Projeto europeu AILEEN reforça centros europeus de formação para a aeronáutica e defesa
A indústria aeronáutica e de defesa europeia confronta-se com uma realidade técnica exigente, em que os processos de fabrico estão a mudar mais depressa do que os sistemas de qualificação conseguem acompanhar. O fabrico aditivo, que permite produzir componentes de geometria complexa diretamente a partir de modelos digitais, com redução significativa de desperdício de material e menor consumo energético face ao sistema convencional, é hoje uma tecnologia crítica para estes setores, mas os profissionais treinados para a operar e certificar continuam a ser escassos. O projeto europeu AILEEN nasce precisamente para fechar essa lacuna, e o ISQ coordena o polo nacional em parceria com a FAN3D.
No contexto da aeronáutica e da defesa, as vantagens técnicas do fabrico aditivo são particularmente relevantes. A tecnologia possibilita a produção de peças com otimização estrutural integrada, reduzindo peso sem comprometer a resistência mecânica, a personalização de componentes de baixo volume de série, e a redução dos prazos de desenvolvimento de protótipos. Estes fatores têm impacto direto na competitividade industrial e na autonomia tecnológica europeia, dois vetores estratégicos num setor onde a dependência de cadeias de fornecimento externas representa um risco operacional concreto.
Mas o fabrico aditivo não opera isolado. O projeto AILEEN reconhece que a sua adoção industrial plena exige uma transformação mais ampla dos processos produtivos, que inclui a soldadura avançada, técnica essencial para a ligação de componentes em ligas metálicas de alta performance usadas em estruturas aeroespaciais, e a digitalização dos processos de produção, com integração de ferramentas de controlo digital, monitorização em tempo real e gestão de dados de processo. É este triângulo tecnológico que o projeto coloca no centro dos novos perfis de qualificação. Qualificar para o fabrico aditivo aeroespacial não é apenas ensinar a operar uma máquina. É formar profissionais capazes de trabalhar em ambientes produtivos totalmente digitalizados, onde o controlo de processo, a rastreabilidade de componentes e a conformidade normativa são inseparáveis da produção.
Para operacionalizar esta visão, o AILEEN está a construir uma rede de seis Centros de Excelência Vocacional transnacionais, com uma metodologia partilhada que garante coerência entre os vários polos europeus. Em Portugal, a coordenação cabe ao ISQ em parceria com a FAN3D, especializada em fabrico aditivo e engenharia mecânica. A combinação de competências das duas entidades cobre o espectro completo, desde a investigação aplicada à certificação, do conhecimento de processo à formação de operadores.
No plano pedagógico, o ISQ está a desenvolver novas unidades de competência específicas para os setores aeroespacial e de defesa, estruturadas em torno de três eixos: competências técnicas avançadas, competências digitais e competências verdes. O modelo formativo adota metodologias de Problem-Based Learning (PBL) e Work-Based Learning (WBL), articuladas com projetos de investigação aplicada desenvolvidos em parceria com empresas e instituições de ensino superior.
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