Partilhe nas Redes Sociais

Será que a IA está a mudar a forma como vivemos o desporto

Publicado em 25 Agosto 2025 | 351 Visualizações

A inteligência artificial (IA) está a conquistar terreno nos estádios e nos ecrãs, transformando a forma como milhões de adeptos em todo o mundo consomem desporto. Mas a inovação tecnológica traz também um dilema: como evoluir sem perder a autenticidade que torna única a emoção de um jogo ao vivo?

Um novo estudo do Research Institute da Capgemini, intitulado “Beyond the game: The new era of AI-powered sports engagement”, revela que a IA e a IA generativa (GEN AI) já são a principal fonte de informação desportiva para mais de metade dos adeptos. O inquérito, realizado a 12.017 fãs em 11 países, entre março e abril de 2025, mostra que 54% recorre a estas ferramentas para aceder a dados e estatísticas, e 59% confia nos conteúdos produzidos por estas tecnologias.

Adeptos querem personalização, mas sem perder a autenticidade

67% dos inquiridos afirmaram querer uma única plataforma que agregue informação de websites, redes sociais e motores de busca. Além disso, 64% deseja que a IA disponibilize atualizações adaptadas às suas preferências e o mesmo número gostaria de competir virtualmente com jogadores famosos. Já 58% gostaria de rever jogos em cenários alternativos, os populares “e se…”.

Não se trata apenas de entretenimento passivo. 27% dos adeptos dizem estar dispostos a pagar um valor extra por experiências interativas baseadas em IA. O exemplo do Tour de France é revelador. Os fãs já podem jogar Fantasy em tempo real, votar no ciclista mais agressivo do dia ou acompanhar a corrida a partir de carros oficiais de adeptos.

Pascal Brier, Chief Innovation Officer da Capgemini e membro do Comité Executivo do Grupo, explica que o verdadeiro poder da IA no desporto, especialmente da IA generativa, «reside na sua capacidade de transformar a forma como os adeptos se ligam ao jogo, aos atletas e entre si». Para o responsável, «desbloquear novas formas para os fãs criarem uma experiência única passará, cada vez mais, por combinar dados em tempo real com oportunidades imersivas e interativas, sendo o desafio garantir que estas inovações aprofundam a ligação emocional que torna o desporto tão poderoso para os adeptos mais fervorosos, preservando ao mesmo tempo a autenticidade e a integridade que definem o espírito do jogo».

A emoção está em risco?

Apesar da adesão crescente, 60% dos adeptos temem que o excesso de tecnologia diminua a emoção de assistir a jogos ao vivo. Mais de metade acredita mesmo que o prazer do desporto pode ser afetado se a experiência se tornar demasiado digital.

O estudo revela ainda que a interação digital atinge o seu pico antes dos jogos e durante os intervalos, e não durante o desenrolar da partida. Cerca de 70% dos adeptos valorizam o acesso a estatísticas e métricas em direto quando o jogo está parado, usando esses dados para enriquecer a compreensão do que se passa em campo, mas sem abdicar da intensidade do momento.

Estádios inteligentes, mas…

As próprias infraestruturas desportivas estão a adaptar-se. De acordo com o estudo, mais de metade dos adeptos consideram que aplicações para compra de bilhetes, programação e informação em tempo real melhoram significativamente a experiência nos estádios. Reconhecimento facial nas entradas e navegação digital nas bancadas são outras das inovações mais valorizadas.

No entanto, nem tudo são pontos positivos. Quase dois terços dos inquiridos estão preocupados com a desinformação gerada por conteúdos não verificados, temendo que isso afete atletas ou equipas. Além disso, apenas 36% dos baby boomers e 38% da Geração X sabem exatamente que dados pessoais são recolhidos por estas plataformas, em contraste com cerca de metade das gerações mais jovens.


Publicado em:

Atualidade

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados