Partilhe nas Redes Sociais

«Portugal é hoje um hub estratégico de talento e entrega global.»

Publicado em 9 Março 2026 por Luísa Dâmaso - Ntech.news | 215 Visualizações

Cinco décadas depois da fundação, a CGI mantém uma estratégia centrada na proximidade ao cliente, numa cultura de associados-proprietários e numa gestão orientada para o longo prazo. Em entrevista, Carlos Lourenço, sénior vice-presidente da CGI para Portugal, sublinha que Portugal ganhou relevância na rede global da empresa graças à qualidade do talento, à capacidade de executar projetos complexos e ao contributo crescente para iniciativas internacionais, especialmente num contexto em que desafios como a integração responsável da inteligência artificial, a cloud e a modernização de sistemas legados dominam a agenda tecnológica das organizações.

Ntech.NewsCinquenta anos depois, o que é que ainda surpreende no percurso da CGI?

Carlos Lourenço – O que continua a surpreender é a consistência. Num setor marcado por mudanças profundas, a CGI manteve uma capacidade contínua de evolução e uma trajetória sólida e sustentada.

Ao longo de 50 anos, soubemos acompanhar a transformação tecnológica, responder às necessidades dos clientes e preservar uma cultura assente na proximidade, na qualidade da entrega e numa visão de longo prazo.

De uma empresa com 2 pessoas, crescemos para um grupo global com mais de 94.000 associados, presente em múltiplos mercados. Este percurso assenta numa estratégia clara: autonomia das operações locais, forte conhecimento setorial e uma cultura centrada nas pessoas e no compromisso duradouro. Fatores que continuam a diferenciar a CGI.

Num sector que muda tão depressa, como é que a CGI conseguiu manter uma identidade própria?

C.L – A identidade da CGI baseia-se em princípios sólidos e consistentes ao longo do tempo, numa visão estratégica de longo prazo e num modelo estruturado de gestão — a Management Foundation — que define regras claras de governação, responsabilidade e alinhamento em toda a organização. Independentemente das mudanças tecnológicas, mantivemos uma cultura focada nas pessoas, na proximidade aos clientes, na responsabilidade pela entrega, na procura constante pela inovação e introdução de novas tecnologias e funcionalidades. Esta base permite crescer, integrar novas competências e inovar sem perder coerência nem consistência.

Que impacto real tem a cultura de associados-proprietários?

C.L – Tem impacto direto na forma como se trabalha e decide. Cada associado é incentivado a pensar como acionista, com responsabilidade e visão de longo prazo.

As decisões não se centram apenas no curto prazo, mas em valor sustentado para clientes, empresa e equipas. Esta cultura reforça autonomia, envolvimento, transparência e espírito coletivo.

Transformar digitalização em valor concreto

Onde se sente, na prática, a proximidade ao cliente?

C.L – Sente-se na forma como nos organizamos: os nossos Metro Markets estão estruturados em função dos nossos clientes, da forma como eles se organizam, sectorial e geograficamente.

Trabalhamos com presença contínua, conhecimento profundo do contexto local e global, e foco em resultados concretos. A proximidade vai além da presença física, está no alinhamento com os objetivos, desafios e compromissos de cada cliente.

O que é que os clientes mais procuram hoje?

C.L – Procuram empresas que sejam verdadeiros parceiros, que liguem tecnologia e inovação a resultados de negócio mensuráveis. Valorizam experiência, capacidade de execução, conhecimento setorial e relações de longo prazo baseadas em compromisso, qualidade na entrega, previsibilidade e o atingimento das suas expetativas.

A eficiência operacional é hoje central, e os nossos modelos de serviço permitem gerar escala e reduções de custos com impacto real. Mas também procuram parceiros que os conheçam verdadeiramente, que antecipem desafios e que lhes possam apresentar inovação e soluções.

Como avalia a maturidade digital das organizações portuguesas?

C.L – A tecnologia é hoje estrutural na estratégia das organizações portuguesas. Existe maior foco em transformar digitalização em valor concreto.

Apesar da dimensão do país, em muitos casos estamos mais avançados que os nossos congéneres europeus, nomeadamente em termos de adoção tecnológica e capacidade de inovação.

Papel relevante na rede global CGI

Quando e porquê Portugal passou a ter um papel relevante na estratégia da CGI?

C.L – Portugal ganhou relevância de forma progressiva, sustentada na qualidade do capital humano, na produtividade do mesmo, na competência técnica das equipas, na capacidade de executar projetos complexos e muito pela capacidade de adaptação intrinsecamente portuguesa.

