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Falta de memória e energia trava expansão de IA

Publicado em 10 Agosto 2026 por Ntech.news | 1 Visualizações

O investimento em infraestruturas para inteligência artificial (IA) continua a crescer a um ritmo muito elevado, mas a falta de chips, memória e capacidade energética está a tornar-se o principal obstáculo à expansão desta tecnologia.

A conclusão é da GlobalData, que analisou os resultados financeiros das maiores empresas tecnológicas e conclui que já não basta existir procura por IA. A capacidade para produzir os componentes necessários e alimentar os centros de dados está a ditar a velocidade a que novos projetos podem avançar.

Os fabricantes de memória estão entre os principais beneficiados por esta procura. A SK Hynix, a Samsung e a Micron registaram fortes aumentos nos lucros, impulsionados pela elevada procura de memória HBM, um tipo de memória essencial para os sistemas de inteligência artificial. Segundo a GlobalData, a produção deste componente já está praticamente esgotada até 2026.

A NVIDIA também continua a crescer graças ao investimento em centros de dados para IA. No entanto, a empresa está a canalizar uma parte significativa dos seus recursos para garantir capacidade de produção suficiente junto dos seus fornecedores.

Murthy Grandhi, analista da GlobalData, explica que “o crescimento de 77,4% do lucro líquido da TSMC, acompanhado por um aumento de 33,8% do investimento em capital, reflete a corrida para expandir a capacidade de produção dos nós mais avançados, que continua insuficiente para responder à procura da IA”. O especialista acrescenta que “o crescimento de 1.247,5% do lucro líquido da Constellation Energy demonstra que a energia, e não os chips, é agora o principal fator limitador, algo que os hyperscalers têm referido de forma explícita nas mais recentes apresentações de resultados”.

Nem todas as empresas estão a beneficiar da mesma forma. A Intel reduziu os prejuízos e está a recuperar terreno, enquanto a Marvell viu os lucros cair devido aos elevados custos associados ao aumento da produção.

Um dos aspetos mais relevantes é o forte investimento das grandes empresas tecnológicas. Microsoft, Alphabet e Meta aumentaram significativamente as despesas para expandir a infraestrutura necessária à IA. No total, os maiores operadores de serviços cloud deverão investir entre 700 e 725 mil milhões de dólares em 2026.

Ao mesmo tempo, as decisões políticas estão a influenciar cada vez mais este mercado. As taxas cobradas pelos Estados Unidos sobre alguns chips para IA, as restrições às exportações para a China e novas regras de licenciamento estão a tornar a cadeia de abastecimento mais complexa e mais cara.

A GlobalData destaca ainda o acordo internacional Pax Silica, que pretende reforçar a produção de semicondutores entre países aliados, reduzindo a dependência da China. A Índia é apontada como um dos países que mais poderá beneficiar desta mudança, graças aos novos investimentos na produção e montagem de chips.

Para Murthy Grandhi, estes investimentos deixaram de ser uma escolha para passar a ser uma necessidade. «A capacidade de produção de memória HBM e dos nós de fabrico mais avançados está totalmente comprometida, as taxas e os licenciamentos de exportação passaram a ser variáveis permanentes de custo e o Pax Silica demonstra que serão os blocos de autossuficiência, e não o comércio livre, a definir as cadeias de abastecimento de semicondutores durante o resto da década».


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