Resiliência digital das escolas
O CyberSecure Teaching dirige-se a professores do ensino básico e secundário, docentes do ensino profissional, formadores de professores e estudantes de cursos de formação inicial. Ao integrar a cibersegurança e a gestão de risco digital na formação inicial e contínua de docentes, o projeto procura gerar impacto estrutural nas organizações educativas.
Os mentores do projeto, acreditam que quando os professores dominam práticas de ciber-higiene e se sentem confiantes para as ensinar, os ambientes de aprendizagem «tornam-se mais seguros, fiáveis e alinhados com as exigências do ecossistema digital atual».
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