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«Só com soluções orientadas à valorização de processos, tornando-os mais ricos ou mais eficientes, podemos abrir a porta à transformação digital nas organizações.»

Publicado em 11 Fevereiro 2019 | 2335 Visualizações

Há uma nova realidade que espreita no mundo empresarial. De esguelha, as empresas sorriem de espanto ao que lhes vai “entrando” pelos olhos adentro em hologramas e objetos 3D, mas hesitam na hora de investir, pelo menos até terem nas mãos o valor real da tecnologia de realidade aumentada e outras que tais. Eduardo Vieitas, CEO da NextReality , garante que não há razões para ter receios, porque «existe uma oportunidade no presente para as organizações acelerarem os seus negócios, transformando os seus processos».   A NexReality é um spin off da IT People que quer dar cartas no desenvolvimento da próxima realidade virtual em Portugal. E está disposta a tornar “palpáveis” os ganhos destas novas tecnologias que prometem crescer a bom ritmo por cá.

Ntech. News – Qual a previsão de crescimento que possuem para esta área no nosso país?

Eduardo Vieitas – A IDC prevê um crescimento acima dos 60% para serviços de Realidade Virtual e Aumentada a nível global. O relatório EMEA Mixed Reality 2018, que coordenámos no âmbito da IAMCP, enquadra Portugal como um dos países com maior volume de Projetos de VR/AR per capita da zona EMEA. Acredito que a utilização da tecnologia irá crescer a um ritmo acima do global.

À mão do mercado empresarial

Este novo mundo virtual deslumbra o mercado de consumo, dos jogos, e as empresas? Já percebem a potencialidade destas tecnologias aplicadas ao negócio?

Sim, diria mesmo que tecnologias como Realidade Aumentada e Mista têm neste momento uma presença e impacto muito maiores no mercado empresarial que no consumidor final. Muitos dos smartphones e tablets usados pelos consumidores finais não têm ainda a robustez para executarem as últimas tecnologias de Realidade Aumentada. Depois, muitos smartglasses como os Microsoft Hololens têm preços mais adequados à realidade empresarial. Até estes dois tópicos serem completamente ultrapassados, teremos barreiras para o mercado de consumo avançar mais neste sentido. Mas claramente existe uma oportunidade no presente para as organizações acelerarem os seus negócios, transformando os seus processos.  

Como estão a implementar estas tecnologias em Portugal?

Com uma equipa especializada e promovendo uma abordagem específica para cada cliente.  Não é possível aportar valor para uma organização sem conhecer os processos dela e como ela gera valor, por sua vez, aos seus clientes. Só com soluções orientadas à valorização de processos, tornando-os mais ricos ou mais eficientes, podemos abrir a porta à transformação digital nas organizações.  

Mais de 100 implementações

Em que setores já se passou da fase da prova de conceito para a próxima realidade?

Como especialistas no desenvolvimento de apps mobile, temos a sorte de trabalhar em setores muito variados. Especificamente em relação à Realidade Aumentada, diria que os casos de utilização mais significativos encontram-se na área industrial, como por exemplo ma EDP Produção, na STATKRAFT e na ENEL, bem como no turismo, onde as referências são o Museu Municipal da Guarda ou o Município de Ansião. No retalho a Revigrés é um bom exemplo. Mas temos outros projectos desenvolvidos com os CTT, a NOS, a Deloitte, bem como com associações como a DECO ou Instituições como a CPLP, entre outros. Possuímos mais de 100 projetos implementados em setores como industria, turismo, retalho, marketing e publicidade.

Que áreas não estão ainda a olhar para estas tecnologias? E que já podiam aplicá-las?

Áreas como a defesa, a educação e a saúde têm um potencial tremendo de aplicação de Realidade Aumentada. Contudo, em Portugal, não assistimos à proliferação de provas de conceito e pilotos que vemos noutros países. De igual forma, o mercado financeiro pode tirar partido de soluções aumentadas para comunicar mais eficazmente com um público-alvo mais jovem, que parece preferir soluções mais simplificadas ou gamificadas.

Na vossa opinião, o que as afasta destas tecnologias?

Todos os processos de mudança acarretam risco. Na NextReality tentamos reduzir esse risco através de um processo que envolve a criação de provas de conceito, que validem o caso de utilização com KPI bem definidos, seguido de pilotos que apliquem o caso de utilização ao contexto da empresa, e finalmente, da implementação em produção. A confiança crescente no novo processo é a parte essencial da nossa oferta tecnológica.  

Que novas realidades da utilização desta tecnologia se podem esperar a médio prazo?

A nossa visão é a de que estamos a trabalhar na tecnologia da próxima web – um sistema onde elementos físicos e digitais partilham o mesmo espaço e estão disponíveis para todos, a qualquer momento. A vulgarização da Realidade Aumentada através da Web trará uma maior democratização no acesso às experiências, bem como a oportunidade de acedermos a serviços de pesquisa de Realidade Aumentada. É com esta visão que desenvolvemos os nossos projetos web e mobile de hoje, projetando-os e aos nossos clientes para o futuro.    

2019 será de afirmação internacional para a NextReality

É com essa ambição que decidem avançar com o spin off da NextReality?

A experiência de Realidade Aumentada da IT People iniciou-se em 2010 na Covilhã, num projeto de Investigação & Desenvolvimento promovido em parceria com a UBI. Desde então os projetos de Realidade Virtual, Aumentada e Mista ganharam alguma dimensão. Em 2017, resolvemos criar o IT People Group, que hoje conta com a IT People Innovation (focada em IT outsourcing, nearshore development e talent management), com a NextReality (Web, Mobile, Realidade Aumentada, Assistida e Mista) e com a BigAR (soluções de realidade aumentada para colecionáveis).

Este spin off da NextReality aconteceu no tempo certo?

Sim. 2017 foi um ano muito importante para nós, já que ganhámos o Digital Experience Partner of the Year Award no Microsoft Inspire, o que veio validar publicamente todo o nosso trabalho com Microsoft Hololens e Realidade Mista.  Também foi um ano marcado pela abertura do nosso escritório no Perú, que nos projetou definitivamente a nível internacional. Essas duas oportunidades, a par da atividade da empresa o justificar, propiciaram o lançamento

Quantas pessoas compõe os quadros da NextReality? Pretendem crescer a equipa? Onde vão recrutar?

Somos 24 pessoas. Temos necessidades constantes no IT People Group, que conta atualmente com cerca de 130 colaboradores, e recrutamos à medida que o mercado nos coloca mais desafios. Estimo que o nosso crescimento continue em 2019 tanto na Europa como na América do Sul. O recrutamento é tipicamente realizado em parceria com a IT People Innovation, a empresa do IT People Group especializada em gestão de talento ou em parceria com instituições de ensino superior.

O que vos motiva em termos de estratégia para crescerem em 2019?

Promover soluções de transformação digital obriga a que tenhamos de gerir o nosso negócio e o dos nossos clientes em contextos VUCA (voláteis, incertos, complexos e ambíguos). A nossa estratégia tem de ser repensada continuamente e o que posso dizer, para já, é que 2019 será essencialmente um ano de afirmação internacional da NextReality. Temos uma proposta de valor provada, uma equipa com mais-valias únicas e uma visão de Futuro que partilhamos com os nossos clientes em cada projeto.  


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

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