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Tangível debate UX e inteligência artificial

Publicado em 12 Janeiro 2021 | 153 Visualizações

Os conceitos de User Experience (UX) e Inteligência Artificial (IA) subiram ao palco no mais recente webinar organizado pela Tangível para assinalar o Dia Mundial da Usabilidade.

Depois da apresentação oficial da nova imagem da empresa, pelo co-CEO do grupo, André Carvalho, o debate contou com a presença de Nuno Jardim Nunes, do Instituto Superior Técnico e de Sandra Mouta, Head of Training da Tangível Academy.

Em foco no webinar esteve a evolução da tecnologia, que nos trouxe a possibilidade de automatizar ou até substituir algumas tarefas humanas por sistemas inteligentes, atuadores e sensores: aquilo a que chamamos inteligência artificial.

Estas soluções originaram ambientes tecnologicamente aumentados, aumentando também a complexidade das interações e a carga cognitiva para o utilizador. Assim, este tipo de ambientes «só poderá ser visto como vantajoso se conseguirmos potenciar os processos cognitivos dos utilizadores, criando também ambientes cognitivamente aumentados, que facilitem a execução de tarefas e o cumprimento de objetivos», explica José Campos, co-CEO da Tangível.

Para que isto seja possível, é importante conhecer bem os processos cognitivos – ou psicofactos – mais relacionados com as funcionalidades que os algoritmos de IA pretendem substituir e também aqueles que são centrais durante a interação, «como controlo e confiança, tomada de decisão, resposta emocional e empatia».

O desafio reside «em encontrar um equilíbrio entre os benefícios da tecnologia e as potencialidades do ser humano», criando uma simbiose humano-máquina.

Inteligência artificial como oportunidade

Uma das oportunidades da inteligência artificial para a melhoria da experiência do utilizador «passa por automatizar tarefas repetitivas, aborrecidas, e aumentar tarefas divertidas, que as pessoas gostem e sejam capazes de fazer sem dificuldade», diz José Campos. 

É importante perceber quando é que o utilizador quer abdicar do controlo e quando quer ter controlo, para melhorar o equilíbrio entre atuação e automação. «Aumentar a transparência dos sistemas é fundamental para aumentar a confiança nos mesmos», acredita o responsável da Tangível.

Desafios e limites dos sistemas inteligentes

É inegável que a inteligência artificial é uma tendência tecnológica e, por isso, atrativa para o mercado. No entanto, optar por utilizá-la apenas por esse motivo «pode ser um grande erro». Por vezes, a solução para otimizar a experiência não está no uso de tecnologia de ponta, mas em algo mais basilar: «A compreensão dos utilizadores em relação aos serviços ou produtos que consomem.»

Outro ponto fundamental a considerar quando falamos em IA é, precisamente, o limite daquilo que é inerente ao ser humano. Por exemplo, quando temos serviços de inteligência artificial com pouca ou nenhuma sensibilidade a enviesamentos sociais, «a interação pode correr muito mal, resultando em consequências não desejadas e originando insatisfação ou outras reações negativas nos utilizadores».

Nesta lógica, o uso de inteligência artificial «deixa de ser interessante e passa a ser um problema, quer para os utilizadores de um serviço ou produto, quer para a imagem das empresas que os disponibilizam».

A Tangível acredita que os grandes desafios das próximas décadas passam pela promoção de um desempenho otimizado, «de forma robusta, confiável, segura e progressivamente mais automatizada».

Será, por isso, fundamental «garantir que as decisões dos algoritmos de inteligência artificial sejam confiáveis e explicáveis».

José Campos refere que a inteligência artificial traz “novas camadas”, mas não vem alterar profundamente o processo de desenvolvimento nas metodologias centradas no utilizador. Aquilo que é hoje fundamental, continuará a ser: «Trazer os utilizadores para cada etapa do processo e identificar, observar e compreender as suas necessidades.»

Tornam-se ainda mais importantes as equipas multidisciplinares, que possibilitem discussões transversais a várias áreas, desde o design à data science.


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Atualidade

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