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Os contextos tecnológicos estão a alterar a grupanálise?

Ana Luisa Teixeira, psicóloga coach, psicoterapeuta e grupanalista, COACHING CIGA*

Publicado em 11 Outubro 2018 | 78 Visualizações

A tecnologia introduziu uma nova forma de estar no mundo, uma nova forma de estabelecer relações, uma nova forma de comunicar (ex: aplicações para conhecer pessoas). Por vezes, colocamos a questão, como vão sobreviver aos novos tempos, aos avanços da tecnologia?

Nitsun (2014) defende que é impossível os grupos analíticos não acompanharem as mudanças da sociedade e transformações sociais/tecnológicas. Estas mudanças são rápidas, por vezes quase instantâneas. Vivemos num mundo rápido e instantâneo, para o bem e para o mal. A tecnologia permite-nos manter psicoterapias à distância, mas também faz com que tantas pessoas se isolem do mundo real e das relações face-a-face. Por vezes, vivem num mundo virtual cheio de “vida”, de “amigos, de “likes”, mas num mundo interno pobre de afetos e pobre de “likes”.

Como psicoterapeutas e também no contexto do Coaching CIGA de Inspiração Grupanalítica,   consideramos possível e realizamos intervenções online (ex: Skype), mas questionamo-nos  sobre a distância física, onde existe um ecrã que não nos permite observar da mesma forma que observamos uma pessoa presente no grupo de análise. Que implicações esta distância terá na análise pessoal do doente, na própria transferência e contratransferência.

Nitsun introduz o conceito de ecology of the group, refere que a perspetiva ecológica considera as interdependências dos sistemas na sobrevivência humana dentro do grande conjunto de mudanças ambientais e sociais. Considera que esta perspetiva é compatível com o pensamento grupanalítico. A noção de ecologia grupal, pode ser uma forma de entender a trajetória complexa e incerta que aguarda o grupo nas suas novas formas emergentes.

Acreditamos que o futuro dos grupos analíticos não está em risco, mas é necessário refletirmos sobre estas novas formas de relação, sobre esta nova forma de comunicação e sobre a evolução da tecnologia (vantagens, consequências e riscos). Acredito também que é possível adaptarmo-nos a esta nova forma de estar no mundo sem perder a identidade grupanalítica.

A grupanálise tem um papel fulcral neste século, na medida em que fomenta as relações grupais face-a-face, o encontro, a relação em grupo e a comunicação não mecanizada.

 

* co-autoria de Cláudia Martins, psicóloga clínica e psicoterapeuta de Analítica de Grupo


Publicado em:

Opinião

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