A consistência nos resultados obtidos e o crescimento que a equipa e o negócio tiveram, quer para clientes locais quer internacionais, permitiram aumentar essa notoriedade dentro da CGI ao longo dos anos.

Que competências locais têm sido determinantes?

C.L – Destacam-se competências em engenharia de software, data, cloud, integração de sistemas, manutenção e desenvolvimento de aplicações e IA aplicada de forma pragmática. É igualmente determinante o nosso forte conhecimento funcional setorial, desde a administração pública, banca, energia e telecomunicações, e a experiência em projetos complexos e de grande escala.

Portugal é apenas mercado ou também hub de talento?

C.L – Portugal é claramente um mercado, mas é também um hub estratégico de talento, é por isso que a partir daqui apoiamos projetos internacionais, com equipas altamente qualificadas e capacidade multilingue.

A CGI em Portugal assume hoje um papel relevante na rede global de Centros de Entrega da CGI, prestando serviços em vários países da Europa e na América do Norte. Esta diversidade de projetos e contextos geográficos enriquece as nossas pessoas e reforça a capacidade de gerar valor acrescentado para os clientes.

Como retêm talento num mercado competitivo?

C.L – Com uma proposta clara: carreiras com propósito, estabilidade e evolução contínua. Investimos em formação, mentoring e mobilidade interna. Promovemos flexibilidade, equilíbrio e uma cultura de respeito pelas pessoas. A cultura de associados-proprietários, ou seja, empregados que são ao mesmo tempo também acionistas da empresa, reforça o compromisso e a ligação à empresa.

Damos prioridade à utilização responsável da IA

O que esperar da CGI em Portugal nos próximos anos?

C.L – Na continuidade dos primeiros 50 anos de existência, a CGI continuará a evoluir alinhada com a sua “constituição”, que define a essência de quem somos e orienta a nossa atuação.

O nosso sonho é criar um ambiente onde gostamos de trabalhar em conjunto e, enquanto proprietários, contribuímos para construir uma empresa da qual nos orgulhamos. A nossa visão é ser um líder global de referência, de ponta a ponta, em serviços de tecnologias de informação e consultoria de negócio, ajudando os nossos clientes a ter sucesso.

A nossa missão é apoiar os nossos clientes através de qualidade, competência e objetividade, oferecendo liderança de pensamento e entregando os melhores serviços e soluções em tecnologias de informação, processos de negócio e gestão.

Em Portugal, isto traduz-se num compromisso claro: continuar a crescer com base na excelência da entrega, na proximidade aos clientes e na valorização dos nossos associados. O foco manter-se-á na aplicação responsável da tecnologia, na criação de valor sustentável e na construção de relações de confiança duradouras, com clientes, associados e parceiros. A CGI é uma empresa de referência em Portugal e esperamos continuar a sê-lo por muitos anos.

Que desafios tecnológicos são mais críticos?

C.L – O principal desafio não é apenas tecnológico, mas estratégico: alinhar tecnologia com objetivos de negócio num contexto de incerteza económica global. Segundo o estudo Voice of the Clients, baseado em mais de 17.000 entrevistas a executivos, as organizações procuram operações mais ágeis e eficientes, sempre associadas a retorno claro e valor acrescentado. Em termos tecnológicos, os desafios centram-se sobretudo na integração eficaz e ética da inteligência artificial, na migração para cloud e na modernização de sistemas legados.

O potencial da IA está a crescer de forma exponencial em todos os setores, impulsionando investimento e adoção. No entanto, esta evolução traz também novos riscos, nomeadamente relacionados com dados, utilizadores e direitos individuais, que exigem uma abordagem estruturada e responsável. Desde a nossa fundação, temos ajudado os clientes a tirar partido de tecnologias emergentes e a IA não é exceção. Trabalhamos na integração destas capacidades para promover inovação, automação, novos produtos e serviços e ganhos de eficiência.

Ao mesmo tempo, damos prioridade à utilização responsável da inteligência artificial, alinhada com os princípios de uso responsável dos dados. A nossa abordagem assenta em princípios claros que visam proteger os interesses dos nossos stakeholders – clientes, associados e acionistas – garantindo a gestão adequada dos riscos, a conformidade regulatória, a segurança da informação, a transparência e o respeito pelos direitos individuais. Mais do que adotar tecnologia, o desafio crítico está em aplicá-la com responsabilidade, controlo e verdadeiro impacto no desempenho das organizações.

Na CGI acreditamos que somos o parceiro ideal para ajudar os nossos clientes a superar estes desafios, trabalhando com eles lado a lado, na transformação de tecnologia em vantagem competitiva sustentável.


Publicado em:

Na Primeira Pessoa

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados