Partilhe nas Redes Sociais

PUB

Plano de Recuperação 2020/2030: O que propõe António Costa e Silva nas TI?

Publicado em 21 Julho 2020 por Cristina A. Ferreira - Ntech.news | 216 Visualizações

Já é conhecido em detalhe o documento que o gestor António Costa e Silva preparou a pedido do Governo. Esta Visão Estratégica para o Plano de Recuperação 2020/2030, como referiu o próprio na apresentação pública, «não é um documento do como fazer, não é um plano do Governo. É uma reflexão que articula um conjunto de caminhos possíveis para Portugal».

Estrutura-se em 10 eixos que focam as mais diversas áreas da economia, entre elas o domínio tecnológico e da modernização das empresas, a necessidade de reforçar a aposta na qualificação e na ciência e na tecnologia.

Em relação aquilo que é aqui chamado de Transição Digital são identificadas várias prioridades no documento, que servirá de referência ao Plano de Recuperação que Portugal terá de apresentar a Bruxelas no próximo outono. Estas são as que mais se destacam:

– Extensão da fibra ótica a todo o país

No documento de 142 páginas defende-se que uma cobertura nacional desta infraestrutura é estruturante para o futuro do país e essencial para não ter um Portugal a duas velocidades, para melhorar a competitividade do tecido empresarial, promover a coesão territorial e o ecossistema da inovação e investigação. Na mesma linha, destaca-se a importância de reforçar as linhas de comunicação submarinas de alto débito entre Continente, Açores e Madeira, «posicionando o país para assegurar o fornecimento e cobertura da rede 5G para a área do Atlântico».

– Investir na literacia digital do sistema educativo

A reflexão de António Costa e Silva também pede a «integração transversal das tecnologias nas diferentes áreas curriculares dos ensinos básico, secundário, superior, e de formação profissional», como forma de melhorar a qualidade do ensino e o nível de preparação de quem o frequenta para responder a desafios pessoais e profissionais. Defende-se ainda que o «programa de requalificação de recursos humanos em tecnologias digitais deve ser alargado a todos os setores e envolver todos os níveis de ensino».

Ainda no que toca ao ensino, o documento sublinha a importância de garantir igualdade de oportunidades no acesso a equipamentos, recursos educativos digitais de qualidade, investir nas competências digitais dos docentes e dotar as escolas de uma infraestrutura digital adequada.

– Investir na transição digital da Administração Pública

Reforçar competências digitais, flexibilizar e simplificar processos são identificados como pontos críticos para uma AP mais eficiente e para ter serviços públicos facilitadores, na implementação do Plano de Recuperação Económica que o Governo colocará no terreno para os próximos 10 anos. Para lá chegar pede-se um plano de investimento que cubra várias áreas.

Em concreto, pedem-se aqui a modernização de sistemas (hardware e software) e uma integração de plataformas que suporte interoperabilidade e portabilidade e abra caminho a serviços verdadeiramente integrados, como uma Loja do Cidadão Virtual. Sugere-se a adoção de tecnologias da Inteligência Artificial, Ciência dos Dados e Machine Learning para agilizar processos e suportar processos de decisão, tudo alinhado com a «implementação de um sistema de planeamento estratégico e de prospetiva, que tenha também em conta a necessidade de antecipar e gerir os riscos».

– Investir no tecido empresarial

O investimento às empresas deve concentrar-se na recuperação do «atraso existente em alguns setores em relação ao processo de transição digital», defende António Costa Silva nesta reflexão, focando áreas como a desmaterialização de processos, as competências digitais ou a habilitação para o teletrabalho. Faz também falta um plano de investimento para apoiar a transição das empresas para a industria 4.0 «facilitando o acesso aos meios digitais e a aquisição de equipamentos e de competências para a digitalização dos processos de trabalho e dos produtos», sugere-se.

Portugal como Centro Europeu de engenharia

No domínio da ciência e tecnologia foram alinhadas também várias propostas. Entre elas a de posicionar Portugal como um Centro Europeu de Engenharia «tendo em conta que a revolução tecnológica em curso e a reindustrialização do país necessitam de mão de obra qualificada e em particular de engenheiros». Chama-se aqui a atenção para o facto de nem só com engenheiros de software ou eletrotécnia se conseguir dar resposta às necessidades, sublinhando a importância de outras áreas de formação dentro da engenharia, como a mecânica, civil, química, mineira, física, tecnológica, aeroespacial e outras e deixam-se sugestões concretas. «Recomenda-se fortemente a criação de kits pedagógicos ilustrativos das profissões mais necessárias para atrair estudantes do ensino secundário», propõe o documento.

Consulta pública já está em marcha

A Visão Estratégica de António Costa e Silva assenta em 10 eixos estratégicos: rede de infraestruturas; qualificação da população e aceleração da transição digital; setor da saúde; Estado social; reindustrialização do país; reconversão industrial; transição energética; coesão do território e agricultura; mobilidade; cultura, turismo e comércio.

É uma primeira abordagem ao Plano de Recuperação que o Governo português terá de apresentar aos parceiros europeus em outubro, como já admitiu o ministro da economia Pedro Siza Vieira, e está já em consulta pública. Os interessados podem remeter opiniões, até 21 de agosto, para o endereço de email plano.recuperacao@pm.gov.pt, como se explica no site do Governo.

A versão final do plano vai definir as prioridades de Portugal para aplicação das verbas que lhe couberam no programa de recuperação económica europeu, cerca de 45 mil milhões de euros.


Publicado em:

Atualidade

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados