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Os desafios da inovação e as competências da próxima década

Gabriel Pestana e António Sacavém, coordenadores do Executive Master em Gestão e Inovação, na Universidade Europeia

Publicado em 16 Julho 2019 | 468 Visualizações

O ritmo de acelerada mudança que se vive na esfera dos negócios veio para ficar e tenderá a acentuar-se. No actual paradigma da transformação digital, as empresas são confrontadas com desafios que requerem interações mais expeditas e uma capacidade de inovar face a um mercado em constante mutação. Smartphones de última geração, comunicações 5G, robots inteligentes, mobilidade sustentada (e.g., carros auto-conduzidos, veículos ecológicos), são sinais dos tempos em que vivemos, mas, sobretudo, dão-nos uma perspetiva de como as empresas vão, no curto-prazo, intervir na sociedade e realizar negócios.  

O fenómeno da transformação digital trouxe uma nova realidade para empresas, forçando, de forma crescente, os modelos e processo de negócio a terem que se reinventar. Este desafio de redesenho do negócio assusta, mas não pode paralisar nem desmotivar a capacidade de ação dos profissionais do futuro. Estes precisam de interiorizar as premissas que ditam o novo paradigma e ganharem a coragem para voltar a aprender. Neste contexto, as pessoas (i.e., o capital humano) são vetores da transformação digital.

“…os profissionais do futuro têm de ser promotores de mudança, trazendo conhecimento para adaptar as empresas a terem condições de competir na economia digital.”

A cultura empresarial precisa de ser ajustada aos desígnios do mundo digital. Importa por isso que os modelos de negócio sejam repaginados, com uma incisiva transformação da sua essência, para que se tornem aptos a atuar e prosperar na era digital. Neste domínio, a capacidade de liderança transformadora e de inovação representa um desafio. Abandonar padrões e encarar o desconhecido não é algo simples de se implementar. Para isso, é preciso que haja fluidez na comunicação e liberdade para uma atuação criativa e colaborativa. Para que exista uma mudança efetiva é necessário integrar tecnologias e soluções que incorporem inteligências computacionais capazes de lidar com os desafios digitais, é necessário a viabilização de modelos que promovam a desintermediação e a redefinição dos processos que verdadeiramente contribuem para uma diferenciação e inovação sustentável.

Os profissionais que estão no caminho da transformação procuram desenvolver produtos e serviços que entreguem o valor que o cliente procura. O consumidor transformou-se, procura hoje por maior celeridade e comodidade; razão pela qual os profissionais do futuro têm de ser promotores de mudança, trazendo conhecimento para adaptar as empresas a terem condições de competir na economia digital.

“As preocupações relativas à segurança e à privacidade vão ser cada vez mais prementes e existe ainda o risco de as desigualdades crescerem, estando estas intimamente relacionadas com o tipo e nível de formação das pessoas. “

Nos processos de inovação devem focar o seu esforço no “must have” (temos que ter) e deixar para depois o “nice to have” (gostaria de ter). Ao focar o esforço no “must have”, é mais fácil avançar na Transformação Digital e posicionar a empresa estrategicamente diante das mudanças comportamentais, de mercado e inovações tecnológicas. Estas mudanças trazem oportunidades relevantes, mas também riscos, um deles, a incapacidade de algumas empresas anteciparem e de se adaptarem oportunamente ao novo contexto. As preocupações relativas à segurança e à privacidade vão ser cada vez mais prementes e existe ainda o risco de as desigualdades crescerem, estando estas intimamente relacionadas com o tipo e nível de formação das pessoas. É difícil antecipar quais as competências que são necessárias para os líderes do futuro, no entanto, existem pistas. O relatório do McKinsey Global Institute aponta para a necessidade de as pessoas desenvolverem três competências fundamentais nos próximos 10 anos, de forma a qualificarem-se para o trabalho do futuro.

António Sacavém

A Alta Cognição, que inclui a criatividade e o pensamento critico, o processamento complexo de informações e as competências quantitativas. O desenvolvimento de Competências emocionais/sociais (Soft Skills) que inclui a capacidade de comunicar com fluência e influência, trabalhar em equipa, negociar win-win, adaptação e aprendizagem continua, a empatia, o autoconhecimento, a autorregulação emocional, a auto motivação, enfim, um conjunto de ingredientes associados, de uma forma mais ampla, à inteligência emocional e ao desenvolvimento de uma mentalidade de crescimento, que tem vindo a ser tão explorada pela comunidade cientifica em estreita articulação com o mercado empresarial.

“Os profissionais do futuro são aqueles que pretendem aportar valor e criar impacto junto das suas organizações e, em simultâneo, pretendem trazer mais significado, realização e felicidade para as suas vidas.”

O aperfeiçoamento às competências Tecnológicas que envolvem aptidões nos domínios da análise de grande volume de informação (Big Data), endereçando os desafios decorrentes da transformação digital, com fluxos de informação que requerem uma atualidade tecnológica, sobretudo na gestão operativa e de suporte à decisão. Estes exemplos espelham a necessidade de se implementar metodologias pedagógicas activas capazes de endereçar as necessidades dos profissionais orientados para o futuro. Neste domínio, a formação deverá estar alicerçada em métodos como o own case-study, o project based learning, o fomentar do debate e a troca de experiencias na resolução de desafios empresariais e de algumas formas de teatro na sala de aula. Falamos de metodologias que promovem capacidades e incentivam a vontade de aprender e do saber fazer. Os profissionais do futuro são aqueles que pretendem aportar valor e criar impacto junto das suas organizações e, em simultâneo, pretendem trazer mais significado, realização e felicidade para as suas vidas.


Publicado em:

Opinião

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