Partilhe nas Redes Sociais

29,3% dos pedidos de patente têm por trás mulheres inventoras

Publicado em 9 Março 2026 por Ntech.news | 135 Visualizações

Portugal é o país europeu com maior participação feminina na atividade de patenteamento. Entre 2018 e 2022, 29,3% dos pedidos de patente com origem nacional incluíram pelo menos uma mulher inventora, mais de dez pontos percentuais acima da média europeia, segundo um estudo divulgado pela Organização Europeia de Patentes (OEP).

Os dados constam de um relatório do Observatório de Patentes e Tecnologia da OEP, publicado no âmbito do Dia Internacional da Mulher. O documento revela também que a presença feminina na atividade inventiva em Portugal aumentou face ao período anterior: entre 2013 e 2017, a proporção era de 26,9%.

O desempenho português destaca-se num contexto europeu onde a evolução tem sido lenta. Em 2022, apenas 13,8% dos inventores identificados em pedidos de patente europeia eram mulheres, uma subida marginal face aos 13% registados em 2019. Apesar de uma presença crescente em equipas de investigação, as mulheres continuam a surgir com menor frequência como inventoras individuais, refletindo barreiras estruturais persistentes no sistema de inovação.

«Há um ganho evidente para a Europa em reforçar a participação das mulheres na inovação», afirmou António Campinos, presidente da OEP. Segundo este responsável, o estudo expõe os obstáculos que ainda persistem no nosso caminho para o progresso, para que a Europa possa desbloquear todo o seu potencial de inovação na investigação, no patenteamento e no empreendedorismo. «A diversidade não é um elemento acessório, é combustível para a inovação disruptiva».

António Campinos referiu que a própria organização tem vindo a reforçar a presença feminina. «Atualmente, cerca de um quarto dos nossos examinadores de patentes são mulheres, e este número aumenta todos os anos, graças aos esforços direcionados ao nível do recrutamento. No ano passado, 31% dos novos examinadores recrutados foram mulheres, e a proporção de mulheres no nosso programa Jovens Profissionais tem-se mantido acima dos 50%, assegurando um sólido pipeline de talento futuro», contabilizou o presidente da OEP.

Portugal acima da média europeia nas startups

A disparidade de género é particularmente visível no ecossistema de startups com atividade de patenteamento. Nos países abrangidos pela OEP, apenas 13,5% das startups com patentes têm uma mulher entre os fundadores. Portugal apresenta valores superiores à média europeia. As mulheres representam 15,7% dos fundadores de startups portuguesas que detêm pedidos de patente europeia, colocando o país em segundo lugar no ranking europeu, atrás de Espanha. Além disso, 22,9% das startups nacionais com atividade de patenteamento incluem pelo menos uma mulher na equipa fundadora.

O relatório indica também que as startups mais recentes apresentam maior diversidade de género. Em média, 14% das empresas mais jovens contam com fundadoras, enquanto nas organizações com mais de duas décadas essa proporção desce para cerca de 5,9%. Ainda assim, a presença feminina tende a diminuir nas fases mais avançadas de financiamento, sugerindo desafios adicionais na escalabilidade das empresas cofundadas por mulheres.

Barreiras persistem no go to market

O estudo da OEP identifica uma “fuga de talentos” ao longo da carreira científica. Apesar da forte presença feminina entre os doutorados europeus, as mulheres continuam sub-representadas entre os investigadores envolvidos em atividades de patenteamento. A diferença acentua-se nas fases de transferência de conhecimento e comercialização de resultados científicos, quando as invenções passam do laboratório para o mercado.

Segundo o relatório, a investigação conduzida por mulheres apresenta potencial inventivo comparável ao dos homens. A menor participação no patenteamento não decorre, por isso, de diferenças na qualidade científica, mas de fatores sociais, institucionais e económicos que condicionam as oportunidades de carreira e de empreendedorismo tecnológico.

Ciências da vida lideram participação feminina

A presença feminina varia significativamente entre áreas tecnológicas. Os setores ligados às ciências da vida concentram as maiores proporções de mulheres inventoras. A indústria farmacêutica regista 34,9%, seguida da biotecnologia com 34,2% e da química alimentar com 32,3%. Em contrapartida, algumas áreas de engenharia intensiva em patentes apresentam níveis significativamente mais baixos. Nos domínios de máquinas-ferramenta a participação feminina é de 5,7%, nos processos básicos de comunicação de 5,5% e nos elementos mecânicos de 4,9%.

As universidades e organizações públicas de investigação apresentam a maior proporção de mulheres inventoras, com 24,4%. Já as pequenas e médias empresas e os requerentes individuais registam as taxas mais reduzidas de participação feminina no sistema de patentes europeu. O relatório indica ainda que a presença feminina está também a crescer nas profissões que suportam o sistema de propriedade intelectual. Atualmente, as mulheres representam 29,2% dos mandatários europeus de patentes.


Publicado em:

Atualidade

Partilhe nas Redes Sociais

Artigos Relacionados